“Pops e Rebeldes” traz arte que questionou a ditadura
Galeria nos Jardins recebe mostra com obras dos anos 60 e 70, que tratam de censura e repressão

Informações
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Data de inicio e término
28 mar até 05 maio
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Dias da semana e horários
Segunda a sexta, das 10h às 19h
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Mais detalhes
A Galeria Berenice Arvani inaugura a exposição “Pops e Rebeldes”, composta por obras de artistas como Nelson Leirner, Judith Lauand, Teresa Nazar, Glauco Rodrigues e Zélio Alves Pinto, entre outros.
Eles fazem parte da geração que criou a arte pop brasileira, com a Nova Figuração, movimento artístico brasileiro que surgiu nos anos 1960 e ganhou força com a mostra “Opinião 65”, no MAM Rio (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro), inaugurada em 1965.
“Vejo a Nova Figuração como um dos movimentos mais intensos da arte brasileira, uma resposta crítica ao abstracionismo, ao mesmo tempo que se manifestava sobre dilemas sociopolíticos da década de 60. Os artistas ‘Pop e Rebeldes’ da época marcaram uma identidade visual que influencia gerações até hoje”, conta Berenice Arvani.
A noite de abertura da mostra, que tem curadoria de Celso Fioravante, será realizada em 27 de março, das 19h às 22h. A exposição abre ao público no dia seguinte, 28 de março, e pode ser visitada até 5 de maio de 2025.
“Os artistas locais exibiram uma nova imagem do país, um Brasil com sangue nas veias, que grita, moldada a partir de questionamentos a fatos perversos, como a censura, a repressão e a violência impostas pela ditadura de 1964. Além disso, deglutiram movimentos artísticos como o construtivismo, a arte popular e o expressionismo”, afirma Fioravante.
Uma rebeldia pop que ainda é atual
A arte produzida por esses artistas, considerados pela galerista e pelo curador como pops e rebeldes, é disruptiva e terreno de resistência. Ela protesta e afirma em seu vocabulário de imagens que amor, prazer, política e arte são revolucionários e estarão sempre presentes. Conheça algumas características das obras e de seus autores:
Antonio Henrique Amaral: ficou conhecido por sua série “Bananas”, na qual utiliza a figuração para expressar críticas ácidas ao regime político e à repressão da época.
Décio Noviello: artista e designer gráfico, destacou-se pela fusão entre a arte e a comunicação visual, criando obras de forte impacto estético e social.
Glauco Rodrigues: levou para suas telas um olhar irônico e colorido sobre a identidade brasileira, ressignificando símbolos nacionais com um viés crítico.
Inácio Rodrigues: explorou a relação entre a figuração e o abstrato, expressando sua visão de mundo por meio de cores vibrantes e composições dinâmicas.
Irmgard Longman: com uma abordagem singular da arte pop brasileira, combina elementos geométricos e figurativos, para criar uma estética sofisticada e impactante.
Judith Lauand: transcendeu o concretismo ao incorporar novas experiências visuais, tornando-se uma das grandes expoentes da arte brasileira.
Maurício Nogueira Lima: é um dos grandes nomes da arte concreta, mas também transitou pela Nova Figuração, explorando a interação entre cor, forma e comunicação visual.
Nelson Leirner: conhecido por sua ironia e crítica contundente ao mercado de arte e à cultura de consumo, utiliza ready-mades, objetos do cotidiano transformados em obras de arte.
Rubens Gerchman: é um dos principais nomes da Nova Figuração, com obras em um diálogo direto com a sociedade, a política e a linguagem da propaganda.
Teresa Nazar: artista argentina radicada no Brasil, incorporou elementos surrealistas à sua produção, criando imagens oníricas e repletas de simbolismo.
Tomoshigue Kusuno: de origem japonesa, imprimiu sua influência oriental na arte pop brasileira, criando uma estética diferenciada e de forte impacto visual.
Victor Gerhardt: explorou temas urbanos e sociais em suas obras, com uma abordagem crítica e inovadora para a figuração brasileira.
Zélio Alves Pinto: transitou entre a arte plástica e o cartum, utilizando um traço ágil e expressivo para retratar a sociedade com humor e perspicácia.
A Nova Figuração Brasileira
Surgido nos anos 1960, o movimento Nova Figuração rompeu com a abstração predominante e trouxe de volta a imagem figurativa, mas, dessa vez, de forma reinventada, agressiva e crítica, principalmente à ditatura militar que comandou o país de 1964 a 1985.
Inspirados pela pop art, pelo expressionismo e pela cultura de massa, os artistas desse movimento criaram obras vibrantes e provocativas, utilizando colagem e abusando da apropriação de imagens e iconografia urbana, para abordar temas como consumo, censura, política e identidade nacional.
O movimento também é chamado de Pop Art Brasileira, porém, a conexão se limita apenas a influências de forma, estética e linguagem, já que a versão americana do movimento tem pouco posicionamento político-ideológico, concentrando suas críticas mais diretamente à sociedade de consumo.
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