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Última modificação fevereiro 19, 2026

Depois da folia, transforme excessos em estratégia

Adotar medidas compensatórias extremas não vale a pena e pode gerar estresse fisiológico e psicológico

coluna Andreza Goncalves - fitness Não é preciso exagerar nos exercícios depois do Carnaval. | Foto: Freepik

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    O fim do Carnaval costuma trazer um contraste brusco: os dias de festa, com mudanças na rotina, menos sono, maior consumo de álcool e alimentação fora do padrão dão lugar à volta ao trabalho, aos compromissos e, para muitos, à tentativa imediata de ‘corrigir os danos’.

    As academias ficam mais cheias, e promessas radicais e treinos intensificados fazem parte do cenário.

    Mas será que o pós-folia precisa, de fato, ser encarado com um tom de punição?

    O impacto de alguns dias de excessos costuma ser menor do que a percepção coletiva sugere.

    Ganhos significativos de gordura corporal exigem superávit calórico consistente ao longo de semanas.

    Da mesma forma, a perda relevante de condicionamento físico não acontece após poucos dias de pausa.

    O que se observa, em geral, é retenção de líquidos, sono desregulado e uma leve e temporária queda de rendimento.

    O problema não está necessariamente na celebração, mas na resposta exagerada que pode vir depois.

    A armadilha da compensação

    É comum o retorno às atividades ser marcado por estratégias extremas: dietas muito restritivas, aumento abrupto no volume de treino ou sessões longas de cardio, como forma de compensar a ‘liberdade’ dos dias de Carnaval.

    Embora bem-intencionadas, essas medidas tendem a gerar mais estresse fisiológico e psicológico do que resultado sustentável.

    Privação alimentar severa pode afetar energia e concentração.

    Treinos excessivos após um período de sono irregular elevam risco de lesão e reduzem qualidade de execução.

    O ciclo que se instala é conhecido: excesso, punição, exaustão e, muitas vezes, nova desistência.

    Retorno consciente

    Reorganizar é diferente de punir.

    Transformar excessos em estratégia passa por reconhecer que o corpo responde melhor à constância do que a picos de intensidade emocional.

    O retorno consciente envolve três pilares simples, mas eficazes:

    • Regular o sono antes de intensificar o treino;
    • Retomar hábitos de alimentação equilibrada: sem extremos compensatórios;
    • Reintroduzir carga e volume de forma progressiva, respeitando a percepção de esforço.

    Essa reorganização tende a restaurar o rendimento em poucos dias, já que a maioria dos efeitos pós-festa é transitória.

    Celebrar faz parte da vida social e cultural. Ignorar isso não torna ninguém mais disciplinado: apenas aumenta a probabilidade de conflitos internos.

    Por outro lado, usar o período festivo como justificativa para abandonar completamente hábitos saudáveis também compromete resultados.

    Entre permissividade total e rigidez absoluta existe um espaço mais funcional: o da disciplina flexível.

    É nele que excessos pontuais não anulam consistência, e a retomada não se transforma em castigo.

    No fim das contas, o que determina os resultados não são quatro ou cinco dias atípicos, mas a média das escolhas ao longo do ano.

    O pós-folia, portanto, pode deixar de ser um tribunal de culpa e se tornar um ponto de reorganização estratégica mais racional, menos impulsivo e, sobretudo, mais sustentável.

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    Andreza Gonçalves

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    Personal trainer (Cref 172593-G), bacharel em Educação Física e pós-graduada em Treinamento Desportivo. Instagram: @an.drezagn_personal