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Última modificação julho 03, 2026

“Auto da Catingueira”, ópera de Elomar, chega ao Brasil

Após turnê pela Europa, ópera de cordel do compositor baiano será apresentada pelo Apollo Ensemble

"Auto da Catingueira". Foto: Divulgação

Informações

  • Data de inicio e término

    22/07/2026 até 23/07/2026

  • Dias da semana e horários

    Quarta e quinta, às 20h30

  • Endereço

    R. Nestor Pestana, 196 - Consolação

    Ver no mapa
  • Valores

    R$ 250 (setor I), R$ 150 (setor II) e R$ 75 (setor III)

Mais detalhes

Depois de uma temporada internacional bem-sucedida com apresentações em várias cidades da Holanda e em Londres, como parte da ‘Brazil UK season’, a versão imaginada pelo diretor André Heller-Lopes para o Apolo Ensemble da ópera “Auto da Catingueira” desembarca no Brasil para duas apresentações no Teatro Cultura Artístico.

Considerada uma das obras mais singulares do trovador Elomar, “Auto da Catingueira” foi composta no final da década de 1960 e ocupa um lugar central na produção do músico. Inspirada no universo dos cantadores, repentistas e da literatura de cordel, a obra transita entre a tradição popular nordestina e a linguagem operística, criando um diálogo raro entre o sertão brasileiro e a herança musical europeia.

Nesta montagem, ganha uma releitura inédita e original. Orquestrada pelo pianista e compositor Henrique Gomide para a formação barroca do célebre Apollo Ensemble, a obra ganha contornos inesperados, aproximando-se do universo da música de Monteverdi e Handel, sem perder sua essência sertaneja: permanece a poesia do sertão e os ritmos do imaginário nordestino. O resultado é uma ópera “neo-barroca”, num encontro surpreendente entre a cultura da caatinga e os timbres da música europeia: a primeira ópera armorial da história!

Estreado em 2025, o espetáculo tem direção cênica de André Heller-Lopes, que também criou a identidade visual de cenários e figurnos. um A convite do Apolo Ensemble e de seus seis músicos, o diretor, que é atualmente um dos principais nomes da ópera brasileira contemporânea, reuniu um elenco do primeiro time dos cantores Gabriella Pace, Giovanni Tristacci, Geilson Santos e Vinícius Atique. Nestas apresentações em SP, o Apollo Ensemble conta com a participação especial do violonista João Omar, filho de Elomar.

Definida pelo próprio Elomar como uma “ópera de cordel”, Auto da Catingueira é escrita em seu característico “dialeto sertânico”, recriação poética da fala do sertão marcada pela oralidade e pela força da tradição popular.

A trama acompanha Dassanta, jovem criadora de cabras cuja beleza desperta paixões, rivalidades e violência. A partir dessa história ambientada no interior nordestino, Elomar aborda temas universais como amor, desejo, honra e ciúme, aproximando-se das grandes tragédias da tradição ocidental.

O sertão surge como território mítico, onde convivem memórias medievais, religiosidade popular e a cultura dos cantadores. É justamente essa combinação que faz da obra um marco da música brasileira e uma criação capaz de dialogar com públicos de diferentes países e culturas.

 A origem da atual montagem começou de forma inesperada. Fascinado pela obra após ouvi-la pela primeira vez, Henrique Gomide dedicou cerca de um ano e meio à reconstrução da partitura a partir da gravação original de 1983 e à adaptação para o Apollo Ensemble.

O resultado estreou na Holanda em 2025, onde recebeu excelente acolhida do público e da crítica. Em seguida, a produção integrou a programação oficial da Temporada Cultural Brasil–Reino Unido, com apresentações em Londres, consolidando o projeto como uma das iniciativas mais originais de internacionalização da música brasileira recente.

Os ingressos estão disponíveis na plataforma INTI.

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