Morto em 21 de março, aos 91 anos, Juca de Oliveira (1935 – 2026) foi um dos maiores nomes da atuação e dramaturgia brasileira.
Juca iniciou sua trajetória no teatro após concluir o curso da Escola de Artes Dramáticas (EAD). Neste momento, foi convidado por Flávio Rangel para integrar o Teatro Brasileiro de Comédia, onde participou de textos renomados e teve contato com diversos atores e atrizes que marcaram época.
Seu primeiro prêmio veio em 1961 por sua participação em “A Morte de um Caixeiro Viajante”, de Arthur Miller, na categoria de Melhor Ator Coadjuvante do Prêmio Saci. Já a sua estreia como ator na televisão ocorreu em 1964 na telenovela “Quando o Amor É Mais Forte”, da TV Tupi.
Sua estreia como dramaturgo foi com a comédia “Baixa Sociedade”, em 1979, após já ter consolidado sua carreira como ator. Desde então, outras comédias vieram na esteira. Em todas elas Juca desempenhava tanto a função de autor como a de ator, sempre reservando um papel bom para si mesmo.
Seu legado é lembrado não só pelos dons interpretativos vistos nos palcos e em telenovelas como “Nino, o Italianinho” (1969-1970) e “O Clone” (2001-2002), como também por meio de sucessivas remontagens de suas peças.
Para a sorte do público paulistano, três de suas obras estão em cartaz na cidade, sendo possível assistir a todas elas em um único final de semana e apaziguar a saudade de um artista cuja comunicabilidade com os espectadores era seu maior trunfo.

O ator Juca de Oliveira/ Foto: João Caldas
Conheça os espetáculos a seguir:
Baixa Sociedade (1979)
O primeiro texto de Juca de Oliveira estreou em 11 de abril de 1979 no Teatro Brigadeiro. Foi protagonizada pelo próprio Juca sob a direção de José Renato. Ao lado de Juca, o elenco era composto por: Elaine Cristina, Kito Junqueira e Maria Yuma.

O elenco da primeira montagem de “Baixa Sociedade”/ Digitalização: Enciclopédia Itaú Cultural
Agora, uma nova montagem protagonizada por Luiz Fernando Guimarães, sob a direção de Pedro Neschling, está em cartaz no Teatro Renaissance. O público acompanha Otávio (Luiz Fernando), um homem criativo e disposto a tudo para mudar de vida. Dividindo o apartamento com o filho Otavinho (Bruno Gissoni), ele transforma o cotidiano familiar em um laboratório de ideias mirabolantes para ascender socialmente. O enredo ganha novas camadas com a presença de Ritinha (Bruna Trindade), que sonha com o casamento, e Ana Maria (Isabella Santoni), ex-namorada que reaparece e bagunça as relações.
Teatro Renaissance Al. Santos, 2233 – Jardim Paulista @teatrorenaissance Sexta, às 19h30 | Sábado, às 19h | Domingo, às 17h | Até 26 de abril R$ 150 (inteira) e R$ 75 (meia entrada) Saiba mais

Cena de “Baixa Sociedade”. Foto: Divulgação
Caixa 2 (1997)
A trama desta peça aborda os escândalos e falcatruas que rondaram o país ao longo dos anos 1990, em especial, os crimes de colarinho branco. Dirigida por Fauzi Arap, a primeira montagem foi um sucesso. Estreou em 24 de outubro no Teatro Cultura Artística com Cassiano Ricardo, Cláudia Mello, Fúlvio Stefanini e Suzy Rêgo – além de, é claro, Juca de Oliveira, que recebeu o prêmio da Associação dos Produtores de Espetáculos Teatrais do Estado de São Paulo (APETESP) por sua atuação.
Uma nova temporada da comédia estreia no Teatro das Artes, sob a direção de Alexandre Heinecke. Na trama, um banqueiro aparentemente respeitável se vê envolvido em um escândalo de desvio de dinheiro não declarado — o famoso “caixa 2”. Entre tentativas de acobertamento, alianças improváveis e situações absurdas, a peça revela como a corrupção pode estar mais enraizada e naturalizada do que se imagina. O elenco traz nomes como Paulo Gorgulho, Cassio Scapin, Taumaturgo Ferreira, Sophia Abrahão, Flávia Garrafa e Gabriel Vivan.
Teatro das Artes – Shopping Eldorado Av. Rebouças, 3970 - Pinheiros @teatrodasartes Sexta e sábado, às 20h | Domingo, às 17h | Até 17 de maio De R$ 60 (meia entrada) até R$ 160 (inteira) Saiba mais

O elenco de “Caixa 2″/ Foto: Jofí Herrera
Qualquer Gato Vira-lata tem uma Vida Sexual mais Sadia que a Nossa! (1998)
Esta comédia, por sua vez, rendeu o prêmio APETESP de Melhor Autor a Juca de Oliveira. A primeira montagem foi dirigida por Bibi Ferreira, uma das atrizes mais icônicas do teatro brasileiro, e estreou no teatro batizado em homenagem à atriz. Enquanto os espetáculos anteriores versavam sobre a ambição de poder masculino, este espetáculo vai para o lado privado para abordar a sexualidade.
A montagem atual, também sob a direção de Alexandre Reinecke, segue em cartaz no Teatro das Artes até o fim de abril. O elenco é composto por Duda Reis, Paulo Vilhena e Vittor Fernando.
Na trama, Tati vê sua vida sentimental virar de cabeça para baixo quando é abandonada pelo namorado e acaba se envolvendo com Conrado, um professor que tenta explicar o amor por meio de teorias científicas inspiradas no comportamento animal. Entre aulas absurdas, reencontros inesperados e muita confusão, forma-se um triângulo amoroso cheio de humor e identificação. Uma comédia romântica leve, divertida e irresistível sobre as surpresas e a falta de lógica das relações modernas.
Teatro das Artes – Shopping Eldorado Av. Rebouças, 3970 - Pinheiros @teatrodasartes Sábados, às 18h | Domingos, às 19h Até 26 de abril De R$ 60 (meia entrada) até R$ 160 (inteira)

O elenco de “Qualquer Gato Vira-Lata”. Foto: Jofí Herrera
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