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Última modificação julho 22, 2026

“Volúvel” traz memórias de mulheres caboclas

Novo espetáculo do Coletivo Corpo de Macumba parte da história da avó de artista para discutir apagamento

"Volúvel". Foto: Tai Zatolinni

Informações

  • Data de inicio e término

    24/07/2026 até 16/08/2026

  • Dias da semana e horários

    Sextas, às 21h | Sábados e domingos, às 18h30

  • Endereço

    R. Bom Pastor, 822 - Ipiranga

    Ver no mapa
  • Valores

    R$ 50 (inteira), R$ 25 (meia-entrada) e R$ 15 (credencial plena)

Mais detalhes

Uma neta senta para ler o diário deixado pela avó. Entre lembranças familiares, fotografias invisíveis e histórias nunca registradas pelos livros, ela descobre que sua própria trajetória faz parte de uma memória coletiva sistematicamente apagada.

É desse contexto que nasce “Volúvel”, espetáculo que estreia no Sesc Ipiranga, inaugurando a nova criação do Coletivo Corpo de Macumba. Com atuação de Jota Silva e direção de Venâncio Cruz, a montagem parte de uma experiência íntima para alcançar uma discussão que extrapola a esfera familiar: a ausência das mulheres caboclas do Norte e Nordeste brasileiro na narrativa oficial do país.

Em cena, a personagem revisita a memória da avó, Cabocla Conceição Maria, migrante maranhense na Serra Pelada, que percorreu diferentes territórios brasileiros, para reconstruir uma genealogia marcada por deslocamentos, trabalho, violência e permanência. 

Em vez de construir uma narrativa biográfica, “Volúvel “investiga aquilo que permaneceu fora dos arquivos. O diário da avó se torna documento afetivo e dispositivo dramatúrgico para perguntar quais histórias sobreviveram apesar do silêncio. 

Fundado em 2023, o Coletivo Corpo de Macumba desenvolve uma pesquisa continuada sobre contra-colonialidade nas artes da cena, reunindo artistas negros, indígenas, nortistas, nordestinos e periféricos em processos que articulam teatro, dança, performance e escrita. O grupo busca construir narrativas que confrontam perspectivas coloniais da história brasileira e propõem outros imaginários sobre identidade, território e pertencimento.

Essa pesquisa atravessa toda a construção de “Volúvel”. O espetáculo evita representar a memória como nostalgia e a transforma em gesto de continuidade. As lembranças evocadas em cena não aparecem para recuperar um passado perdido, mas para afirmar existências que resistiram aos processos históricos de apagamento.

 Ao transformar um ritual doméstico em acontecimento cênico, “Volúvel” reafirma o teatro como espaço de elaboração da memória e propõe uma pergunta que atravessa toda a encenação: o que acontece quando histórias consideradas pequenas deixam de ser contadas apenas dentro das famílias e passam a ocupar o centro da cena?

 Os ingressos estão disponíveis na Central de Relacionamento Digital ou em qualquer unidade do Sesc SP.

  • Acessível para cadeirantes
  • $
  • Maiores de 16 anos

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