Voltar Cinema
Última modificação março 12, 2026

CineSesc apresenta a primeira “Mostra Farol”

Mostra apresenta 31 filmes que revisitam trabalhos de grandes cineastas e apontam novas apostas

Mostra Farol. Imagem: Divulgação.

Informações

  • Data de inicio e término

    20/03/2026 até 02/04/2026

  • Dias da semana e horários

    Dias e horários variados | Consulte a programação

  • Endereço

    R. Augusta, 2075 - Cerqueira César

    Ver no mapa
  • Valores

    R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia entrada) e R$ 6 (credencial plena)

Mais detalhes

O CineSesc apresenta a primeira edição da “Mostra Farol — Um panorama do cinema entre a memória e o agora”. Inspirada na ideia do farol, que orienta embarcações em mar aberto e organiza o percurso, a mostra propõe uma travessia entre heranças e apostas.

O projeto articula dois eixos complementares. De um lado, obras de cineastas hoje consagrados, revisitadas como sementes de revoluções estéticas. De outro, uma seleção de filmes recentes, ainda inéditos comercialmente no Brasil, que circularam por grandes festivais e sugerem novas rotas para o cinema contemporâneo.

Serão exibidos 31 filmes, entre sessões presenciais e online, que atravessam distopias moldadas pelo capitalismo e incursões no horror corporal, revisitam conflitos territoriais históricos na África e no Oriente Médio e investigam memórias, culturas, identidades e subjetividades de gênero e sexualidade.

O eixo de Inéditos abre com sessão gratuita no dia 20 de março, com “Surda” (2025), de Eva Libertad, que acompanha uma gravidez sob o olhar da acessibilidade, utilizando o app Conecta. A programação segue com as distopias indicadas à Palma de Ouro “Alpha”, onde Julia Ducournau utiliza o body horror para evocar o pânico da epidemia de HIV nos anos 1980, e “O Senhor dos Mortos”, de David Cronenberg, que imagina o luto transformado em voyeurismo tecnológico. O recorte histórico e geopolítico ganha força com “A Sombra do Meu Pai”, de Akinola Davies Jr., sobre a Nigéria militarizada, e “Palestina 36”, de Annemarie Jacir, que revisita a insurgência contra o domínio colonial britânico.

Cena do filme “Surda”. Still: Divulgação.

A mostra também ilumina a experiência feminina e social brasileira com o documentário “Aqui Não Entra a Luz”, de Karol Maia, que investiga a arquitetura como herança escravocrata. Além da ficção “Dolores”, de Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar, sobre três gerações de mulheres em busca de sobrevivência afetiva e econômica.

As identidades em transformação marcam presença em “Queerpanorama”, de Jun Li, sobre a solidão gay em Hong Kong, e “O Riso e a Faca”, de Pedro Pinho, que cruza resquícios coloniais e fricção cultural na África Ocidental. Registros voltados à memória aparecem no ensaio sobre uma viagem que se transforma em experiência existencial, “Fuck the Polis”, de Rita Azevedo Gomes; e em “O Dia de Peter Hujar”, de Ira Sachs, que captura a efervescência da Nova York dos anos 1970 por meio de uma conversa entre o fotógrafo nova-iorquino e a escritora Linda Rosenkrantz.

Cena do filme “Queerpanorama”. Still: Divulgação.

No eixo Memória, Cronenberg retorna com seu longa de estreia, “Calafrios” (1975), explorando o medo causado por uma pandemia em um condomínio canadense. O longa é acompanhado pelo clássico “Robocop”, de Paul Verhoeven, que antecipou discussões sobre a privatização do Estado e a desumanização tecnológica.

O resgate histórico inclui exibições em 35mm dos suspenses “Gosto de Sangue”, estreia dos irmãos Coen marcada por reviravoltas na trajetória dos personagens, e “Os Matadores”, de Beto Brant, que disseca a ambiguidade de um assassino de aluguel.

A realidade urbana e a falta de perspectiva da juventude é evidenciada em “Slacker”, de Richard Linklater. No campo das tensões familiares e do isolamento doméstico como território de controle, a seleção traz o perturbador “Dente Canino”, de Yorgos Lanthimos; o registro seco de “A Maçã”, de Samira Makhmalbaf; e a melancolia de “As Virgens Suicidas”, primeiro longa de Sofia Coppola. O recorte encerra-se com as subjetividades femininas nas estreias de Claire Denis, em “Chocolate”, e Ava DuVernay, em “I Will Follow”.

Cena do filme “Dente Canino”. Still: Divulgação.

A plataforma Sesc Digital também recebe cinco obras inaugurais de grandes diretores e diretoras: “Eu, Tu, Ele, Ela” (1974), de Chantal Akerman; “Pepi, Luci, Bom e Outras Garotas de Montão” (1980), de Pedro Almodóvar; “Durval Discos” (2002), de Anna Muylaert; “Crítico” (2008), de Kléber Mendonça Filho; e “A Negação do Brasil” (2000) de Joel Zito Araújo. Os filmes ficam disponíveis via streaming gratuitamente, sem exigência de cadastro.

No intuito de estimular o pensamento crítico, o resgate da memória e a produção local, a Mostra Farol traz ainda uma programação formativa, com três aulas magnas de roteiro apresentadas por grandes nomes do cinema nacional: Laís Bodanzky, Marcelo Caetano e Gabriel Martins.

Adicionalmente, a programação inclui uma exibição comentada de filmes de Alice Guy-Blaché (1873-1968), pioneira que realizou mais de 500 curtas desde os primórdios do cinematógrafo dos irmãos Lumière e foi inovadora em diversos aspectos. Para iluminar a obra de Alice Guy, a pesquisadora audiovisual Vivian Malusá se debruça sobre a biografia e produção da francesa.

Os ingressos estão disponíveis na Central de Relacionamento Digital do Sesc SP. A entrada é gratuita para sessões da faixa das 15h (exceto CineClubinho); os ingressos serão distribuídos 1h antes da sessão.

Valores do CineClubinho: R$ 10 (inteira), R$ 5 (meia-entrada) e R$ 3 (credencial plena). A entrada é gratuita para crianças de até 12 anos.

  • $
  • Gratuito
  • Livre para todas as idades
  • Maiores de 12 anos

Dados de contato

Veja também outras opções

Ver todos