Clássico de Jean Cocteau ganha nova montagem
Sociedade Arminda apresenta "Uma Voz Humana" em uma mescla de teatro, filme e show

Informações
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Data de inicio e término
20/06/2026 até 20/07/2026
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Dias da semana e horários
Sexta-feira, sábado e segunda-feira, às 21h | Domingo, às 18h
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Valores
R$ 80 (inteira) e R$40 (meia-entrada)
Mais detalhes
Há momentos em que uma ligação telefônica parece durar uma vida inteira. Há palavras que chegam tarde demais, silêncios que dizem mais do que qualquer conversa e despedidas que, para acontecerem de fato, precisam ser atravessadas. É desse território delicado – entre a ausência e a possibilidade de recomeço – que nasce “Uma Voz Humana”, nova criação da Sociedade Arminda a partir do clássico de Jean Cocteau, que estreia no Teatroiquè.
Com direção de José Fernando Peixoto de Azevedo e interpretação de Larissa Nunes, o espetáculo constroi uma experiência que escapa às classificações. É teatro, cinema e show ao mesmo tempo. Uma peça-filme em que a música, a imagem e a presença ao vivo se entrelaçam para acompanhar uma mulher no instante em que ela decide abandonar a cena do abandono.
Quase um século depois de sua estreia na Comédie-Française, em Paris, o texto de Cocteau continua atual ao abordar uma condição que parece ter se intensificado na era digital: a estranha solidão que pode existir mesmo em meio à hiperconexão. Se, em 1930, o telefone representava uma revolução tecnológica, hoje ele revela que estar conectado já não garante proximidade, intimidade ou afeto.
Mas a montagem da Sociedade Arminda desloca o foco tradicional da obra. Em vez de enfatizar o melodrama da mulher abandonada, “Uma Voz Humana” acompanha o movimento de uma personagem que passa a enxergar, nas razões do outro, os limites que a aprisionavam. O fim de uma relação deixa de ser apenas uma perda para tornar-se também uma possibilidade de transformação.
Em cena, Larissa Nunes interpreta uma cantora que prepara o repertório de um show enquanto conversa com uma pianista amiga e atende às ligações do amante ausente. Entre uma canção e outra, entre aquilo que é dito e o que permanece invisível, ela reorganiza sua própria narrativa. Aos poucos, compreende que certas histórias só terminam quando deixamos de habitá-las.
A música ocupa papel central nessa travessia. Canções negras de diferentes épocas e estilos surgem como uma espécie de personagem paralela, comentando, ampliando e reinventando os estados emocionais da protagonista. Ao piano, Eloiza Paixão conduz essa conversa musical que transforma a memória afetiva em matéria cênica.
A encenação também dá continuidade à pesquisa de José Fernando Peixoto de Azevedo sobre as fronteiras entre teatro e cinema. Instalado em um espaço que já foi estúdio cinematográfico, o Teatroiquè torna-se parte fundamental da dramaturgia. Câmeras, projeções e uma grande tela revelam ao público os mecanismos de criação das imagens em tempo real. O filme nasce diante dos espectadores e, ao mesmo tempo, é atravessado pela força irrepetível da cena ao vivo.
Os ingressos estão disponíveis na plataforma INTI.
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