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Última modificação outubro 22, 2026

“Do Cavalo Nada Sabemos” retorna ao cartaz

João Paulo Lorenzon aborda a cisão entre homem e natureza a partir de episódio vivido por Nietzsche

João Paulo Lorenzon interpreta "Do Cavalo Nada Sabemos". Vestindo apenas uma calça preta (e exibindo seu peitoral musculoso) o ator empunha um chicote preto e grita de braços abertos em um palco vazio João Paulo Lorenzon interpreta "Do Cavalo Nada Sabemos". Foto: Maurizio Mancioli / Divulgação

Informações

  • Data de inicio e término

    28/10/2026 até 26/11/2026

  • Dias da semana e horários

    Quartas e quintas-feiras, às 20h

  • Endereço

    R. Alagoas, 903 - Higienópolis

    Ver no mapa
  • Valores

    R$ 60 (meia-entrada) e R$ 120 (inteira)

Mais detalhes

Depois de uma temporada esgotada no Sesc Ipiranga, o solo “Do Cavalo Nada Sabemos”, idealizado e interpretado por João Paulo Lorenzon, retorna ao cartaz para uma temporada no Teatro FAAP, de 28 de outubro a 26 de novembro.

A dramaturgia do solo toma como ponto de partida o episódio ocorrido em 3 de janeiro de 1889, na Piazza Carlo Alberto, em Turim. Ao ver um cocheiro espancando o animal, o filósofo Friedrich Nietzsche se atirou ao pescoço do cavalo para protegê-lo, chorou e, a partir daquele momento, entrou em colapso mental definitivo.

A montagem usa essa cena para investigar violência, culpa e o desejo de reparação. A peça trata a separação entre natureza e cultura como um erro de origem da civilização e defende que é preciso libertar a vida dos pontos em que ela ainda está presa à conduta humana.

A construção textual contou com a colaboração da psicanalista Renata Zambonelli. A parceria expandiu o fato histórico de 1889 para uma reflexão contemporânea sobre o Antropoceno (a era geológica marcada pelo impacto da atividade humana sobre o planeta) e sobre a ansiedade climática.

Sob a direção conjunta de Denise Stoklos e Alessandra Maestrini, o processo de pesquisa da dramaturgia incorporou referências do cinema e da literatura, como o filme “O Cavalo de Turim”, de Béla Tarr; o longa-metragem polonês “Eo”, de Jerzy Skolimowski; e o conceito de ‘homem do subsolo’, de Fiódor Dostoiévski, personagem marcado pelo isolamento, pela amargura e pela autoconsciência. A principal matriz teórica da montagem é o pensamento da bióloga e filósofa norte-americana Donna Haraway, para quem humanos e não humanos precisam aprender a coabitar e coexistir em um planeta ferido.

A estrutura dramatúrgica inicial baseou-se em uma obra ampla elaborada por Denise Stoklos, que mapeava manifestações históricas de opressão contra mulheres, indígenas e populações negras. Lorenzon optou por abstrair as citações diretas para ampliar as possibilidades de projeção do espectador.

A encenação reúne a linguagem do Teatro Essencial de Denise Stoklos e a pesquisa vocal e interpretativa de Alessandra Maestrini. A direção levou o ator a explorar o contraste entre a “vontade de potência” nietzschiana e a destrutividade.  A montagem faz trabalhar o pensamento do filósofo para pensar em conflitos contemporâneos.

Os ingressos estão disponíveis no website do Teatro FAAP.

Esta temporada terá seis sessões seguidas de roda de conversa, reunindo convidados das áreas de psicanálise, literatura e artes. Veja a programação:

  • 29 de outubro | “Viver com terror e alegria”, com Maria Luiza Gastal (psicanalista, SPBsb). Coordenação: Eduardo São Thiago Martins (SBPSP) | Parte da Mostra Decolonial de Arte e Psicanálise (SBPSP/DCC).
  • 5 de novembro | “O ovo e o cavalo”, com Cecília Cavalieri (artista-etc, pesquisadora PUC-Rio/CNPq, esquizoanalista ALEA). Coordenação: Gizela Turkiewicz (SBPSP). | Parte da Mostra Decolonial de Arte e Psicanálise.
  • 12 de novembro | Evento pago e aberto do Departamento de Formação em Psicanálise do Sedes Sapientiae: apresentação da peça seguida de conversa com elenco, direção e psicanalistas. Debatedores: Helgis Cristofaro e Eduardo Lara (psicanalistas).
  • 18 de novembro | Roda de conversa com Oswaldo Giacoia Junior, filósofo especialista em Nietzsche.
  • 19 de novembro | Roda de conversa com o Campo Lacaniano. Participação da psicóloga Ana Gianesi (PUC-SP), mestre e doutora pelo Instituto de Psicologia Clínica da USP e pós-doutora em Filosofia pela UFRJ. Psicanalista e membra do Fórum do Campo Lacaniano de São Paulo, onde co-coordena pesquisa sobre lógica, poética e críticas feministas; e da psiquiatra e psicanalista Renata Zambonelli, coautora do texto do espetáculo e membro efetivo da SBPSP
  • 26 de novembro, 20h | Roda de conversa com Eliane Robert Moraes (professora de literatura brasileira, USP; pesquisadora do CNPq; especialista em literatura erótica) e Berta Hoffmann Azevedo (psicanalista, membro efetivo e docente da SBPSP; mestre em Psicologia Clínica, PUC-SP; autora de “Paixão e Loucura nos limites da clínica psicanalítica”). Coordenação: Rodrigo Lage Leite (psiquiatra e psicanalista, membro efetivo e docente da SBPSP)
  • Acessível para cadeirantes
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  • Maiores de 16 anos

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