Peça “Tebas Land” discute paternidade e afeto

Espetáculo mostra encontros entre um jovem parricida e um dramaturgo que quer contar a história do crime

Tebas Land Robson Torinni e Otto Jr. | Foto: Rodrigo Lopes

Informações

  • Data de inicio e término

    15 abr até 28 maio

  • Dias da semana e horários

    Terças e quartas, às 20h

  • Endereço

    Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 - Vila Cordeiro

    Ver no mapa
  • Valores

    a partir de R$ 40,00

Mais detalhes

O espetáculo “Tebas Land”, escrito pelo dramaturgo uruguaio Sergio Blanco, mostra os encontros entre um roteirista e um jovem que está em um presídio de segurança máxima.

Ele foi condenado por assassinar o próprio pai com 21 golpes de garfo, história que despertou o interesse do escritor, que vai à prisão coletar os relatos do rapaz.

O cenário reproduz a quadra de basquete do presídio, local onde os dois, pessoas de mundos completamente distintos, conversam sobre o crime.

A partir desses encontros, o roteirista escreve um texto sobre o caso para o teatro. Começa, assim, uma ‘peça dentro da peça’, com Robson Torinni na pele do jovem assassino e do ator que o representa.

Com isso, a montagem propõe uma reflexão sobre a construção da dramaturgia, o universo teatral e os limites entre ficção e realidade, confirmando as características marcantes das obras de Blanco: o jogo entre metalinguagem e autoficção.

“O texto nos cativou pelos dois diferentes planos, razão e emoção, e pelo processo criativo imbuído neles, em que a dramaturgia é construída durante a ação da peça, oscilando, quase que paralelamente, entre a discussão do fato ocorrido e a construção do texto da peça que será baseada no crime”, conta Victor Garcia Peralta, diretor do espetáculo.

Como é praxe na dramaturgia do autor, a peça leva à reflexão sobre problemas sociais, sempre com sensibilidade e inteligência. Aborda a importância da paternidade, a falta de afeto na contemporaneidade, a solidão, as famílias disfuncionais e a falência dos sistemas prisionais.

“A peça aborda uma questão que muito nos toca: as ligações com os pais. Nem todos podemos ser pais, mas todos somos filhos e, portanto, todos temos a experiência da descendência. É também um trabalho sobre a dinâmica do que é a engenharia da construção de uma peça, como o texto pode ser escrito”, define Sergio Blanco.

“Tebas Land” também alerta sobre as consequências dos abusos (físicos, sexuais e psicológicos) sofridos na infância, que perduram durante a vida toda das vítimas.

No Brasil, um estudo revelou que, apenas no primeiro semestre de 2022, 84% das violações contra crianças de até 6 anos foram cometidas por familiares. Essas agressões têm impacto negativo a curto, médio e longo prazo na saúde física e mental das vítimas e em suas práticas parentais futuras.

A peça estreou em 2018 e fez sucesso junto ao público, com temporadas em diversos cantos no país. Teve de interromper sua turnê em 2020, com a chegada da pandemia de Covid-19.

Agora, “Tebas Land”, que também tem Otto Jr. no elenco, está de volta a São Paulo, no Teatro Vivo, a na zona Sul.

“Tivemos que parar o espetáculo, com plateias lotadas, no começo da pandemia. E é com muita alegria que voltamos com esse texto, que ganhou adaptações premiadas em uma série de países”, celebra Torinni, idealizador da peça ao lado de Peralta.

Além dos espectadores, a peça também agradou a crítica especializada e conquistou vários prêmios, entre eles o Botequim Cultural, de melhor espetáculo, direção e ator (Robson Torinni) e o Prêmio Shell RJ de melhor ator (Otto Jr.).

Também foi indicada ao Prêmio Cesgranrio, nas categorias de Melhor Direção e Melhor Ator (Robson Torinni), e participou do Festival de Avignon, na França, um dos eventos de teatro mais importantes do mundo.

O sucesso da peça, para Peralta, deve-se justamente às reflexões e diálogos sobre temas sociais e culturais relevantes, promovendo a conscientização e estimulando o pensamento crítico.

“Além disso, a história conecta duas pessoas de diferentes origens, criando um espaço de empatia com o público. Acho que o espetáculo reforça a importância da arte como veículo de transformação social, influenciando positivamente a percepção coletiva e a compreensão dos desafios atuais”, opina o diretor.

O espetáculo é inspirado no mito de Édipo, personagem criado por Sófocles, e na vida de São Martinho de Tours, santo europeu do século 4. Revisita textos que abordam o tema da paternidade, como “Os Irmãos Karamazov”, de Dostoievski; “Um Parricida”, de Maupassant; e “Dostoievski e o Parricídio”, de Freud.

A nova temporada é realizada com recursos da Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, e conta com o patrocínio da Vivo.

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