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Última modificação abril 28, 2026

Vai um Bauru? O lanche que virou símbolo paulistano

Criado no centro paulistano, clássico segue vivo em balcões, bares e lanchonetes da capital

ana paula
Vai um Bauru? O lanche que virou símbolo paulistano Sanduíche bauru é patrimônio cultural do estado de São Paulo | Foto: divulgação/Ponto Chic

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    No mapa afetivo de São Paulo, poucos lanches ocupam lugar tão especial quanto o Bauru. Presença constante em balcões, padarias e bares tradicionais, ele atravessa gerações sem perder o encanto.

    A combinação de pão crocante, queijo derretido, rosbife e tomate parece simples, mas carrega a essência paulistana: prática, saborosa e sem excessos.

    Em tempos de hambúrgueres monumentais e modismos gastronômicos, ele segue firme, elegante e irresistível.

    Origem

    A história oficial remonta a 1937, quando o radialista Casimiro Pinto Neto, frequentador assíduo do tradicional Ponto Chic, pediu ao chapeiro que montasse algo diferente.

    Casimiro era conhecido entre os amigos como “Bauru”, referência à cidade onde nascera. Na época, ele cursava a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no Largo de São Francisco.

    O lanche agradou tanto que logo outros clientes passaram a pedir “um desses do Bauru”. O nome pegou — e nunca mais saiu do cardápio paulistano.

    Vai um Bauru? O lanche que virou símbolo paulistano

    Famoso sanduíche bauru foi criado no restaurante Ponto Chic, que fica na região central de SP | Foto: divulgação

    Patrimônio

    Lei 16.914/2018, publicada no Diário Oficial do Estado no dia 29/12/2018, declara o sanduíche como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado de São Paulo.

    O original, defendido até hoje pelo Ponto Chic, leva quatro tipos de queijo, rosbife, tomate e pepino em conserva.

    Mas, como toda receita popular, ganhou releituras. Em padarias, bares e lanchonetes, virou território livre: aparece com presunto, mussarela, molho especial e até versões turbinadas para matar a fome da madrugada.

    A seguir, um roteiro com dez endereços da capital onde o Bauru segue sendo estrela — ora clássico, ora reinventado, sempre paulistano.

    Vai um Bauru? O lanche que virou símbolo paulistano

    Bauru: um ícone entre os sabores de São Paulo | Foto: reprodução/instagram

    Ponto Chic

    É impossível começar por outro endereço. Fundado em 1922, o bar do centro carrega o peso da história sem perder a leveza de um salão sempre animado.

    O Bauru servido aqui respeita a tradição: pão francês, rosbife delicado, mistura de queijos derretidos, tomate e pepino em conserva. A mordida revela equilíbrio raro entre untuosidade e frescor.

    O ambiente, entre turistas e habitués, faz do pedido quase um ritual gastronômico paulistano. Vale ir sem pressa e observar o vai e vem do centro. Um clássico que segue atual.

    Onde: Largo Do Paissandu, 27, Santa Efigênia (+ 2 unidades em Perdizes e Paraíso)
    Horário: segunda a sexta, das 12h às 20h | sábado, das 12h às 18h
    Instagram: @pontochicsp

    Bar e Lanches Estadão

    Famoso pelo sanduíche de pernil, o endereço também mantém bons lanches clássicos no cardápio.

    O Bauru aparece generoso, servido no estilo lanchonete tradicional, com queijo abundante e pão tostado na medida. A dica é provar junto com a pimenta da casa.

    Comer no Bar Estadão é experimentar a cidade em movimento. Uma pedida certeira depois do expediente.

    Vai um Bauru? O lanche que virou símbolo paulistano

    Bauru servido no Bar e Lanches Estadão | Foto: reprodução/instagram

    Onde: Viaduto Nove de Julho, 193 – Centro
    Horário: Aberto 24 horas
    Instagram: @barelanchesestadao

    Frevo

    Entre vitrines e movimento elegante dos Jardins, o Frevo segue como endereço clássico de sanduíches.

    Para provar um dos bons baurus feitos com presunto, você pode ir ao Frevo. Na casa, que está aberta desde 1956, o carro-chefe é o beirute, que é servido em diversas variações, mas o bauru, feito com um pão de forma crocante e recheado com presunto, tomate e orégano, também é um hit do cardápio.

    Onde: Rua Oscar Freire, 588 – Jardim Paulista
    Horário: aberto todos os dias, das 10h30 à 1h
    Instagram: @frevolanches

    Hocca Bar

    Dentro do Mercadão, o Hocca é sinônimo de exagero gastronômico. Ainda que o sanduíche de mortadela reine absoluto, o Bauru encontra espaço entre os clássicos.

    A versão costuma ser robusta, com bastante recheio e serviço acelerado. O ambiente ruidoso, turístico e vibrante transforma a experiência em espetáculo paulistano. Ideal para quem quer provar o lanche em clima de mercado tradicional. Vá com fome e disposição.

    Onde: R. da Cantareira, 306 (Mercado Municipal de São Paulo) Mezanino Box 05, Loja 2
    Horário: segunda a sábado, das 8h às 18h | domingo, das 8h às 16h30

    De Primeira Botequim

    Na movimentada Vila Madalena, o De Primeira combina clima boêmio e cozinha de botequim bem executada.

    O Bauru da casa surge com personalidade própria: pão francês crocante, rosbife preparado no local, mussarela derretida, tomate fresco, aioli e picles. A receita respeita a tradição, mas ganha toque contemporâneo no molho e no equilíbrio de sabores.

    Vai um Bauru? O lanche que virou símbolo paulistano

    Versão com aioli e picles do De Primeira Botequim | Foto: reprodução/instagram

    O resultado é suculento, marcante e fácil de repetir. Vai bem no almoço descontraído, no happy hour ou como reforço entre brindes. Endereço que entende de comida de bar feita com capricho.

    Onde: R. Aspicuelta, 271 - Vila Madalena
    Horário de funcionamento: segunda, quarta e quinta, das 12h às 23h | sexta e sábado, das 12h à 0h | domingo, das 12h às 19h
    Instagram: @deprimeira.botequim

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    Ana Pimenta

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    Jornalista especializada em Gastronomia.