Todo mundo que treina sério já se fez a seguinte pergunta: vale a pena treinar cansado?
A resposta curta é: às vezes, sim.
A longa é: depende do tipo de cansaço, da frequência e da sua capacidade de recuperação.
No mundo fitness, existe uma linha muito fina entre disciplina e overreaching, e cruzá-la sem perceber é mais comum do que se imagina.
Disciplina é aparecer mesmo quando a motivação não vem. É manter consistência, ajustar carga, respeitar o plano e entender que nem todo treino será incrível.
O corpo humano se adapta ao estresse, e um certo nível de fadiga faz parte do processo de evolução.
Já o overreaching (ou sobrecarga funcional) acontece quando o corpo não consegue mais se recuperar entre os estímulos.
O treino continua, mas a adaptação não vem. O que era progresso vira estagnação, queda de performance e aumento do risco de lesão.
Atenção aos sinais
Quando você insiste em treinar mesmo estando cansado demais, o corpo começa a dar sinais bem claros, como:
(1) Queda de força e potência;
(2) Piora na coordenação (a técnica se perde fácil);
(3) Aumento da frequência cardíaca em cargas habituais;
(4) Sono ruim, irritabilidade e falta de foco;
(5) Dores persistentes que não ‘somem com aquecimento’.
Isso tudo acontece porque, nesse estado, o sistema nervoso central entra em modo de alerta.
A execução piora, o tempo de reação cai, e a chance de erro técnico aumenta. E erro técnico sob carga é convite para lesão.
Mas isso não significa que todo treino que se faz cansado seja ruim.
Existe o chamado overreaching funcional, planejado e temporário.
Ele faz parte de ciclos de treino bem estruturados, em que o atleta passa por um período de maior estresse, seguido de recuperação adequada. A chave está no termo ‘seguido’.
Falha e evolução
O problema surge quando o cansaço vira rotina, e o descanso vira culpa.
A cultura do “no pain, no gain” ainda faz muita gente confundir exaustão com comprometimento.
É preciso ter consciência de que treinar sempre no limite não é sinal de força mental; muitas vezes é falta de estratégia.
Ter disciplina de verdade também é saber reduzir carga, ajustar volume e, às vezes, descansar.
O corpo não evolui durante o treino, mas na recuperação.
Por isso, treinar cansado pode funcionar quando faz parte do plano.
Insistir cansado, todos os dias, cobra um preço.
No fim, o melhor indicador não é quanto você sofre no treino, mas o quanto você consegue sustentar ao longo do tempo.
Porque a performance não se constrói em ‘um dia épico’, ela se constrói na constância inteligente.
Na dúvida, procure a ajuda de um profissional.
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