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Última modificação setembro 17, 2026

Dia da Árvore: explore refúgios da natureza

Data destaca a importância da preservação da natureza e inspira roteiro por locais arborizados na capital

Perfil jornalista
Dia da Árvore Jardim Botânico de São Paulo | Foto: Reprodução/ @jardimbotanicosp

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    Celebrado em 21 de setembro, o “Dia da Árvore” tem como principal objetivo conscientizar sobre a importância da preservação das florestas, das árvores e dos recursos naturais.

    A data foi escolhida por anteceder o início da primavera no Hemisfério Sul, período associado ao florescimento e à renovação da natureza. A celebração brasileira também tem relação com o Arbor Day, tradição criada nos Estados Unidos para incentivar o plantio e a valorização das árvores.

    No estado de São Paulo, há registros de festividades relacionadas à data desde o início do século 20, quando iniciativas de valorização e plantio de árvores começaram a ganhar espaço.

    As árvores em São Paulo

    De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), São Paulo está entre as dez cidades brasileiras com maior proporção de vias públicas arborizadas. A capital paulista tem cerca de 650 mil árvores mapeadas nas ruas e reúne mais de 673 espécies nativas, além de exemplares de espécies exóticas.

    Para quem gosta de árvores e natureza, preparamos uma lista de locais em São Paulo onde é possível conhecer diferentes espécies, observar a vegetação e registrar as árvores em fotografias.

    Figueira das Lágrimas

    Dia da Árvore

    Foto: Pedu0303

    A Figueira das Lágrimas é considerada uma das árvores mais antigas de São Paulo, com cerca de 240 anos. O exemplar é uma figueira-brava (Ficus organensis) e está associado a importantes episódios da história da cidade e do país.

    Mapas produzidos no início do século 19 indicam que a árvore já existia em 7 de setembro de 1822, data da Independência do Brasil. Segundo relatos de historiadores, Dom Pedro I teria descansado sob a sombra da figueira no mesmo dia em que proclamou a Independência.

    O nome “Figueira das Lágrimas” está relacionado à história do local como ponto de despedidas. Durante décadas, estudantes, tropeiros e famílias se reuniam sob seus galhos para se despedir de pessoas que seguiam viagem em direção a Santos ou partiam para a Guerra do Paraguai.

    Tombada pelo patrimônio histórico municipal, a árvore permanece preservada em uma pequena praça ao seu redor, como um dos exemplares arbóreos ligados à memória histórica de São Paulo.

    Onde: Estrada das Lágrimas, 515 – Sacoma, São Paulo

    Jardim Botânico de São Paulo

    Dia da Árvore

    Foto: Reprodução/ @jardimbotanicosp

    O Jardim Botânico de São Paulo abriga diversos exemplares de pau-brasil (Paubrasilia echinata), árvore símbolo do país, além de uma ampla diversidade de espécies nativas da Mata Atlântica.

    A área contribui para a preservação da vegetação nativa e oferece aos visitantes a oportunidade de conhecer diferentes espécies que fazem parte da flora da região.

    Onde: Av. Miguel Estefno, 3031 – Vila Água Funda, São Paulo
    Site: jardimbotanico.com.br | Instagram: @jardimbotanicosp

    Parque Estadual Alberto Löfgren – Horto Florestal

    Dia da Árvore

    Foto: Reprodução/ @hortoflorestaloficial

    O Horto Florestal reúne uma grande diversidade de espécies arbóreas. Ao todo, foram catalogadas cerca de 786 espécies de árvores, sendo 472 provenientes de diferentes regiões do Brasil e 314 originárias de outros países.

    Entre as espécies nativas identificadas, três estão enquadradas em alguma categoria de ameaça: o palmito-juçara (Euterpe edulis), o jacarandá-paulista (Machaerium villosum) e o fumo-bravo (Solanum bullatum).

    O Horto também abriga espécies consideradas raras, como o cedro-japonês (Cryptomeria japonica), o flamboyant (Delonix regia), o ipê-amarelo ou ipê-comum (Ekmanianthe longiflora), o pinheiro-do-Chile (Pinus radiata) e o pinheiro-de-Torey (Pinus torreyana).

    Onde: Caminho do Horto, 931 – Horto Florestal, São Paulo
    Horário de funcionamento: todos os dias, das 06h às 18h
    Instagram: @hortoflorestaloficial

    Parque Estadual da Cantareira

    O Parque Estadual da Cantareira abriga uma das importantes áreas de Mata Atlântica da Região Metropolitana de São Paulo. Já foram identificadas 678 espécies de plantas, distribuídas em 120 famílias e 338 gêneros.

    As árvores são o grupo mais representativo, com 394 espécies, equivalentes a 58,1% da flora catalogada. O levantamento também registra 111 espécies de arbustos, 68 de ervas terrestres, 55 de lianas, 44 de ervas epífitas, cinco espécies de fetos arborescentes e duas hemi-parasitas.

    Entre os destaques estão duas espécies ameaçadas de extinção no estado de São Paulo: o palmito-juçara (Euterpe edulis) e o xaxim (Dicksonia sellowiana), reforçando a importância da área para a conservação da biodiversidade da Mata Atlântica.

    Onde: Rua do Horto, 1799, Horto Florestal, São Paulo
    Horário de funcionamento: de quarta a domingo e feriados, das 8h às 17h (entrada permitida até as 16h).
    Instagram: @parqueestadualcantareira
    Ingresso: R$ 30 (meia) | R$ 60 (inteira)

    Parque Mário Covas

    Localizado na Avenida Paulista, o Parque Prefeito Mário Covas preserva uma área de mata nativa em plena região central de São Paulo. Inaugurado em 24 de janeiro de 2010, o parque ocupa cerca de 5,4 mil metros quadrados e reúne espécies típicas da Mata Atlântica paulistana, além de trilhas, bancos, equipamentos de ginástica, mesas para piquenique e banheiros.

    Entre as árvores encontradas na área estão jacarandás (Macherium nictitans), canelas (Ocotea sp. e Nectandra sp.), guatambus (Aspidosperma sp.) e cedros (Cedrela fissilis). São exemplares remanescentes da antiga Mata do Caaguaçu, expressão de origem tupi que significa “mata grande” e que, até cerca de dois séculos atrás, cobria boa parte do morro da Paulista.

    A área verde tem origem nos antigos jardins da Vila Fortunata, propriedade da família Thiollier que existia desde os primeiros anos da Avenida Paulista, na década de 1890. Ao longo do tempo, as árvores remanescentes também contribuíram para a dispersão de sementes por pássaros e pelo vento, favorecendo o surgimento de espécies como canelas e embaúbas em outras áreas verdes da região.

    Além de funcionar como espaço de lazer e contato com a natureza, o Parque Mário Covas representa um importante fragmento da vegetação nativa que resistiu ao processo de urbanização da Avenida Paulista.

    Onde: Av. Paulista, 1853 – Bela Vista, São Paulo
    Horário de funcionamento: todos os dias, das 06 às 22h
    Instagram: @parquemariocovas

    Parque Siqueira Campos (Trianon)

    Dia da Árvore

    Foto: Nero

    Também localizado na Avenida Paulista, o Parque Siqueira Campos, conhecido como Parque Trianon, preserva exemplares da vegetação nativa que existia na região antes da urbanização.

    Entre as árvores de destaque estão um jequitibá-branco (Cariniana estrellensis) centenário e um angico (Anadenanthera peregrina), considerado remanescente da floresta primitiva que ocupava a área.

    O Parque Trianon também reúne exemplares de algumas das principais espécies de palmeiras da Mata Atlântica encontradas na cidade de São Paulo. Entre elas está a palmeira pati (Syagrus pseudococos), considerada uma espécie rara.

    De porte esbelto e resistente, a pati apresenta características que podem favorecer seu uso na arborização urbana, além de contribuir para a preservação da diversidade da Mata Atlântica dentro do parque.

    A diversidade presente no parque serviu de inspiração para a escolha das espécies que substituirão as palmeiras-triângulo, originárias de Madagascar, nos canteiros centrais da Avenida Paulista.

    O local também abriga um exemplar muito antigo de palmito-jussara (Euterpe edulis), que se destaca pela grande altura. Considerada uma espécie fundamental para a Mata Atlântica, a palmeira produz frutos que servem de alimento para diversas espécies da fauna nativa.

    A planta é considerada ameaçada de extinção, o que reforça a importância da preservação desse exemplar dentro do parque.

    Onde: Rua Peixoto Gomide, 949 – Cerqueira César, São Paulo
    Horário de funcionamento: Todos os dias, das 06h às 18h

    Desmatamento no Brasil

    Também é importante destacar a questão do desmatamento no Brasil, que, apesar dos altos índices, tem caído nos últimos anos. Em 2025 houve uma queda para 984.794 hectares, uma redução de 20,6% em relação a 2024. Segundo dados do MapBiomas, é a primeira vez desde 2019 que a área desmatada no país fica abaixo de 1 milhão de hectares.

    A agropecuária continua entre as principais causas da supressão da vegetação nativa, principalmente pela conversão de áreas naturais em pastagens e áreas destinadas à agricultura comercial. As irregularidades também têm peso significativo: cerca de nove em cada dez casos de desmatamento registrados no país apresentam indícios de ilegalidade.

    O uso do fogo é outro fator associado à perda de vegetação. Queimadas utilizadas como método agrícola e incêndios provocados de forma criminosa podem ampliar a degradação das áreas naturais.

    Entre os biomas, o Cerrado continua sendo o mais afetado pelo desmatamento no país. A Amazônia aparece em seguida em área desmatada, embora tenha registrado variações e quedas recentes no ritmo de supressão da vegetação.

    Além da perda de áreas naturais, o desmatamento provoca impactos ambientais como a emissão de gases de efeito estufa, a degradação do solo, a redução da biodiversidade e alterações nos padrões de chuva.

    A conservação da vegetação nativa é, portanto, um dos fatores importantes para a proteção dos ecossistemas e para o equilíbrio climático.

    Dia da Árvore

    Perfil jornalista

    Ernesto Lopes

    97 publicações

    Formado em Jornalismo, tem experiência em assessoria de imprensa, redação e jornalismo digital