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Última modificação junho 25, 2026

Cia. EmVersão fala sobre adoção e luto

"Jabuticaba Nasce no Tronco" encerra trilogia de peças 'Ensaios Sobre a Morte'

"Jabuticaba Nasce do Tronco", da Cia. EmVersão. Foto: Tomás Franco.

Informações

  • Data de inicio e término

    25/06/2026 até 12/07/2026

  • Dias da semana e horários

    De quinta-feira a sábado, às 20h | Domingos, às 19h

  • Endereço

    Av. Santos Dumont, 1770 - Santana

    Ver no mapa
  • Valores

    Entrada gratuita

Mais detalhes

Inspirado em casos reais de adoção, “Jabuticaba Nasce no Tronco”, novo trabalho da Cia. EmVersão, tem sua temporada de estreia no Teatro Alfredo Mesquita. Com direção e texto de Bernardo Fonseca Machado, o espetáculo é estrelado por Barroso, Fábia Mirassos, Jennifer Souza, Rodrigo de Castro e Vitória Cortez.

O trabalho aborda o fim de vínculos antigos e o nascimento de novos laços e encerra a trilogia Ensaios sobre a Morte – composta pelas peças “Relicário Inventado” (2011) e “Epitáfio” (2013/2014). Cada uma dessas obras são atravessadas por um verbo que orienta dramaturgia, encenação e atuação: na primeira, a ação era “inventar” a memória; no segundo, “escolher” o próprio fim; e, agora no novo espetáculo, “costurar” histórias, raízes e pertencimentos.

Ambientado entre os anos de 1990 e 2008, na cidade de São Paulo, “Jabuticaba Nasce no Tronco” acompanha a trajetória de quatro crianças órfãs — Bento, Ifigênia, José e Miuza — que chegam juntas à casa de acolhimento de Maria, uma senhora viúva que recebe crianças para garantir sua subsistência. Após um período de convivência e algumas visitas de casais interessados em adotar, cada uma delas segue para um destino diferente. Dezoito anos depois, os quatro se reencontram em um velório, momento em que precisam revisitar suas histórias e lidar com a busca por suas origens.

Cada personagem representa um aspecto da experiência adotiva. Maria, figura central, é inspirada em mulheres que atuaram informalmente como cuidadoras nas décadas de 1980 e 1990. Bento é uma criança que sofre a troca de nome ao ser adotado por um casal de classe média alta, o que desencadeia uma crise de identidade. Ifigênia é deixada pela avó e depois devolvida pela família adotiva que buscava apenas uma criança de “companhia”. José nasce de uma gravidez indesejada e encontra afeto apenas após desencontros. Miuza é retirada da mãe pelo Estado e adotada por um pai solo que valoriza a educação.

Assim, o espetáculo aborda as expectativas das crianças e as experiências que enfrentam: o luto pelo fim das relações familiares originais, a dificuldade com os novos vínculos, suas fantasias, os desejos de parentalidade, a relação com a herança biológica, as ações de apagamento das famílias de origem, o surgimento de novas famílias (multirraciais, monoparentais) e a busca pelas origens. 

A encenação tem como eixo simbólico o tecido — elemento que sintetiza a representação das relações afetivas no universo da adoção. Pensando os vínculos familiares como uma trama de fios, a montagem parte da ideia de que o afeto pode ser costurado, mas também pode ser rompido, cortado ou desfeito. A adoção, nesse contexto, é compreendida como um gesto de unir partes distintas por meio de uma costura, que tanto pode formar um laço quanto um nó — frouxo ou apertado, simples ou complexo, que conecta ou tensiona os sujeitos envolvidos.

O texto transita entre o diálogo e a narração, promovendo um jogo cênico em que passado e presente se interpelam, isto é, uma cena cotidiana narrada em 1990 assume um significado áspero sob um diálogo ocorrido em 2008 e vice e versa.

A peça dialoga com os preceitos de consolidação do ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente e nasce do desejo de Bernardo Fonseca Machado de criar um trabalho que refletisse a perspectiva de quem viveu a experiência da adoção. Inclusive, o próprio autor e diretor, que é pretendente à adoção, tem pesquisado o tema desde 2018, tendo feito cursos de formação de instituições como o GAASP (Grupo de Apoio à Adoção em São Paulo) e o Tribunal de Justiça de São Paulo.

A entrada é gratuita e os ingressos são distribuídos 1h antes da apresentação.

  • Gratuito
  • Maiores de 10 anos

Dados de contato

  • Telefone

    (11) 2221-3657

  • Redes sociais

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