Ópera traz uma inversão cômica do mito de Orfeu
"Orfeu no Inferno", de Jacques Offenbach, abre a temporada de ópera do Theatro São Pedro
Informações
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Data de inicio e término
15/04/2026 até 26/04/2026
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Dias da semana e horários
Quartas e sextas-feiras, às 20h | Domingos, às 17h
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Valores
De R$ 41 (meia entrada) até R$ 124 (inteira)
Mais detalhes
Um dos mitos da Grécia Antiga mais conhecidos será apresentado no Theatro São Pedro. A ópera “Orfeu no Inferno”, de Jacques Offenbach (1819-1880), terá récitas no Theatro sob a direção cênica de Cibele Forjaz e direção musical de André Dos Santos, à frente da Orquestra do Theatro São Pedro.
Diferentemente da versão trágica da lenda, em que Orfeu fica inconsolável quando sua esposa Eurídice morre e tenta resgatá-la no reino de Hades, Offenbach propõe uma releitura em sua obra que ajudou a consolidar um gênero, a opereta.
Semelhante à uma ópera ligeira, a opereta é uma produção músico-dramática caracterizada por mesclar elementos românticos e cômicos, com uma estrutura que intercala canções, música orquestral, cenas de dança elaboradas e diálogos falados. Na França do século 19, tais produções eram altamente satíricas e tinham no compositor alemão seu principal autor.
Com libreto de Hector Crémieux e a colaboração de Ludovic Halévy, “Orfeu no Inferno” foi o primeiro grande sucesso de Offenbach e o que garantiu a sobrevivência do Théâtre des Bouffes-Parisiens, fundado por ele em Paris em 1855. No espaço, o compositor apresentou uma série das suas próprias pequenas peças, muitas das quais se tornariam extremamente populares.
Em 1858, após a flexibilização de restrições da prefeitura de Paris sobre números de elenco para produções como as de Offenbach, que podiam ter no máximo três cantores, por exemplo, em face da rápida popularização da opereta que ameaçava a venda de ingressos dos teatros convencionais, o compositor ficou livre para levar adiante uma obra que estava em sua mente há algum tempo: uma sátira ferina de uma ópera ainda popular em sua época, “Orfeu e Eurídice”, de Gluck. A escolha não foi à toa: enquanto Offenbach elaborava “Orfeu no Inferno”, a ópera de Gluck estava sendo preparada para ser posta em cena no Théâtre Lyrique, um dos mais importantes de Paris, por Héctor Berlioz, crítico ferrenho das obras do colega de origem alemã.
Nesta versão, Orfeu não é o filho de Apolo, mas um professor de violino. Assim como na história original, Eurídice é fatalmente mordida por uma serpente, mas, ao invés de morrer tragicamente, ela se muda para o submundo para ficar com Plutão. Orfeu, que fica feliz por se livrar da esposa, tem de ser intimado pela Opinião Pública para tentar resgatar Eurídice – e ambos ficam satisfeitos quando o resgate é malsucedido.
Talvez Jacques Offenbach não tivesse outro intuito além de uma inversão cômica, porém, diferente do mito original e das óperas anteriores, em que Orfeu é o foco do enredo, em “Orfeu no Inferno” Eurídice também conduz a ação. Ao invés de passiva e frágil, ela é uma heroína que deseja liberdade e fantasia.
Musicalmente, além de citar de forma satírica a ópera de Gluck, Orfeu no Inferno combina minuetos cortesãos com ritmos, danças e canções populares. A música, no entanto, não se esgota na sátira, mas é também sedutora e cheia de poesia. Ao final, Offenbach inseriu uma dança que desde pelo menos 1840 fazia grande sucesso na França: o cancã. Seu “Galop infernal” é dançado durante uma celebração no submundo.
Os ingressos estão disponíveis na plataforma INTI.
Dados de contato
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Telefone
(11) 3661-6600
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