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Última modificação março 31, 2026

Mostra discute a precarização do trabalho

Mostra de filmes analisa a transição da linha de montagem à era do "trabalhador empreendedor"

"Nomadland". Still: Divulgação.

Informações

  • Data de inicio e término

    01/04/2026 até 05/04/2026

  • Dias da semana e horários

    A cinemateca fica aberta diariamente das 8h às 19h

  • Endereço

    Largo Sen. Raul Cardoso, 207 - Vila Clementino

    Ver no mapa
  • Valores

    Entrada gratuita

Mais detalhes

A Cinemateca Brasileira apresenta a mostra “Trabalho em Transe”, com curadoria de Roberto Gervitz. Seu catálogo propõe um exame crítico das mudanças profundas ocorridas na sociedade, investigando a crise do trabalho a partir da transição estética e existencial entre a linha de montagem clássica e a automação contemporânea. 

A curadoria propõe um olhar sobre como a antiga alienação industrial deu lugar a um cenário inóspito de fábricas robotizadas, onde o “trabalho vivo” se torna invisível, até as formas atuais de trabalho, que expõem um cenário de fragmentação no qual a tecnologia, em vez de libertar o trabalhador, aprofundou sua desumanização.

“A seleção de filmes de ficção e documentários desta mostra oferece a oportunidade de refletir sobre estas transformações que mudaram a nossa civilização em um curto espaço de tempo”, o curador explica. “Através do trabalho de realizadores de diferentes localidades do mundo, veteranos e novatos, e suas diferentes propostas de abordagem fílmica, poderemos nos deter em processos que a também nova vivência da passagem do tempo fragmenta.”

 Ao traçar a genealogia dessa precarização, a mostra destaca o desmantelamento das conquistas históricas das lutas sindicais e dos movimentos organizados, que outrora garantiram direitos e solidariedade no chão de fábrica. Com a ascensão do trabalhador transformado em “empreendedor de si mesmo” no Sul Global, observa-se uma atomização social que dificulta a resistência coletiva diante de jornadas intermitentes e da supressão de direitos.

 As sessões da mostra têm entrada é gratuita e os ingressos são distribuídos uma hora antes de cada uma na bilheteria da Cinemateca.

Para além das telas, a mostra traz palestras de Paulo Arantes, Ruy Braga, Ricardo Antunes e Carlos Augusto Calil. A presença desses intelectuais e pensadores transforma as sessões em espaços onde as questões do trabalho — centrais nas obras exibidas — ganham novas camadas de análise. Ao promover esse encontro entre a produção cinematográfica e o pensamento crítico contemporâneo, a mostra reafirma o cinema como uma ferramenta essencial para compreender as tensões e os movimentos da classe trabalhadora na atualidade.

Todas as palestras terão interpretação em Libras e serão transmitidas no YouTube da Cinemateca Brasileira.

 

Veja abaixo as sessões seguidas de palestras:

01 de abril, quarta-feira, às 18h

  • “Não Espere Muito do Fim do Mundo” | Sessão seguida de palestra com Paulo Arantes.

02 de abril, quinta-feira, às 20h

  • SESSÃO DUPLA | “Libertários” E “Chapeleiros” | Seguida de palestra com Carlos Augusto Calil

03 de abril, sexta-feira, às 19h

  • “Nomadland” | Sessão seguida de palestra com Ruy Braga

04 de abril, sábado, às 19h

  • Você não estava aqui | Sessão seguida de palestra com Ricardo Antunes
  • Gratuito
  • Maiores de 10 anos

Dados de contato