Voltar Musical
Última modificação outubro 13, 2026

Vitor Rocha apresenta novo musical

"Epifania" transforma criação, vazio e urgências do mundo contemporâneo em fábula musical

Foto de divulgação do espetáculo. Diego Rodda veste uma casaca vermelha e Luiza Porto um colete roxo-escuro. Diego Rodda e Luiza Porto em "Epifania". Foto: André Leão / Divulgação

Informações

  • Data de inicio e término

    28/10/2026 até 17/12/2026

  • Dias da semana e horários

    Quartas e quintas, às 20h

  • Endereço

    R. Conselheiro Nébias, 891 - Campos Elíseos

    Ver no mapa
  • Valores

    R$ 60 (meia-entrada) e R$ 120 (inteira)

Mais detalhes

O que acontece quando até aquilo que nasce do prazer, da curiosidade e da necessidade de criar passa a precisar de uma finalidade? É a partir dessa inquietação que nasce “Epifania – Uma Fábula Moderna”, novo musical original de Vitor Rocha, que estreia em 28 de outubro, no Teatro Estúdio, onde cumpre temporada às quartas e quintas até 17 de dezembro.

Com sete atores multi-instrumentistas em cena, o espetáculo mistura fantasia e questões profundamente contemporâneas como hiperconexão, FOMO, solidão, excesso de estímulos e a constante pressão por desempenho e validação para falar sobre criatividade. 

A história se passa num tempo fictício, mas que se confunde com hoje em dia, o tempo do moderno, do consumo e da informação, onde Filipa (interpretada por Luiza Porto), uma compositora se vê frente a frente com o destino que sempre desejou, mas a oportunidade que poderia mudar sua carreira também traz consigo uma espécie de bloqueio criativo que leva embora o seu dom para a música.

Sua jornada, ao lado de seu vizinho Valério (Diego Rodda), para recuperá-lo e colocar tudo nos eixos outra vez, inventa uma fábula épica que nos devolve ao tempo antes do tempo — quando tudo era apenas nada, um grande vazio — e ao encontro das criadoras de todos os conteúdos: as Primas (Anna Toledo, Marília Lopes e Aline Cunha). O grande vazio e o seu poder de se alastrar sempre encontram uma brecha, é assim desde antes de tudo e será enquanto houver o que há. Mas a essência nunca se engana e uma epifania pode ser a saída de todos os problemas, Filipa só precisa criar!

Sem demonizar a tecnologia ou transformar suas provocações em discurso moralista, o musical aproxima a fábula das inquietações de uma geração permanentemente conectada. Seus personagens convivem com notificações, distrações, comparação, pressa e a sensação de que alguma coisa mais importante pode estar acontecendo em outro lugar. Ao mesmo tempo, a obra chama atenção para uma contradição cada vez mais presente: sabe-se muito sobre aquilo que acontece do outro lado do mundo e, muitas vezes, quase nada sobre quem está logo ao lado.

Esse conflito também determina a própria forma de contar a história. Marco França e Laura Castro interpretam Verso e Fábula, dois narradores que discordam continuamente sobre como a trama deveria avançar. Enquanto um quer chegar diretamente ao que considera importante, o outro reivindica o tempo da fantasia, dos começos, das imagens e da construção de uma história. Em meio a esse embate, a dramaturgia brinca com as convenções do próprio teatro propondo uma valiosa reflexão sobre a forma e o conteúdo em tempos de tanta criação de conteúdo.

A música ocupa lugar central nessa construção. Os sete integrantes do elenco são multi-instrumentistas e transitam por diferentes instrumentos ao longo do espetáculo. O grupo reúne artistas que, para além da interpretação, também se dividem entre a composição, a escrita e outras frentes criativas, conduzindo uma trilha sonora original que inclui ainda passagens instrumentais e abre espaço para que o som, o silêncio e o tempo também conduzam a narrativa, sem a necessidade permanente da palavra.

“Epifania” marca também um novo momento autoral na trajetória de Vitor Rocha. Premiado por trabalhos no teatro musical e responsável por títulos que ganharam diferentes temporadas e montagens dentro e fora do país, o artista chega com a obra ao décimo espetáculo de sua autoria encenado e retorna a uma criação inteiramente própria depois de cerca de dois anos dedicados também à retomada de trabalhos anteriores e a projetos desenvolvidos para outros contextos. Trata-se, também, da primeira vez que o dramaturgo dirige um de seus trabalhos.

Entre fantasia e realidade, “Epifania” transforma o vazio em possibilidade. Em vez de oferecer respostas prontas sobre produtividade, tecnologia ou criação, o musical propõe um olhar para aquilo que pode desaparecer quando todas as experiências passam a ser medidas por resultado, velocidade ou utilidade. E para o que talvez ainda possa nascer quando existe espaço suficiente para que uma fagulha permaneça acesa.

Os ingressos estão disponíveis no Sympla.

  • Acessível para cadeirantes
  • $
  • $$
  • Livre para todas as idades

Dados de contato

Veja também outras opções

Ver todos