Peça “Tebas Land” discute paternidade e afeto
Espetáculo mostra encontros entre um jovem parricida e um dramaturgo que quer contar a história do crime

Informações
-
Data de inicio e término
15 abr até 28 maio
-
Dias da semana e horários
Terças e quartas, às 20h
-
-
Valores
a partir de R$ 40,00
Mais detalhes
O espetáculo “Tebas Land”, escrito pelo dramaturgo uruguaio Sergio Blanco, mostra os encontros entre um roteirista e um jovem que está em um presídio de segurança máxima.
Ele foi condenado por assassinar o próprio pai com 21 golpes de garfo, história que despertou o interesse do escritor, que vai à prisão coletar os relatos do rapaz.
O cenário reproduz a quadra de basquete do presídio, local onde os dois, pessoas de mundos completamente distintos, conversam sobre o crime.
A partir desses encontros, o roteirista escreve um texto sobre o caso para o teatro. Começa, assim, uma ‘peça dentro da peça’, com Robson Torinni na pele do jovem assassino e do ator que o representa.
Com isso, a montagem propõe uma reflexão sobre a construção da dramaturgia, o universo teatral e os limites entre ficção e realidade, confirmando as características marcantes das obras de Blanco: o jogo entre metalinguagem e autoficção.
“O texto nos cativou pelos dois diferentes planos, razão e emoção, e pelo processo criativo imbuído neles, em que a dramaturgia é construída durante a ação da peça, oscilando, quase que paralelamente, entre a discussão do fato ocorrido e a construção do texto da peça que será baseada no crime”, conta Victor Garcia Peralta, diretor do espetáculo.
Como é praxe na dramaturgia do autor, a peça leva à reflexão sobre problemas sociais, sempre com sensibilidade e inteligência. Aborda a importância da paternidade, a falta de afeto na contemporaneidade, a solidão, as famílias disfuncionais e a falência dos sistemas prisionais.
“A peça aborda uma questão que muito nos toca: as ligações com os pais. Nem todos podemos ser pais, mas todos somos filhos e, portanto, todos temos a experiência da descendência. É também um trabalho sobre a dinâmica do que é a engenharia da construção de uma peça, como o texto pode ser escrito”, define Sergio Blanco.
“Tebas Land” também alerta sobre as consequências dos abusos (físicos, sexuais e psicológicos) sofridos na infância, que perduram durante a vida toda das vítimas.
No Brasil, um estudo revelou que, apenas no primeiro semestre de 2022, 84% das violações contra crianças de até 6 anos foram cometidas por familiares. Essas agressões têm impacto negativo a curto, médio e longo prazo na saúde física e mental das vítimas e em suas práticas parentais futuras.
A peça estreou em 2018 e fez sucesso junto ao público, com temporadas em diversos cantos no país. Teve de interromper sua turnê em 2020, com a chegada da pandemia de Covid-19.
Agora, “Tebas Land”, que também tem Otto Jr. no elenco, está de volta a São Paulo, no Teatro Vivo, a na zona Sul.
“Tivemos que parar o espetáculo, com plateias lotadas, no começo da pandemia. E é com muita alegria que voltamos com esse texto, que ganhou adaptações premiadas em uma série de países”, celebra Torinni, idealizador da peça ao lado de Peralta.
Além dos espectadores, a peça também agradou a crítica especializada e conquistou vários prêmios, entre eles o Botequim Cultural, de melhor espetáculo, direção e ator (Robson Torinni) e o Prêmio Shell RJ de melhor ator (Otto Jr.).
Também foi indicada ao Prêmio Cesgranrio, nas categorias de Melhor Direção e Melhor Ator (Robson Torinni), e participou do Festival de Avignon, na França, um dos eventos de teatro mais importantes do mundo.
O sucesso da peça, para Peralta, deve-se justamente às reflexões e diálogos sobre temas sociais e culturais relevantes, promovendo a conscientização e estimulando o pensamento crítico.
“Além disso, a história conecta duas pessoas de diferentes origens, criando um espaço de empatia com o público. Acho que o espetáculo reforça a importância da arte como veículo de transformação social, influenciando positivamente a percepção coletiva e a compreensão dos desafios atuais”, opina o diretor.
O espetáculo é inspirado no mito de Édipo, personagem criado por Sófocles, e na vida de São Martinho de Tours, santo europeu do século 4. Revisita textos que abordam o tema da paternidade, como “Os Irmãos Karamazov”, de Dostoievski; “Um Parricida”, de Maupassant; e “Dostoievski e o Parricídio”, de Freud.
A nova temporada é realizada com recursos da Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, e conta com o patrocínio da Vivo.
Dados de contato
-
Telefone
(11) 3279-1520
-
-