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Última modificação outubro 13, 2026

Versão de ‘Antígona’ aborda a relação de irmãs

Escrita por Lulu Raczka, nova versão da tragédia de Sófocles questiona o que constitui um ato de coragem

Foto de divulgação de "Antígona". Fernanda Gidali e Julia Gaspar estão deitadas no chão, olhando diretamente para a câmera Fernanda Gidali e Julia Gaspar em "Antígona". Foto: Cecília Gidali / Divulgação

Informações

  • Data de inicio e término

    14/10/2026 até 05/11/2026

  • Dias da semana e horários

    Quartas e Quintas, às 20h

  • Endereço

    Al. Nothmann, 1135 - Campos Elíseos

    Ver no mapa
  • Valores

    R$ 35 (meia-entrada) e R$ 70 (inteira)

Mais detalhes

A peça “Antígona” estreia em outubro no Espaço da Cia. da Revista. Trata-se de uma releitura contemporânea da tragédia grega escrita por Sófocles elaborada pela dramaturga britânica Lulu Raczka.

Nessa versão da obra, o foco da montagem é a intimidade das duas jovens irmãs. Antes que a tragédia se consolide, Antígona e Ismênia são mostradas como jovens comuns – entre jogos, desejos e tentativas de viver uma vida ordinária – enquanto o mundo ao redor se deteriora. À medida que a violência externa se aproxima, o espaço de experimentação se transforma. A guerra, a morte e o peso da herança familiar atravessam suas vidas, impondo escolhas irreversíveis.

Nesse contexto, a decisão de Antígona deixa de ser um símbolo distante e se revela como um gesto humano, atravessado por contradições, impulsos e urgência. A peça se desloca, então, do ato em si para suas consequências na vida das irmãs, abrindo espaço para o olhar da Ismênia e sua experiência de viver após a tragédia.

 Sob a direção de Daniela Stirbulov, a encenação investiga o momento anterior à tragédia, quando ainda existe dúvida e possibilidade de escolha. Interpretadas por Fernanda Gidali e Julia Gaspar, Antígona e Ismênia são apresentadas de formas distintas de lidar com o mesmo mundo: enquanto Antígona insiste e enfrenta as consequências de seus impulsos, Ismênia busca sobreviver pela adaptação.

O espetáculo questiona o que constitui um ato de coragem e até que ponto determinadas ações nascem de convicções coletivas ou de necessidades individuais. Sem oferecer respostas definitivas, a peça desloca o debate para a complexidade dessas motivações. Ao mostrar personagens constantemente atravessadas pelo olhar social e pela herança familiar, o espetáculo aproxima o mito clássico da atualidade, marcada por polarizações, julgamentos e exigências constantes de posicionamento.

O foco central da montagem está no jogo entre as duas atrizes e nas transições constantes entre diálogo, narração e ação. Elas constroem e transformam o espaço diante do público, alternando momentos de intimidade, confronto, humor e relato. A encenação aproxima o mito da experiência contemporânea sem situá-lo em um tempo específico. A guerra aparece como uma presença constante e influencia nos conflitos das personagens, transformando memórias em disputas políticas. Humor, fisicalidade e intimidade são elementos fundamentais no jogo em que as jovens vão sobrevivendo diante dos seus afetos, desejos e humanidade. Um contexto violento que impõe julgamentos e reorganiza relações.

Os ingressos estão disponíveis no Sympla.

  • Acessível para cadeirantes
  • $
  • Maiores de 14 anos

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