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Última modificação janeiro 12, 2026

“As Armas Milagrosas” reestreia no TUSP

Adaptação da obra de Luigi Pirandello e Aimé Césaire, peça debate racismo estrutural e visibilidade

As Armas Milagrosas: seis personagens à procura da existência Foto: Marcelle Cerutti

Informações

  • Data de inicio e término

    21/01/2026 até 08/02/2026

  • Dias da semana e horários

    De quarta à sábado, às 20h | Domingos e feriados, às 18h

  • Endereço

    Rua Maria Antônia, 294 - Vila Buarque

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Mais detalhes

O espetáculo “As Armas Milagrosas: Seis Personagens à Procura da Existência” retorna aos palcos a partir do dia 21 de janeiro, no TUSP – Teatro da Universidade de São Paulo (Maria Antônia). A montagem propõe uma reflexão contundente sobre o racismo estrutural e as formas de representação no Brasil contemporâneo, a partir de uma dramaturgia que articula o metateatro de Luigi Pirandello com a poética anticolonial de Aimé Césaire.

A encenação parte de um ensaio de uma comédia de Pirandello que é interrompido por funcionários negros do teatro, que passam a reivindicar o direito de narrar a própria história. A partir desse gesto, o palco se transforma em um campo simbólico de disputa entre visibilidade e apagamento, centro e margem, representação e existência. O espetáculo constrói uma metaficção que questiona quem tem o direito de ser visto, ouvido e reconhecido.

Idealizado e dirigido por Anderson Negreiro em parceria com a diretora colombiana Daniela Manrique, o projeto reúne autores de contextos históricos distintos, mas atravessados por uma questão comum: o direito à autoria e à existência. A ideia surgiu em 2021, quando Negreiro entrou em contato com a obra “E os Cães se Calavam”, de Césaire, presente na coletânea “As Armas Milagrosas”. Posteriormente, o diretor retomou o clássico “Seis Personagens à Procura de um Autor”, de Pirandello, propondo um diálogo crítico entre as duas obras.

Na nova dramaturgia, as seis personagens originais de Pirandello são substituídas por figuras da obra de Césaire — o Rebelde, a Mãe e o Coro — que aparecem como trabalhadores do teatro. Essas figuras deixam de ser apenas personagens ficcionais e passam a ser corpos racializados que reivindicam o direito de existir e de se expressar artisticamente.

A encenação tem como elemento central a luz, inspirada em reflexões da historiadora Lilia Schwarcz, autora de “Imagens da Branquitude – Presença e Ausência”. O desenho de luz, assinado por Matheus Brant, organiza o espaço cênico a partir de um cubo iluminado que delimita centro e margem. No interior desse espaço estão o Primeiro Ator e a Primeira Atriz, representações alegóricas da branquitude. Fora dele, permanecem os funcionários negros do teatro, que operam o espaço e tentam atravessar a fronteira luminosa.

Sem cenário fixo, a montagem utiliza apenas um carpete e poucos adereços, fazendo da iluminação o principal elemento visual e narrativo. A peça se estrutura como um ensaio interrompido, no qual vozes historicamente silenciadas impõem sua presença e reconfiguram a cena. O resultado é um espetáculo que expõe conflitos, desloca hierarquias e convida o público a refletir sobre os mecanismos de exclusão que organizam a sociedade e o próprio fazer teatral.

Os ingressos são gratuitos e devem ser retirados uma hora antes de cada sessão.

  • Acessível para cadeirantes
  • Gratuito
  • Maiores de 14 anos

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