Núcleo Experimental revisita “As Troianas”
Musical situa a tragédia de Eurípedes ao contexto de um presídio feminino durante a ditadura militar

Informações
-
Data de inicio e término
18/08/2026 até 07/10/2026
-
Dias da semana e horários
Terças e quartas-feiras, às 20h
-
-
Valores
R$40 (inteira) e R$20 (meia-entrada)
Mais detalhes
Para festejar suas duas décadas de atividade, o Núcleo Experimental revisita seu espetáculo “As Troianas”, que estreou em 2009, foi indicado aos prêmios Shell, da Cooperativa Paulista de Teatro e Quem em diversas categorias e teve várias temporadas lotadas. A remontagem será encenada na sede do grupo na Barra Funda.
O espetáculo tem adaptação e direção de Zé Henrique de Paula, direção musical, composições e arranjos de Fernanda Maia e traz no elenco Bia Reze, Brian Penido Ross, Bruna Guerin, Edyelle Brandão, Fabio Redkowicz, Fernando Tavares, Giovanna Sassi, Larissa Noel, Laura Sciulli, Mari Rosinski, Nábia Villela, Patrícia Gifford, Vanessa Espósito e Victor Edwards.
A primeira versão de “As Troianas” foi inspirada pela obra homônima de Eurípedes, escrita em Atenas no ano 415 a.C., e era parte de uma trilogia dedicada à guerra de Tróia da qual as outras obras (“Alexandros” e “Palamedes”) se perderam, restando apenas fragmentos.
Na obra original, após a destruição de Tróia, as mulheres da cidade – Hécuba, Andrômaca, Cassandra e as demais troianas – enfrentam a perda, a escravidão, o luto e o exílio impostos pelos vencedores gregos. Privadas de seus lares e de suas famílias, elas testemunham o fim de sua pátria e resistem apenas com a força da palavra e da dor compartilhada.
Escrita pouco depois do brutal ataque a Melos, em que Atenas mataria praticamente todos os homens em idade adulta e escravizaria as mulheres, a peça é vista como uma denúncia política não apenas dos crimes na mítica Tróia, mas também na época em que viveu o autor. Eurípides dá voz às mulheres silenciadas pela guerra, revelando sua dignidade, coragem e humanidade diante da violência e da arrogância dos conquistadores.
Já em sua montagem em 2009, o Núcleo Experimental recontextualizou a tragédia em um campo de concentração situado na Polônia, às vésperas do final da Segunda Guerra. As personagens femininas se expressavam somente através do canto, que representava um território de segurança, afeto e preservação de memória para aquelas mulheres. Uma pesquisa sobre canções oriundas de povos e/ou etnias de refugiados definiu o repertório cantado pelas atrizes.
Intitulada “As Troianas – música nas trevas” a nova montagem revisita o texto de Eurípides, agora à luz de um capítulo triste da história do Brasil: a violência de Estado promovida pela ditadura militar contra as cidadãs brasileiras, tendo como inspiração o livro “A Torre: O cotidiano de mulheres encarceradas pela ditadura”, de Luiza Villaméa. Ambientada na Torre das Donzelas, a ação da peça ganha novos contornos e significados, especialmente a questão feminina.
Os famosos “porões da ditadura” torturavam e matavam todos aqueles que esboçassem qualquer tipo de dissidência. Em São Paulo, na Avenida Tiradentes, um presídio construído no século 19 servia de carceragem para os presos políticos que sobreviviam às torturas do DOPS e do DOI-CODI. No centro do prédio, uma torre. E nela, as mulheres presas pela ditadura. A ala feminina do presídio conhecida como Torre das Donzelas.
O encontro entre “As Troianas” e a Torre das Donzelas expõe regimes que se sustentam pela violência, pela desumanização do outro e pelo controle dos corpos – especialmente os corpos femininos – como forma de manutenção do poder.
Os ingressos estão disponíveis no Sympla.
Dados de contato
-
Telefone
(11) 3259-0898
-
Redes sociais







