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Última modificação agosto 06, 2026

Peça de Dias Gomes ganha nova montagem

Montagem de "O Santo Inquérito" estabelece um diálogo entre a peça escrita em 1966 e o Brasil Colônia

"O Santo Inquérito", encenada por estudantes da Escola de Arte Dramática. Foto: Manoela Rabinovitch

Informações

  • Data de inicio e término

    12/08/2026 até 23/08/2026

  • Dias da semana e horários

    De quarta a domingo, às 20h

  • Endereço

    R. Maria Antônia, 294 - Vila Buarque

    Ver no mapa
  • Valores

    Entrada gratuita

Mais detalhes

Sessenta anos depois de sua criação, “O Santo Inquérito”, de Dias Gomes, estreia em nova montagem da Escola de Arte Dramática (EAD-ECA-USP), com direção de Abilio Tavares, no Centro MariAntonia da USP.

Escrita em 1966, a peça conta a história de Branca Dias, jovem descendente de cristãos-novos perseguida pela Inquisição na Paraíba de 1750. Ao tratar de um episódio do Brasil Colônia, Dias Gomes construía uma metáfora para o próprio momento histórico em que vivia, marcado pelos primeiros anos da ditadura militar. Em 2026, a nova montagem retoma a obra a partir de outra posição no tempo e lança uma pergunta que acompanha todo o processo de criação: por que montar “O Santo Inquérito” hoje? 

Entre as questões identificadas no processo estão a intolerância religiosa, de costumes e de modos de vida, além da resistência àquilo que é diferente. A questão da mulher também ganha centralidade. Branca Dias é perseguida por suas ideias e por sua disposição de questionar o poder estabelecido.

O diálogo com o presente aparece desde a entrada do público na sala. O elenco já está em cena, em um espaço marcado pelo rito da Inquisição, que Abilio define como um “rito de morte”. O chão é povoado por carvão e restos de carvão, como resíduos de fogueiras. 

Cenografia e figurinos de Marco Lima também recusam uma reconstrução histórica do Brasil de 1750. Há referências pontuais ao período na roupa de Branca Dias, enquanto os personagens masculinos vestem roupas contemporâneas. A escolha desloca a ação para o presente e amplia a questão da intolerância religiosa.

A montagem procura observar o que acontece quando uma obra muda de lugar no tempo. Para Abilio, “a intolerância com a alteridade” e a mudança de posição de quem olha são as duas grandes questões que a peça apresenta ao público em 2026. A resposta para a pergunta sobre por que remontá-la hoje permanece aberta: cabe também ao espectador encontrá-la.

A entrada é gratuita. Os ingressos são distribuídos uma hora antes da apresentação na bilheteria do teatro.

  • Acessível para cadeirantes
  • Gratuito
  • Maiores de 12 anos

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