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Última modificação julho 27, 2026

Mitos sobre alimentação, jejum e suplementos

Personal trainer conta o que realmente vale a pena fazer para ficar em forma e ter uma vida saudável

materia ticiana - ciro coulibally Quem treina precisa mesmo de suplementos? | Foto: Getty Images / Millann

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    Com a abundância de informações que circula na internet, dicas e estratégias mirabolantes e promessas de ‘atalhos metabólicos’, saber o que realmente colocar no prato (ou quando deixar de comer) tornou-se um grande desafio.

    O treino em jejum ajuda a emagrecer mais? O café da manhã precisa ser reforçado? Os suplementos são indispensáveis para quem treina?

    Para responder a essas e outras dúvidas comuns sobre nutrição e performance, conversamos com o especialista Ciro Coulibaly, personal trainer e cinesiologista formado em Ciências das Atividades Motoras e Esportivas pela Universidade de Turim, que atua em academias da Itália, na rede Virgin Active.

    Nesta entrevista, ele separa o que é ciência do que é puro mito: fala sobre os impactos do jejum, a importância do pré-treino correto, o papel real dos suplementos no dia a dia e como hábitos relacionados ao estilo de vida, como a qualidade do sono e o consumo de álcool, podem acelerar ou travar os  resultados na academia.

    Veja o bate-papo a seguir:

    Viva A Cidade: O treino em jejum funciona de verdade?

    Ciro Coulibaly: O treino em jejum não é magia metabólica, mas também não é enganação: é uma ferramenta fisiológica que pode fazer sentido em alguns contextos e se tornar contraproducente em outros.

    Treinar em jejum aumenta temporariamente a utilização de gordura como substrato energético, porque os níveis de insulina estão mais baixos, e o corpo tem menos disponibilidade imediata de glicose.

    Isso, porém, não significa automaticamente emagrecer mais no longo prazo. A perda de gordura depende principalmente do balanço energético total, do controle calórico e da qualidade da composição corporal.

    O problema é que, hoje, o jejum é muitas vezes vendido como um ‘atalho metabólico’, quando, na verdade, precisa ser contextualizado para cada pessoa.

    Alguém que é sedentário, estressado, dorme mal e tem cortisol alto, provavelmente, vai ter piora na performance, na recuperação e no controle da fome, se treinar em jejum toda manhã.

    Diferente é o caso de uma pessoa metabolicamente saudável, com boa sensibilidade à insulina, boa recuperação e objetivos específicos de definição ou gestão digestiva.

    Nesse contexto o jejum pode ser útil, especialmente em trabalhos cardiovasculares de baixa intensidade ou em algumas fases estratégicas da preparação.

    Do ponto de vista da performance pura e da construção muscular, porém, treinar com disponibilidade energética adequada continua sendo uma estratégia geralmente superior.

    O músculo tem performance melhor quando tem combustível disponível. E quanto mais a sessão exige intensidade, força, estabilidade glicêmica e output neural, mais o jejum pode se tornar um limitador.

    A pergunta correta, portanto, não é ‘se funciona’, mas ‘funciona para quem, em qual fase e com qual objetivo?’.

    O que comer antes do treino para melhorar o rendimento??

    O objetivo do pré-treino não é apenas “encher o estômago”, mas fornecer energia estável, melhorar o rendimento e evitar quedas de glicose, sem sobrecarregar a digestão.

    Por isso recomendo quase sempre uma combinação simples: carboidratos de fácil digestão, proteínas em porções leves e baixa quantidade de gorduras, para não desacelerar a digestão.

    Arroz, creme de arroz, batata, pão simples ou frutas podem funcionar muito melhor do que refeições pesadas ou cheias de molhos e açúcares desnecessários.

    O grande erro é acreditar que quanto mais se come, mais energia se tem. Na prática, um pré-treino muito pesado frequentemente piora a performance, porque faz o corpo gastar energia com a digestão, em vez de focar no desempenho do treino.

    Nesse assunto, também conta a personalização: horário, digestão, sensibilidade à insulina, tipo de treino e nível de estresse mudam completamente a resposta do corpo. A nutrição eficaz não deve ser extrema nem aleatória, mas precisa.

    Os suplementos são realmente necessários, ou dá para obter o que se precisa pela alimentação?

    É preciso ter em mente que os suplementos não fazem o trabalho por você. Nenhum deles substitui um bom treino, alimentação de qualidade, sono restaurador e gestão de estresse, o que continua sendo a base de tudo.

    Contudo, no ritmo de vida moderno, a suplementação inteligente faz sentido. O problema surge quando as pessoas tentam usá-la para compensar hábitos errados, e nenhum produto consegue corrigir um corpo cronicamente inflamado, sedentário ou mal cuidado.

    Os suplementos úteis existem, mas devem ter papéis bem definidos: melhorar a recuperação, auxiliar na performance ou facilitar a adesão à dieta.

    Não devemos criar ilusões: a suplementação séria é um suporte estratégico, não um atalho.

    Como é o café da manhã ideal para quem pratica esportes regularmente?

    O café da manhã ideal, principalmente para quem treina regularmente, deve ter como focos energia estável e digestão eficiente, em vez de apenas a saciedade momentânea.

    Muitas opções para a primeira refeição do dia são compostas por produtos ultraprocessados e açúcar disfarçado.

    Mas, para quem treina, o ideal é comer alimentos que sustentem a recuperação e evitem picos e quedas energéticas ao longo do dia.

    Aqui também a simplicidade frequentemente funciona melhor do que o excesso.

    O consumo de álcool afeta os resultados na academia? Quanto e de que forma?

    Sim, e muito mais do que a maioria das pessoas prefere admitir.

    O álcool não adiciona apenas calorias vazias, ele compromete diretamente a recuperação muscular, a qualidade do sono, a hidratação e o equilíbrio hormonal.

    Você pode fazer uma sessão perfeita na academia, mas se destruir a recuperação no fim de semana, o corpo não conseguirá entregar resultados máximos e expressar de verdade o seu potencial.

    A realidade é simples: bons resultados e abuso de álcool não convivem bem.

    Existe espaço para equilíbrio no estilo de vida, mas é preciso ser realista: o físico sempre reflete a rotina e o estilo de vida, não apenas o tempo gasto durante o treino.

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    Colunista Ticiana Furriela

    Ticiana Furriela

    7 publicações

    Formada em design de moda, com mestrado em gestão de moda, é correspondente do Viva a Cidade na Europa. Instagram: @ticifur