Com apenas 25 anos, Consuelo Rizzone fala italiano, inglês, francês, alemão e sabe o básico de chinês.
É a curiosidade por outras culturas o que move essa profissional, que cresceu na Sicília, na Itália, ouvindo inglês em casa, já que sua mãe é de Nairobi, capital do Quênia , na África Oriental.
Isso bastou para moldar seu ouvido a novas línguas, antes mesmo de qualquer sala de aula.

Consuelo Rizzone é professora de línguas. | Foto: Reprodução/LinkedIn
O resto veio depois, e veio rápido: fez graduação em Mediação Linguística e Cultural, pela Università per Stranieri di Siena, e mestrado em Tradução Especializada e Interpretação, na Universidade de Turim.
Durante os estudos, passou pela Alemanha (Dresden e Berlim) e pela França (Pau), graças ao programa Erasmus+, da União Europeia, que apoia a educação e a formação cultural de jovens do continente.
Mas foi um estágio, em uma escola online de italiano para estrangeiros, que a ajudou a definir a profissão que hoje ocupa sua vida. Nessa experiência, ela descobriu o gosto por ensinar e ajudar outras pessoas a aprenderem novos idiomas.
Hoje, Consuelo dá aulas remotas para alunos dos Estados Unidos, Reino Unido, Emirados Árabes, Áustria, Alemanha, Canadá e Irã, além de atender estudantes do Brasil e de Portugal, e de lecionar inglês, francês e alemão para italianos.
E a diversidade de nacionalidades com as quais lida diariamente, também interfere na forma como ensina para cada um.
A sensibilidade com o aluno reflete algo mais profundo: o jeito como ela mesma enxerga o que é aprender uma língua.
A forma como ela pensa sobre línguas não diz respeito apenas à habilidade de comunicação em si, mas como portas de entrada para outras culturas.
Novas realidades
Em entrevista ao Viva a Cidade, ela enfatizou que estudar a história do outro país, os costumes e curiosidades contribui de maneira importante para o aprendizado geral.
Isso porque, ao se inserir na realidade de outro país e entender como as coisas funcionam em cada lugar, a forma de se comunicar também muda. Ou seja, existe uma conexão maior do que apenas gramatical.
Ela mesma toma esse cuidado com seus alunos, a maioria estrangeiros. Começa tentando entender o contexto que cada pessoa vive, para também ajuda-la a desenvolver novas habilidades. Como resultado, a atividade vira uma via de mão de dupla, em que ela ensina, mas também aprende.
Ela cita como exemplo a Lingua Learn International, escola sediada em Dubai, nos Emirados Árabes, onde dá aulas remotas.
Antes mesmo de começar a lecionar, passou por um treinamento, em que se aprofundou nos costumes árabes e islâmicos, o que a ajudou a ajustar a própria apresentação, de acordo com o público, para mostrar respeito.
Fora das salas de aula, esse mesmo instinto é usado na criação de conteúdo: ela é a criadora do perfil @cocolinguistics, no Instagram, onde publica curiosidades sobre diversos idiomas e países, tentando contagiar os seguidores com a mesma curiosidade que carrega desde criança.
Ao visitar a página, o que me chamou a atenção logo de cara foi o fato de não ser algo usado para ‘promover’ suas aulas ou abordar apenas as línguas que ela domina, e sim para disseminar informações sobre as mais diversas culturas.
E isso tem tudo a ver com uma frase dela: “Se você quer aprender uma língua, o segredo é ser curioso, não só sobre a língua, mas sobre a cultura”.
Foi essa a lição que ficou comigo depois da nossa conversa, e talvez seja o melhor conselho para quem precisa se aventurar em outros idiomas.
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