Conto de Newton Moreno ganha os palcos
"Amália" conta história de jovem que descobre ser seu olhar a causa do sofrimento amoroso
Informações
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Data de inicio e término
02/11/2026 até 22/12/2026
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Dias da semana e horários
Segundas e terças, às 20h
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Valores
Entrada gratuita
Mais detalhes
Conto de Newton Moreno, “Amália” ganha adaptação teatral de Ivan Andrade e faz temporada no Teatro Estúdio, de 02 de novembro a 22 de dezembro. Com direção do próprio Andrade, o elenco é composto por Lara Córdulla e Marcos Azevedo.
No texto original, Amália, da infância à vida adulta, não consegue fixar o alvo do seu afeto e, em buscas intermináveis por um amor definitivo, descobre que não é o coração, mas o desejo que emana do seu olhar que não a deixa descansar. O lirismo do autor multiplica as possibilidades de interpretação, impactando o leitor com um final inesperado.
A fim de acalmar sentimentos conturbados, Amália faz uma inspeção fisiológica do próprio organismo e, por fim, decide anestesiar o coração, órgão responsável pela pulsão insaciável que a governa. Salva por um primo alguns segundos antes de aplicar a injeção, percebe que a causa de suas buscas intermináveis não é o coração, e sim o olhar desejante que jamais descansa.
O olhar sempre foi considerado perigoso: Orfeu perdendo Eurídice; Narciso perdendo-se de si mesmo; Édipo cegando-se ao descobrir a verdade que os olhos não conseguiram enxergar; Perseu defendendo-se da Medusa, forçando-a a olhar-se no espelho; as filhas e a mulher de Ló, transformadas em estátuas de sal.
Se o olhar é uma metáfora para a sede de conhecimento e da busca pelo outro, continua o diretor, também pode ser um caminho para a autodestruição Amália não quer apenas conhecer os seus sentimentos, ela quer conhecê-los para controlá-los.
A jovem é uma máquina que se alimenta de amor. Num mundo com erosões afetivas, ela tem uma anomalia única: se apaixona por aquele que vê. É uma metáfora de uma ânsia coletiva por afeto; metáfora da partilha, do encontro amoroso. Mas ela perceberá que o amor é um conceito mais generoso e poroso; há que se amar a humanidade para saber sua maior dimensão.
A adaptação de Ivan Andrade para os palcos coloca em evidência as transformações comportamentais das últimas décadas, provocadas principalmente pelas novas tecnologias da comunicação e pela consequente aceleração dos fluxos de informação. Apesar da tragicidade implícita, o espetáculo é bem-humorado e dinâmico.
A entrada é gratuita. Os ingressos estão disponíveis no Sympla.
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