Masp expõe estátuas e máscaras da África

Mostra reúne mais de 40 obras do acervo do museu, de 17 diferentes culturas africanas

MASP artes da África IORUBÁ, Máscara Geledé, sem data/ Acervo MASP

Informações

  • Data de inicio e término

    28 mar até 03 ago

  • Dias da semana e horários

    Terça-feira, das 10h às 20h (entrada até as 19h) - grátis | Quarta e quinta, das 10h às 18h (entrada até as 17h) | Sexta, das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30) | Sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h)

  • Endereço

    Av. Paulista, 1.578 - Bela Vista

    Ver no mapa
  • Valores

    R$ 75,00 | R$ 37,00 (meia)

Mais detalhes

O Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand) apresenta a exposição “Cinco ensaios sobre o Masp – artes da África”, no terceiro andar do edifício Pietro Maria Bardi. A mostra reúne mais de 40 obras do acervo do museu, principalmente do século 20, oriundas de países da África ocidental.

A curadora do museu, Amanda Carneiro, e o curador assistente, Leandro Muniz, selecionaram peças confeccionadas em madeira,  ligadas ao corpo ou à sua representação. O conjunto abrange estatuetas de Exu e Xangô, objetos cotidianos, bonecas, tambores, mobiliário e máscaras usadas em festividades, rituais de iniciação, celebração ou funerais.

Embora outras apresentações desse conjunto já tenham sido realizadas, esta é a primeira exposição que busca estabelecer uma leitura crítica e propositiva da coleção de arte africana do museu.

“A presença da arte africana no Masp foi moldada por momentos-chave ao longo da sua história, marcados pela realização de exposições e doações. O primeiro envolvimento notável do museu com a arte africana ocorreu em 1953, com a exposição ‘Arte Negra’, realizada seis anos após a abertura do local. A iniciativa foi uma das primeiras exposições de arte africana registradas em um museu brasileiro”, diz Amanda Carneiro.

As obras provêm de 17 culturas distintas, originárias principalmente da África ocidental, dos grupos populacionais guro, senufo e baulê, da atual Costa do Marfim; dogon e bamana, do Mali; mossi e bobo, da Burkina Faso; baga, da Guiné; axante, de Gana; guere-wobe, da Libéria; hemba, do Congo; mumuye, ibibio, igbo e iorubá, da Nigéria; além de uma peça chokwe, de Angola.

“São produções muito diversas, que trazem essa noção de ‘artes’, no plural, para o título da exposição. Existem cerca de 500 culturas diferentes em toda a África, portanto, o que apresentamos é um recorte específico sobre a maneira como o Masp colecionou essas peças ao longo dos anos. Não se trata de uma mostra sobre uma identidade única continental”, afirma Leandro Muniz.

Em diálogo com as peças históricas, os artistas brasileiros biarritzzz (Fortaleza, CE, 1994) e Cipriano (Petrópolis, RJ, 1981) abordam, em obras comissionadas para o museu, os legados e as transformações das tradições africanas na cultura brasileira. biarritzzz expõe três vídeos: colagens digitais de fragmentos das máscaras presentes na mostra, acompanhadas de frases que questionam sua presença em acervos de museus. A artista usa uma linguagem típica de redes sociais para transmitir suas ideias e fazer críticas com humor, chamando esse recurso de “pedagogia do meme”.

Já Cipriano apresenta duas pinturas abstratas que sobrepõem cantos de religiões afro-brasileiras ligadas às tradições banto, tronco linguístico da África central. Uma das obras faz referência ao tambor chokwe, de Angola, incorporado à coleção do Masp em 2023.

Concebida pelo escritório de arquitetura Gabriela de Matos, a expografia remete a dois materiais que foram fundamentais para o desenvolvimento tecnológico do continente africano: a terra, usada especialmente em arquiteturas milenares, e o ferro, cuja fundição data, ao menos, de 500 a.C., ganhando importância central em diferentes culturas africanas.

As estatuetas e as máscaras são apresentadas em totens cobertos por uma tinta semelhante à terra; já a estrutura tem uma base composta por metal e acrílico espelhado preto.

As obras estão organizadas em conjuntos que destacam a diversidade e a inventividade formal das produções e as relações temáticas entre diferentes culturas. Sem associações cronológicas e geográficas, a montagem incorpora produções de artistas contemporâneos.

Acervo

A maior parte da coleção de artes da África do Masp é composta por estatuetas e máscaras do século 20, integradas ao museu ainda nas primeiras décadas de sua formação. Desde 1953, seis anos após sua fundação, o museu realizou diversas exposições sobre este tema, como “Arte negra” (1953), “Arte tradicional da Costa do Marfim” (1973), “Da senzala ao sobrado” (1978), “Arte contemporânea do Senegal” (1981), “Cultura nigeriana” (1987), “África negra” (1988) e “Do coração da África – arte Iorubá” (2014).

Duas grandes doações foram fundamentais para a formação desse acervo: do Bank Boston, em 1998, e da coleção Robilotta, em 2012. Ao longo do tempo, também ocorreram incorporações pontuais.

Para refletir sobre a história dessa coleção e das exposições sobre arte africana no museu, um conjunto de documentos é apresentado em uma vitrine, que registra essa trajetória.

“Artes da África”, “Renoir”, “Geometrias”, “Histórias do Masp” e “Isaac Julien: Lina Bo Bardi” compõem o maravilhoso emaranhado de os “Cinco ensaios sobre o Masp”, série de exposições pensadas a partir do acervo e da história do museu, destacadas para a inauguração do novo edifício, Pietro Maria Bardi.

Acessibilidade

Todas as exposições temporárias do Masp possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, além de textos e legendas em fonte ampliada e produções audiovisuais em linguagem fácil – com narração, legendagem e interpretação em Libras, que descrevem e comentam os espaços e as obras.

Os conteúdos, disponíveis no site e no canal do YouTube do museu, podem ser utilizados por pessoas com deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessados em geral.

  • Acessível para cadeirantes
  • Acessível para deficientes auditivos
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