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Última modificação outubro 30, 2026

Conto de Newton Moreno ganha os palcos

"Amália" conta história de jovem que descobre ser seu olhar a causa do sofrimento amoroso

Uma mulher se joga ao chão ao ser perseguida por um homem que segura um enorme globo ocular "Amália". Foto: Felipe Faim / Divulgação

Informações

  • Data de inicio e término

    02/11/2026 até 22/12/2026

  • Dias da semana e horários

    Segundas e terças, às 20h

  • Endereço

    R. Conselheiro Nébias, 891 - Campos Elíseos

    Ver no mapa
  • Valores

    Entrada gratuita

Mais detalhes

Conto de Newton Moreno, “Amália” ganha adaptação teatral de Ivan Andrade e faz temporada no Teatro Estúdio, de 02 de novembro a 22 de dezembro.  Com direção do próprio Andrade, o elenco é composto por Lara Córdulla e Marcos Azevedo. 

No texto original, Amália, da infância à vida adulta, não consegue fixar o alvo do seu afeto e, em buscas intermináveis por um amor definitivo, descobre que não é o coração, mas o desejo que emana do seu olhar que não a deixa descansar.  O lirismo do autor multiplica as possibilidades de interpretação, impactando o leitor com um final inesperado.

A fim de acalmar sentimentos conturbados, Amália faz uma inspeção fisiológica do próprio organismo e, por fim, decide anestesiar o coração, órgão responsável pela pulsão insaciável que a governa. Salva por um primo alguns segundos antes de aplicar a injeção, percebe que a causa de suas buscas intermináveis não é o coração, e sim o olhar desejante que jamais descansa.

O olhar sempre foi considerado perigoso: Orfeu perdendo Eurídice; Narciso perdendo-se de si mesmo; Édipo cegando-se ao descobrir a verdade que os olhos não conseguiram enxergar; Perseu defendendo-se da Medusa, forçando-a a olhar-se no espelho; as filhas e a mulher de Ló, transformadas em estátuas de sal.

Se o olhar é uma metáfora para a sede de conhecimento e da busca pelo outro, continua o diretor, também pode ser um caminho para a autodestruição  Amália não quer apenas conhecer os seus sentimentos, ela quer conhecê-los para controlá-los.

A jovem é uma máquina que se alimenta de amor. Num mundo com erosões afetivas, ela tem uma anomalia única: se apaixona por aquele que vê.  É uma metáfora de uma ânsia coletiva por afeto; metáfora da partilha, do encontro amoroso. Mas ela perceberá que o amor é um conceito mais generoso e poroso; há que se amar a humanidade para saber sua maior dimensão. 

A adaptação de Ivan Andrade para os palcos coloca em evidência as transformações comportamentais das últimas décadas, provocadas principalmente pelas novas tecnologias da comunicação e pela consequente aceleração dos fluxos de informação. Apesar da tragicidade implícita, o espetáculo é bem-humorado e dinâmico.

A entrada é gratuita. Os ingressos estão disponíveis no Sympla.

  • Acessível para cadeirantes
  • Gratuito
  • Maiores de 12 anos

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