“Meu Pai, Hamlet” estreia no Teatro Estúdio
Peça propõe desafio para músico erudito e sua filha, atriz, de inverterem a execução de seus ofícios

Informações
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Data de inicio e término
23/05/2026 até 14/06/2026
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Dias da semana e horários
Sábado e domingo, às 17h
13 de junho, sábado, às 16h -
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Valores
R$ 80 (inteira), R$ 40 (meia entrada)
Mais detalhes
Unindo elementos autobiográficos, música clássica e skate, a encenação de “Meu Pai, Hamlet” coloca no centro do palco um pai e sua filha para experimentarem o lugar um do outro através da arte. A peça entra em cartaz na sala multiuso do Teatro Estúdio.
Na dinâmica, o percussionista sinfônico Marco Monteiro — que também é skatista — encara os dilemas do clássico de Shakespeare, enquanto a atriz e dramaturga Julia Pedreira tenta dominar a complexidade rítmica de Stravinsky.
A ideia do trabalho surgiu no contexto pandêmico de 2021, quando o isolamento social forçou o pai e a filha a viverem novamente na mesma casa. Nesse cotidiano, passaram a trocar aprendizagens como um gesto de companhia e sobrevivência. Aos poucos, o encontro converteu-se em uma investigação cênica capitaneada por um núcleo artístico que reúne Julia Pedreira e Marco Monteiro aos diretores João Turchi e Miguel Ramos (também responsável pela dramaturgia) e à diretora de arte e figurinista Beatriz Barros.
O resultado é uma obra de linguagem ágil e autêntica que atravessa as fronteiras do teatro contemporâneo, costurando elementos do documentário, da performance e do happening. Mais do que interpretar personagens, pai e filha vivem a si mesmos no palco, apostando no real como operador de cena.
Sem uma estrutura engessada, o espetáculo abre espaço para o humor e o imprevisível: durante a encenação, o público é surpreendido por um homem com mais de sessenta anos que, vestido de fraque, transita entre a sonoridade impactante dos tímpanos sinfônicos, a declamação de trechos de “Hamlet” e as manobras de skate. Ao desbravar os desafios da atuação, o músico revela um carisma desconcertante e estabelece uma relação franca e bem-humorada com a plateia.
Enquanto isso, Julia mergulha na complexidade física e técnica da partitura de “A Sagração da Primavera”, obra imortal de Igor Stravinsky, atuando também como a âncora cênica que ampara os improvisos do pai e garante o ritmo da engrenagem espetáculo.
Em meio a uma sociedade pautada pela aceleração, que frequentemente invisibiliza pessoas mais velhas, a obra tensiona o tempo mecânico do relógio com o tempo sensível do afeto, evidenciando o valor do aprendizado sem hierarquias. É desse convívio real que a montagem extrai sua potência.
Os ingressos estão disponíveis no Sympla.

Cena de “Meu Pai, Hamlet”. Foto: Ligia Jardim
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