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Última modificação maio 22, 2026

“Os Gigantes da Montanha” ganha nova montagem

Dirigida por Kiko Marques, peça inacabada de Luigi Pirandello versa sobre a arte em um mundo em ruínas

"Os Gigantes da Montanha". Foto: Divulgação

Informações

  • Data de inicio e término

    05/06/2026 até 28/06/2026

  • Dias da semana e horários

    Sextas e sábados, às 20h | Domingos, às 18h

  • Endereço

    R. Alm. Marques de Leão, 378 - Bela Vista

    Ver no mapa
  • Valores

    R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada)

Mais detalhes

A poucos metros da efervescência da Avenida Paulista, o tempo parece dobrar-se sobre si mesmo. Uma casa antiga transmuta-se na Vila dos “Azarados”, um território à margem da metrópole, habitado por figuras que abdicaram do mundo pragmático para viver da substância dos sonhos.

É neste cenário de suspensão que estreia a nova montagem de “Os Gigantes da Montanha” no espaço Zona Franca. O último e inacabado texto de Luigi Pirandello ganha vida sob a direção de Kiko Marques, trazendo a urgência de uma companhia de teatro em ruínas que insiste em fazer florescer a poesia em um mundo que já não parece capaz de acolhê-la.

A trama de “Os Gigantes da Montanha” acompanha a chegada de uma trupe de teatro decadente à misteriosa Vila, habitada por seres deslocados da sociedade que vivem entre sonho e fantasia. Liderados pela Condessa Ilse, os artistas carregam a obsessão de encenar uma peça escrita por um poeta morto por um amor não correspondido. Após o fracasso diante do público, restam à companhia apenas os figurinos, a precariedade e a insistência em continuar criando.

Na vila, o grupo encontra Cotrone, figura enigmática que defende um mundo onde o sonho e o invisível possuem mais valor do que a lógica da realidade. Cotrone sugere que a trupe de artistas se estabeleça na vila com eles e que vivam ali a sua peça, como um prodígio que baste a si mesmo. Mas, diante da obstinação da Condessa em continuar encenando-a para o  público, ele propõe oferecê-la aos Gigantes da Montanha — figuras míticas que representam forças brutais e incompreensíveis diante da fragilidade da arte.

Após oito anos dedicados à escrita da peça, sua elaboração foi interrompida após a morte do autor, em 1936, às vésperas da Segunda Guerra Mundial – apenas os dois primeiros atos estavam concluídos. 

Nesta encenação, o fato de a obra ter sido interrompida pela morte de Pirandello não é visto como uma lacuna, mas como o motor da criação. O espetáculo assume a incompletude para tensionar os limites entre o impulso criador e as forças que tentam silenciá-lo. A direção de Kiko propõe um deslocamento da percepção, onde o público é convocado a completar a experiência.

  • Acessível para cadeirantes
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