Na segunda parte da entrevista com Ciro Coulibaly, personal trainer da rede europeia de academias Virgin Active, o assunto principal foi motivação.
Uma das primeiras coisas que tive curiosidade de perguntar a ele era algo pessoal, mas que acredito que muita gente se identifica: Como se manter motivado a ir a academia?
Na hora de responder, ele olhou para mim e riu brevemente, dizendo algo que, na verdade, é bem óbvio, mas que eu nunca tinha parado para pensar dessa forma.
“Não existe motivação para ir a academia. Isso é um discurso incorreto: se você estiver buscando isso, nunca conseguirá manter uma frequência. O que você precisa se perguntar é: qual é o meu objetivo em ir à academia? O que quero alcançar? Quando pensamos em objetivos, conseguimos traçar um plano e seguir com ele. Quando pensamos em motivação sem objetivo, não existe um porquê para continuar nos dias em que está sem nenhuma vontade.”
E o objetivo não precisa ser muito elaborado ou ambicioso, apenas algo para te manter centrado e com o olhar voltado ao ‘prêmio’, mas deve ser algo que realmente faça sentido para você.
Em diferentes momentos da nossa conversa, Ciro deu esse mesmo conselho.
A ideia de colocar objetivos na prática de atividades físicas tem tudo a ver com o passado de atleta do personal, que foi jogador de basquete.
Esportistas precisam ser disciplinados e têm de treinar independente do humor ou do clima do dia, mesmo quando faz frio e chove.
Eles têm sempre um objetivo: ganhar um jogo, vencer um campeonato, classificar-se para finais, entre outras metas parecidas.
Então, pensar apenas em motivação é romantizar um processo que vai muito além disso.
O exercício pode ser benéfico para o bem-estar mental e físico, mas a frequência e o hábito dependem de algo a mais: um objetivo real.
Das quadras para a academia
Já apresentei Ciro Coulibaly na coluna anterior, mas vale a pena falar um pouco mais sobre esse profissional e como ele chegou a uma das maiores redes de academia da Europa.
Ele sempre foi uma pessoa ativa e, desde cedo, o esporte fez parte da sua rotina. Por muito tempo, sua paixão tinha nome e endereço: a quadra de basquete.
Foram 20 anos de treinos, competições e horas de vida dedicadas aos jogos.
Mas, quando o basquete ficou para trás, o personal trainer já estava muito acostumado à vida ativa e não conseguiu ficar apenas parado; então, foi para a academia.
O que começou como uma forma de manter o corpo em movimento virou obsessão, no bom sentido.
O bodybuilding entrou na vida de Ciro primeiramente como rotina, depois como estudo e, por fim, como vocação.
Em paralelo, ele cursou Ciências Políticas, mas os treinos falaram mais alto. E ele tomou uma decisão: parou de treinar por hábito e começou estudar o porquê de cada movimento.
Voltou para a universidade, dessa vez para o curso ‘certo’: formou-se em Ciências das Atividades Motoras e Esportivas, pela Universidade de Turim (Università degli Studi di Torino).
Em 2020, e saiu de lá não apenas como personal trainer, mas como cinesiologista: é especialista no estudo do movimento humano em profundidade.
Movimentação
A trajetória geográfica também diz muito sobre quem ele é. Nascido em Nápoles, foi com poucos meses para Torino e construiu sua base lá. A cidade tem um ritmo tranquilo, que ele descreve com carinho.
Mas, foi em Milão que encontrou uma clientela mais exigente e um mercado mais sofisticado. Ao longo dos anos, ele desenvolveu o método FLOAT, uma abordagem baseada em intensidade, precisão e qualidade do movimento, que vai na contramão da cultura do “quanto mais, melhor”, que domina as redes sociais.
Para Ciro, o maior problema do fitness moderno não é a falta de informação, é o excesso. As pessoas treinam muito, mas se escutam pouco. Consomem conteúdo em série, mas perderam o contato com o próprio corpo.
Desde que decidiu transformar a academia em profissão, assumiu uma missão simples de enunciar, mas difícil de executar: ajudar cada pessoa a ir ‘do ponto A ao ponto B’, com inteligência, com estrutura e, acima de tudo, com consciência e consistência.
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