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Última modificação maio 20, 2026

Grupo Pavilhão da Magnólia estreia nova peça

Com dramaturgia de Giordano Castro, "JARARACA[S]" resgata a história de cangaceiro do bando de Lampião

"JARARACA[S]" peça do Grupo Pavilhão da Magnólia. Foto: Allan Diniz

Informações

  • Data de inicio e término

    28/05/2026 até 31/05/2026

  • Dias da semana e horários

    De quinta-feira a sábado, às 20h | Domingo às 18h

  • Endereço

    Av. Paulista, 149 - Bela Vista

    Ver no mapa
  • Valores

    Entrada gratuita

Mais detalhes

O novo trabalho do Grupo Pavilhão Magnólia, com sede em Fortaleza (CE), representa mais um passo em sua trajetória de 21 anos de revelar histórias e personagens que compõem a construção social e cultural do país.

Com dramaturgia do multiartista pernambucano Giordano Castro e direção do cearense Murillo Ramos, a peça “JARARACA[S]” traz à cena os últimos dias de vida de Jararaca (interpretado por José Leite de Santana), um dos principais cangaceiros do bando de Lampião. A obra estreia e faz curta temporada no Itaú Cultural.

Em 1927, o bando de Lampião saiu de Pernambuco, atravessou a Paraíba e tentou invadir Mossoró (RN). Após a fracassada investida, conhecida como “Chuva de Bala”, o grupo foge em direção ao Ceará. No confronto, dois cangaceiros ficam para trás: entre eles, José Leite de Santana, o Jararaca. Baleado ao tentar salvar seu companheiro Colchete, ele é capturado e permaneceu preso por sete dias, torturado, até ser assassinado em 20 de junho de 1927. Na peça, os quatro atores em cena acompanham os sete dias finais do cangaceiro. 

Os jogos políticos, religiosos e econômicos que atravessam esse período estruturam o espetáculo, que lança um olhar crítico sobre as violências de Estado, ontem e hoje. Para o grupo, a narrativa que reduz o cangaceiro à figura de “bandido” revela-se insuficiente diante das complexas violências sociais que atravessavam o sertão no início do século 20: a seca, a fome e a desigualdade são imposições históricas. 

 A obra propõe uma reflexão sobre memória e apagamento, evidenciam, assim, processos que atingem, sistematicamente, corpos pretos, marginalizados e periféricos. Nessa jornada, o espetáculo busca, de forma metafórica, resgatar esse corpo e suas narrativas, criando espaços de fabulação crítica.

A desproporcionalidade com que essas violências atingem corpos negros e pobres revela um padrão estrutural que não se configura como exceção, mas como regra. “JARARACA[S]” propõe, assim, um olhar expandido sobre a criação contemporânea, implicando seus artistas nos temas abordados e abrindo caminhos para novas leituras, deslocamentos e redescobertas.

 

A obra também tensiona paralelos entre passado e presente, ao questionar as violências do Estado em seu projeto de Necropolítica. Que histórias se repetem? Quais vidas são marcadas previamente pela morte?

 Os ingressos estarão disponíveis na plataforma INTI. A partir das 12h do dia 26 de maio, terça-feira.

  • Acessível para cadeirantes
  • Gratuito
  • Maiores de 16 anos

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