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Última modificação julho 03, 2026

Espetáculo reflete sobre luto e memória

"Nó", de Gildon Oliveira, estreia com Heloisa Jorge e Fábio Osório Monteiro sob direção de Beatriz Barros

Heloisa Jorge e Fabio Osório em "Nó". Foto: Mayhara Ribeiro

Informações

  • Data de inicio e término

    07/07/2026 até 29/07/2026

  • Dias da semana e horários

    Terças e quartas, às 20h

  • Endereço

    R. Doutor Gabriel dos Santos, 88 - Santa Cecília

    Ver no mapa
  • Valores

    R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia-entrada) | R$ 50 (democrático)

Mais detalhes

Como seguir vivendo quando a ausência ocupa todos os espaços da casa? Esta é a pergunta que atravessa “Nó”, novo espetáculo escrito por Gildon Oliveira e dirigido por Beatriz Barros, que estreia no espaço ºAndar. A montagem acompanha a história de um casal que tenta sobreviver à dor provocada pela morte violenta do filho de treze anos.

Célia (interpretada por Heloisa Jorge) e Sebastião (Fábio Osório Monteiro) vivem confinados em uma cozinha simples e organizada, ambiente que concentra as memórias da família e onde a ausência do filho Emanuel se torna uma presença constante. Entre lembranças afetuosas da infância do menino e os silêncios que atravessam o cotidiano, o espetáculo investiga as diferentes maneiras de lidar com o luto e os impactos da violência sobre os vínculos familiares.

O texto nasceu do desejo de abordar temas como racismo e violência sem recorrer a explicações diretas. “Queria tocar no assunto do racismo, mas não diretamente sobre ele. A gente sabe que uma criança morreu, mas não se sabe como ela morreu. O que eu queria muito abordar é o processo de luto, mas sob uma perspectiva que a gente não está acostumado: não discutindo o que aconteceu, mas como essas pessoas vão conseguir sobreviver a isso”, afirma o dramaturgo Gildon Oliveira.

Enquanto Célia transforma sua dor em ação pública, retornando diariamente ao local onde o filho foi assassinado para manter viva sua memória e reivindicar justiça, Sebastião se recolhe ao silêncio, à insônia e ao desejo de vingança. A tensão entre essas duas formas de enfrentamento revela as fissuras provocadas pela perda, mas também aponta para a possibilidade de reconstrução de laços afetivos e políticos.

A encenação investiga o tempo suspenso da perda, observando como os gestos cotidianos se transformam diante da ausência. Entre cafés compartilhados, cadeiras vazias e memórias insistentes, a casa deixa de ser apenas um espaço marcado pela falta para tornar-se território de resistência e reinvenção.

“O espetáculo é um encontro entre diferentes formas de elaboração do luto. As perspectivas de Célia e Sebastião dialogam, debatem, convergem, divergem, se abraçam e se chocam ao longo do tempo. Também nos interessava investigar essa tensão constante entre o que é privado e o que é público. Estamos dentro de uma casa marcada pela ausência de um filho, mas também diante de uma questão que atravessa toda a sociedade brasileira”, afirma a diretora Beatriz Barros. 

Ao longo da narrativa, o espetáculo entrelaça momentos de profundo pesar com cenas de ternura, humor e cumplicidade. A dança, a memória e o reencontro entre o casal surgem como formas possíveis de permanência da vida.“Nó” propõe uma reflexão sobre memória, justiça e a urgência de resistir ao esquecimento.

Os ingressos estão disponíveis no Sympla.

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  • Maiores de 14 anos

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