“Jacinta”, da Cia. do Pássaro, retorna ao cartaz
Peça revisita caso de mulher negra exposta por 30 anos no Largo São Francisco

Informações
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Data de inicio e término
07/03/2026 até 29/03/2026
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Dias da semana e horários
Sábados, às 20h | Domingos, às 19h
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Valores
Entrada gratuita
Mais detalhes
No começo do século 20, uma mulher negra morreu nas ruas da capital paulista e não foi sepultada. Seu corpo embalsamado ficou exposto como curiosidade científica durante trinta anos na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, sendo até utilizado em trotes estudantis.
Para honrar a sua memória, a Cia do Pássaro volta em cartaz com o espetáculo “Jacinta – Você só morre quando dizem seu nome pela última vez” em curta temporada gratuita na sede do grupo ao longo do mês de março.
Escrita e dirigida por Dawton Abranches, a peça é baseada no caso real de Jacinta Maria de Santana. Em cena, a atriz Gislaine Nascimento e o ator Alessandro Marba são acompanhados pela musicista Camila Silva, que conduz a trilha sonora no cavaquinho, remetendo ao universo do samba.
Com o objetivo de tornar seu trabalho acessível ao maior número de pessoas, a Cia do Pássaro explora a linguagem do teatro popular. Há momentos de alívio cômico em “Jacinta”, sem perder de vista a seriedade do tema.
A narrativa foi construída de forma poética. Enquanto a atriz Gislaine Nascimento conta a história de Jacinta, é observada pela figura de Exu Tatá Caveira (Alessandro Marba), que manipula o tempo e o espaço e propicia o encontro da atriz com a personagem.
O espetáculo integra o projeto “Trilogia do Resgate”, da Companhia do Pássaro, que pretende resgatar do apagamento personalidades pretas históricas com trajetórias emblemáticas no Brasil. A peça é o segundo tomo da nossa trilogia. O primeiro deles “Baquaqua – Documento Dramático Extraordinário”, sobre o ex-escravizado Mahommah Gardo Baquaqua, que passou pelo Brasil no século 19. O grupo busca devolver a humanidade às pessoas retratadas, contribuindo para romper estereótipos.
Jacinta Maria de Santana, mesmo se tornando vítima das mais diversas violações após a morte, permanecia praticamente anônima até 2021, quando a historiadora e pesquisadora Suzane Jardim leu sobre o caso em um jornal de 1929. O autor da ideia e execução do embalsamamento foi o professor Amâncio de Carvalho, da área de medicina legal da USP. Diferente de Jacinta, que permaneceu desconhecida por décadas, ele virou nome de rua da Vila Mariana.
A entrada é gratuita. Os ingressos são distribuídos 1h antes do início da apresentação.
Não haverá sessão no dia 21/03 (sábado). Haverá sessão extra no dia 29/03 (domingo) às 15h.
Dados de contato
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Telefone
(11) 98365-5850
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