Vivemos uma época em que a produtividade parece ser medida em horas.
Trabalhamos mais, respondemos mais mensagens, ocupamos cada minuto do nosso dia.
E, para muitos, essa lógica também invadiu os treinos: quanto mais tempo na academia, melhor.
Quanto mais quilômetros corridos, maior o mérito. Quanto mais suor, mlehores os resultados.
Mas será que é assim que o corpo funciona?
A verdade é que nosso organismo não contabiliza horas. Ele responde a estímulos.
E existe uma grande diferença entre passar duas horas treinando e realizar um treino de qualidade durante 50 minutos.
O que significa ‘treinar melhor’?
Treinar melhor significa executar os exercícios com técnica, respeitar as intensidades propostas, entender os momentos de acelerar e os momentos de recuperar. Significa ter um planejamento coerente e não apenas acumular volume.
Isso não quer dizer que quantidade não importa. Ela tem seu papel, principalmente para quem busca desempenho esportivo.
Corredores que se preparam para meias maratonas e maratonas, por exemplo, precisam aumentar gradativamente o volume de treino.
O problema surge quando a quantidade passa a substituir qualidade.
É comum encontrarmos pessoas que treinam todos os dias, mas evoluem pouco. Não porque falte dedicação, mas porque falta estratégia.
Treinos repetitivos, sem progressão, realizados em estado constante de fadiga, acabam gerando mais desgaste do que adaptação.
O resultado? Estagnação, dores persistentes, queda de rendimento e, muitas vezes, lesões.
Qualidade e bem-estar
Curiosamente, essa discussão aparece justamente em um momento em que São Paulo vive uma verdadeira explosão de eventos ligados ao movimento e ao bem-estar.
Em julho, a cidade recebeu a prova Goya Movimenta Run, no Parque Villa-Lobos, e a tradicional Nike SP City Marathon, que também está no calendário, deve reunir milhares de corredores pelas ruas da capital no próximo domingo (26), num percurso que atravessa o Centro e as zonas Oeste e Sul da cidade.
Esses eventos revelam algo interessante: cada vez mais pessoas querem se movimentar. E isso é excelente!
Porém, participar de uma prova ou encarar um novo desafio não deveria significar simplesmente treinar mais. O caminho mais inteligente quase sempre é treinar melhor.
A cultura do “sem dor, sem ganho” vem dando lugar a uma visão mais sustentável da atividade física.
Hoje entendemos que recuperação, sono, alimentação e planejamento são partes fundamentais do processo.
Afinal, não é durante o treino que ficamos mais fortes. É na recuperação que o corpo se adapta ao estímulo recebido.
Talvez a pergunta não seja quantas horas você passou treinando nesta semana, mas: quanto do seu treino realmente teve propósito?
Porque resultados consistentes não costumam ser construídos por quem faz mais. Eles costumam ser construídos por quem faz melhor.
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