Comemorado no dia 13 de março, o “World Sleep Day” foi criado pela Sociedade Mundial do Sono (World Sleep Society – WSS), com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre o impacto do sono na saúde global.
Neste ano, a campanha tem o tema “Durma Bem, Viva Melhor”, que destaca a relação entre o sono e a qualidade de vida.
E a literatura científica é muito clara quanto a isso, sobretudo no contexto esportivo: dormir bem é determinante para o desempenho, a recuperação muscular e o equilíbrio neuroendócrino.
Durante o sono de ondas lentas, ou sono profundo (estágio N3), ocorre a maior liberação do hormônio do crescimento (GH), essencial para a síntese proteica, o reparo tecidual e a adaptação ao treinamento.
Pesquisas publicadas no “Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism” demonstram que a restrição de sono reduz significativamente a secreção de GH e compromete processos anabólicos.
Além disso, de acordo com o American College of Sports Medicine (ACSM), a privação de sono está associada à redução de força máxima, potência anaeróbica, tempo de reação e precisão motora.
Estudos conduzidos com atletas universitários também apontam um aumento na incidência de lesões quando o tempo de sono é inferior a sete horas por noite.
Além do desempenho físico
O neurocientista britânico Matthew Walker, autor de pesquisas amplamente citadas na área do sono, destaca que a consolidação da memória motora ocorre predominantemente durante o sono REM (Rapid Eye Movement, ou Movimento Rápido dos Olhos), fase caracterizada por intensa atividade cerebral, sonhos vívidos e movimentos oculares rápidos.
Essa etapa é fundamental para a aprendizagem de habilidades técnicas e para o refinamento de padrões de movimento.
Além do desempenho físico, a restrição crônica de sono impacta o equilíbrio hormonal, elevando níveis de cortisol e grelina, ao mesmo em tempo em que reduz a leptina, combinação que pode influenciar a composição corporal, o apetite e a recuperação metabólica.
Dados da National Sleep Foundation indicam que adultos fisicamente ativos devem ter um noite de sono entre sete e nove horas, para otimizar funções cognitivas e fisiológicas.
No cenário esportivo contemporâneo, o monitoramento por equipamentos como actígrafos e wearables permite acompanhar a duração, a eficiência e a latência do sono, integrando esses dados ao controle de carga de treino.
Ainda assim, a base permanece comportamental: regularidade de horários, higiene do sono e ambiente adequado.
O “Dia Mundial do Sono” reforça, portanto, um princípio respaldado pela ciência: a adaptação ao treinamento não ocorre apenas durante o esforço, mas principalmente durante o descanso.
Referências:
- Fullagar, H. H. K., Skorski, S., Duffield, R., et al. (2015). “Sleep and athletic performance: The effects of sleep loss on exercise performance, and physiological and cognitive responses to exercise”. In: Sports Medicine, 45(2), p. 161–186.
- Walker, M. P., & Stickgold, R. (2004). “Sleep-dependent learning and memory consolidation”. In: Neuron, 44(1), p. 121–133.
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