No mapa afetivo de São Paulo, poucos sanduíches ocupam lugar tão especial quanto o bauru. Presença constante em balcões de padarias e bares tradicionais, ele atravessa gerações sem perder seu encanto.
A combinação de pão crocante, queijo derretido, rosbife e tomate parece simples, mas carrega a essência paulistana: é prática, saborosa e sem excessos.
Em tempos de hambúrgueres monumentais e modismos gastronômicos, ele se mantém firme, elegante e irresistível.
Origem
A história oficial remonta a 1937, quando o radialista Casimiro Pinto Neto, frequentador assíduo do tradicional Ponto Chic, pediu ao chapeiro que montasse algo diferente.
Casimiro era conhecido entre os amigos como “Bauru”, referência à cidade onde nasceu (no interior de São Paulo, a 330 km da capital). Na época, ele estudava na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no Largo de São Francisco.
O pedido deu origem a um sanduíche que agradou de cara, e logo outros clientes passaram a pedir “um desses do Bauru”.
O nome pegou — e nunca mais saiu do cardápio paulistano.

O famoso bauru foi criado no restaurante Ponto Chic, na região central de SP | Foto: Divulgação
Patrimônio
A Lei 16.914/2018, publicada no Diário Oficial do Estado no dia 29/12/2018, declara o sanduíche como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado de São Paulo.
O original, servido e ‘defendido’ até hoje pelo Ponto Chic, leva quatro tipos de queijo, rosbife, tomate e pepino em conserva.
Mas, como toda receita popular, essa também ganhou releituras. Em padarias, bares e lanchonetes, virou território livre: aparece com presunto, muçarela, molho especial e até em versões turbinadas para matar a fome da madrugada.
A seguir, veja um roteiro com dez endereços da capital onde o bauru virou estrela — ora clássico, ora reinventado, mas sempre paulistano.

Bauru: um ícone entre os sabores de São Paulo | Foto: Reprodução/Instagram
Ponto Chic
É impossível começar por outro endereço. Fundado em 1922, o bar do Centro carrega o ‘peso’ da história sem perder a leveza de um salão sempre animado.
O bauru servido ali respeita a tradição: pão francês, rosbife delicado, mistura de queijos derretidos, tomate e pepino em conserva. Cada mordida revela um equilíbrio raro entre untuosidade e frescor.
O ambiente reúne turistas e habitués, o que faz do pedido quase um ritual gastronômico paulistano.
Vale ir sem pressa e observar o vai e vem de pessoas pela região central, saboreando esse clássico!
Onde: Largo Do Paissandu, 27, Santa Efigênia (+ 2 unidades em Perdizes e Paraíso) Horário: de segunda a sexta, das 12h às 20h | sábado, das 12h às 18h Instagram: @pontochicsp
Bar e Lanches Estadão
Famoso pelo sanduíche de pernil, o endereço também conta com outro bons ‘lanches’ no cardápio.
No prato, o bauru aparece generoso, servido no estilo típico de lanchonete tradicional, com queijo abundante e pão tostado na medida.
A dica é provar com gotinhas da pimenta da casa.
Comer o bauru do Estadão é experimentar a cidade em movimento. Uma dica certeira para uma refeição gostosa depois do expediente.

Bauru servido no Bar e Lanches Estadão | Foto: Reprodução/Instagram
Onde: Viaduto Nove de Julho, 193 – Centro Horário: Aberto 24 horas Instagram: @barelanchesestadao
Frevo
Entre as vitrines elegantes e o movimento dos moradores e visitantes dos Jardins, o Frevo é mais um endereço clássico para quem ama sanduíches.
É o lugar certo para provar um dos bons baurus feitos com presunto, mesmo a casa, que está aberta desde 1956, tendo o beirute como carro-chefe.
Ele é servido em diversas variações, mas o bauru, feito com um pão de forma crocante e recheado com presunto, tomate e orégano, também é um hit do cardápio.
Onde: Rua Oscar Freire, 588 – Jardim Paulista Horário: aberto todos os dias, das 10h30 à 1h Instagram: @frevolanches
Hocca Bar
Dentro do Mercadão, o Hocca é sinônimo de exagero gastronômico. Ainda que o sanduíche de mortadela reine absoluto, o bauru encontra espaço entre os clássicos.
A versão costuma ser robusta, com bastante recheio, oferecido em meio ao serviço acelerado.
O ambiente ruidoso, turístico e vibrante transforma a experiência em espetáculo paulistano.
É uma sugestão ideal de passeio para quem quer provar o sanduíche em clima de mercado tradicional. Mas, atenção: vá com fome e disposição!
Onde: Rua da Cantareira, 306, Mezanino Box 05, Loja 2, Centro (Mercado Municipal de São Paulo) Horário: de segunda a sábado, das 8h às 18h | domingo, das 8h às 16h30
De Primeira Botequim
Na movimentada Vila Madalena, o De Primeira combina clima boêmio e cozinha de botequim bem executada.
O bauru da casa tem personalidade própria: é feito com pão francês crocante, rosbife preparado no local, muçarela derretida, tomate fresco, aioli e picles.
A receita respeita a tradição, mas ganha toque contemporâneo no molho e no equilíbrio de sabores.

Versão com aioli e picles do De Primeira Botequim | Foto: Reprodução/Instagram
O resultado é suculento, marcante e fácil de repetir. Vai bem no almoço descontraído, no happy hour ou como ‘reforço’ entre brindes.
É um endereço que entende de comida de bar feita com capricho.
Onde: Rua Aspicuelta, 271 - Vila Madalena Horário de funcionamento: segunda, quarta e quinta, das 12h às 23h | sexta e sábado, das 12h à 0h | domingo, das 12h às 19h Instagram: @deprimeira.botequim
Gastronomia e história
O bauru é mais que um simples sanduíche. Ícone das lanchonetes paulistanas, ele carrega história, tradição e até polêmica sobre sua receita original. Conheça mais curiosidades:
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