“El Brasil Destituído” debate colonização do país
Espetáculo questiona os violentos processos coloniais que constituíram o Brasil

Informações
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Data de inicio e término
28/05/2026 até 28/06/2026
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Dias da semana e horários
De quinta a domingo, às 20h | *apresentações extras nos dias 10 e 17/6, quarta, às 20h | **nos dias 13 e 19/6 não haverá apresentações
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Mais detalhes
O espetáculo “El Brasil Destituído” estreia temporada no Espaço Cênico Ademar Guerra, no Centro Cultural São Paulo, entre os dias 28 de maio e 28 de junho. A montagem propõe uma releitura crítica da mais antiga representação teatral documentada sobre o Brasil, escrita em 1625 pelo dramaturgo espanhol Félix Lope de Vega y Carpio.
Com direção de Fernanda Raquel e dramaturgia de Victor Nóvoa em colaboração com o elenco, a peça revisita o texto colonial que retratava a expulsão dos holandeses de Salvador pela armada luso-espanhola. A nova encenação questiona os mecanismos de representação construídos durante o período colonial e reflete sobre como essas narrativas ainda influenciam a forma como o Brasil é imaginado e retratado.
A obra original de Lope de Vega misturava personagens históricos, fictícios e alegóricos em uma trama marcada por disputas políticas, batalhas e exotização, funcionando como propaganda dos interesses da coroa espanhola. A montagem contemporânea, por sua vez, busca desmontar essa estrutura narrativa e evidenciar as violências históricas invisibilizadas ao longo dos séculos.
O espetáculo também propõe reflexões sobre pertencimento, território e colonialidade, levantando questões sobre quem detém o direito à terra e quais perspectivas foram apagadas das versões oficiais da história. A encenação utiliza uma teatralidade fabular para investigar lacunas documentais e problematizar os discursos históricos.
A proposta estética se afasta do realismo tradicional. O desenho de luz de Matheus Brant utiliza sombras e projeções como elementos dramatúrgicos, enquanto a cenografia de Renan Marcondes e o figurino de Ayomi Domenica dialogam com conceitos de kitsch e restauração, incorporando materiais reutilizados e revelando os bastidores da cena teatral.
A direção musical de Dagoberto Feliz reúne fragmentos de repertórios brasileiros, do folclore à música radiofônica, executados pelos próprios atores em cena. A trilha sonora reforça a ideia de brasilidade como um campo de disputa simbólica e cultural.
Ao confrontar documentos históricos e os próprios mecanismos do teatro, “El Brasil Destituído” se apresenta como uma investigação crítica sobre memória, colonialidade e identidade brasileira.
Os ingressos são gratuitos, com retirada nas bilheterias física e digital (https://ccsp.ticketmais.com.br/), um dia antes da programação, a partir das 14h
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