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Última modificação fevereiro 16, 2026

Vale a pena insistir no treino quando bate o cansaço?

No mundo fitness, existe uma linha fina entre disciplina e overreaching, e é fácil cruzá-la sem perceber

coluna andreza gonçalves Nem sempre treino e cansaço combinam. | GettyImages/ jacoblun

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    Todo mundo que treina sério já se fez a seguinte pergunta: vale a pena treinar cansado?

    A resposta curta é: às vezes, sim.

    A longa é: depende do tipo de cansaço, da frequência e da sua capacidade de recuperação.

    No mundo fitness, existe uma linha muito fina entre disciplina e overreaching, e cruzá-la sem perceber é mais comum do que se imagina.

    Disciplina é aparecer mesmo quando a motivação não vem. É manter consistência, ajustar carga, respeitar o plano e entender que nem todo treino será incrível.

    O corpo humano se adapta ao estresse, e um certo nível de fadiga faz parte do processo de evolução.

    Já o overreaching (ou sobrecarga funcional) acontece quando o corpo não consegue mais se recuperar entre os estímulos.

    O treino continua, mas a adaptação não vem. O que era progresso vira estagnação, queda de performance e aumento do risco de lesão.

    Atenção aos sinais

    Quando você insiste em treinar mesmo estando cansado demais, o corpo começa a dar sinais bem claros, como:

    (1) Queda de força e potência;

    (2) Piora na coordenação (a técnica se perde fácil);

    (3) Aumento da frequência cardíaca em cargas habituais;

    (4) Sono ruim, irritabilidade e falta de foco;

    (5) Dores persistentes que não ‘somem com aquecimento’.

    Isso tudo acontece porque, nesse estado, o sistema nervoso central entra em modo de alerta.

    A execução piora, o tempo de reação cai, e a chance de erro técnico aumenta. E erro técnico sob carga é convite para lesão.

    Mas isso não significa que todo treino que se faz cansado seja ruim.

    Existe o chamado overreaching funcional, planejado e temporário.

    Ele faz parte de ciclos de treino bem estruturados, em que o atleta passa por um período de maior estresse, seguido de recuperação adequada. A chave está no termo ‘seguido’.

    Falha e evolução

    O problema surge quando o cansaço vira rotina, e o descanso vira culpa.

    A cultura do “no pain, no gain” ainda faz muita gente confundir exaustão com comprometimento.

    É preciso ter consciência de que treinar sempre no limite não é sinal de força mental; muitas vezes é falta de estratégia.

    Ter disciplina de verdade também é saber reduzir carga, ajustar volume e, às vezes, descansar.

    O corpo não evolui durante o treino, mas na recuperação.

    Por isso, treinar cansado pode funcionar quando faz parte do plano.

    Insistir cansado, todos os dias, cobra um preço.

    No fim, o melhor indicador não é quanto você sofre no treino, mas o quanto você consegue sustentar ao longo do tempo.

    Porque a performance não se constrói em ‘um dia épico’, ela se constrói na constância inteligente.

    Na dúvida, procure a ajuda de um profissional.

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    Andreza Gonçalves

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    Personal trainer (Cref 172593-G), bacharel em Educação Física e pós-graduada em Treinamento Desportivo. Instagram: @an.drezagn_personal