Marco Nanini interpreta Beckett
Espetáculo dirigido por Rodrigo Portella revisita "Fim de Partida" a partir das tensões contemporâneas

Informações
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Data de inicio e término
30/04/2026 até 31/05/2026
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Dias da semana e horários
De quarta a sábado, às 20h | Domingos e feriados, às 18h
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Valores
R$ 90 (inteira), R$ 45 (meia entrada) e R$ 27 (credencial plena)
Mais detalhes
O dramaturgo e escritor irlandês Samuel Beckett (1906-1989) escreveu “Fim de Partida” nos anos 1950, sob o impacto da Segunda Guerra Mundial. Nesse cenário pós-apocalíptico, ele apresenta os personagens Hamm e Clov, símbolos de um mundo em ruínas físicas e emocionais.
Mais de sete décadas depois, a peça ainda dialoga com o estado atual do mundo, o que motivou esta nova montagem. A temporada tem estreia marcada para 30 de abril, no Teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros.
Marco Nanini, Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary França são dirigidos por Rodrigo Portella em um projeto produzido por Fernando Libonati, da Pequena Central.
Em cena, Hamm (interpretado por Marco Nanini) e Clov (Guilherme Weber) possuem uma trágica dependência física e emocional, em um vínculo atravessado pela violência e pela crueldade cotidiana, em uma tragicomédia ácida e melancólica.
Presos em um espaço claustrofóbico, as personagens enfrentam uma realidade desprovida de sentido, marcada por repetições, jogos de poder e uma espera que nunca se resolve.
“Costumo dizer que Beckett fica orbitando a cabeça dos atores contemporâneos, pois oferece um imenso desafio com os múltiplos caminhos que a sua obra permite”, Marco Nanini afirmou.
O ator já pensava em encenar algum texto do autor irlandês quando aceitou de pronto a provocação de Guilherme Weber, responsável pela sugestão para atuarem juntos em “Fim de Partida”. Juntos, eles já estiveram nas montagens célebres de “Os Solitários” (2002) e “A Morte do Caixeiro Viajante” (2004).
Logo, reuniram Helena Ignez, nome icônico nome do cinema brasileiro, com quem Nanini contracenou no início da carreira, e Ary França, com quem dividiu o palco no premiado “O Burguês Ridículo” (1996).
Rodrigo Portella foi convidado para assumir a direção da peça e chega em um momento profissional marcado pela consagração de espetáculos recentes, como “Tom na Fazenda”, “Ficções”, “Um Ensaio sobre a Cegueira” (Grupo Galpão) e “Ray”. Ele divide o texto de “Fim de Partida” em três fluxos:
“O primeiro seria a relação simbiótica entre Hamm e Clov, mas, numa segunda camada, a peça pode ser lida como uma alegoria política”, Rodrigo Portella explica. “Hamm surge como um tirano arbitrário, figura que alude à lógica da guerra e do militarismo, cuja autoridade se funda no poder bélico e opressivo. Clov é o corpo submisso, o soldado em vigília permanente, sempre de pé, incapaz de repouso, a serviço de uma engrenagem que não faz nenhum sentido. A cena torna-se, assim, um campo de poder em ruínas.”
O diretor chama a atenção para uma terceira camada de leitura: a do metateatro. Evidenciada pela cenografia de Daniela Thomas, que coloca uma espécie de palco dentro do palco, em uma pequena caixa cênica retangular, a característica de metalinguagem proposta pelo texto se estabelece.
A equipe criativa do espetáculo reúne ainda parceiros recorrentes na trajetória de Nanini, como a cenógrafa Daniela Thomas, o iluminador Beto Bruel e o figurinista Antonio Guedes, além do produtor Fernando Libonati, responsável pela produção artística de seus espetáculos nas últimas três décadas.
Os ingressos estão disponíveis na Central de Relacionamento Digital ou em qualquer unidade do Sesc SP.
Dados de contato
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Telefone
(11) 3095-9400
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