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Última modificação janeiro 16, 2026

Espetáculo retrata fundação de São Paulo

“Entre a Cruz e os Canibais” explora o desajuste entre o projeto colonial e a realidade de São Paulo

O elenco de "Entre a Cruz e os Canibais". Foto: Heloisa Bortz

Informações

  • Data de inicio e término

    22/01/2026 até 15/02/2026

  • Dias da semana e horários

    De quinta a sábado, às 20h | Domingos, às 19h

  • Endereço

    Av. Paes de Barros, 955 - Alto da Mooca

    Ver no mapa
  • Valores

    R$20,00 (inteira) e R$10,00 (meia entrada)

Mais detalhes

Com a proposta de fomentar novos imaginários, provocando outras percepções sobre o nosso passado, Marcos Damigo tem se dedicado a pesquisar e encenar peças sobre a história do Brasil. Seu novo espetáculo, “Entre a Cruz e os Canibais”, lança luz sobre a construção do mito bandeirante e, consequentemente, de São Paulo.

Em tom de comédia farsesca, a peça, que estreia na semana do aniversário de São Paulo, revisita essa narrativa histórica e sonda o desencontro entre o projeto colonial e a realidade da Vila de São Paulo de Piratininga.

 “Entre a Cruz e os Canibais” é ambientada em 1599 e conta com quatro personagens em cena: o Juiz, o Governador-geral, o Vereador e o Procurador.  A trama se inicia com a chegada do Governador-geral do Brasil Dom Francisco de Souza à pequena Vila de São Paulo de Piratininga, única aglomeração de europeus fora da costa, isolada pela íngreme Serra do Mar.

 Os moradores estão revoltados com os mandos e desmandos do Juiz. Mas ele está apavorado com a iminência de um ataque indígena, pois o Vereador sequestrou tupis aliados. Já o Procurador, um degredado que foi salvo pelos tupis e tem portanto uma relação de proximidade com eles, espera que a vinda do Governador-geral faça valer a lei que proíbe a escravização de indígenas. No entanto, Dom Francisco de Souza, ou “das Manhas” como indicava seu apelido, quer resolver os conflitos de maneira a atender melhor seus interesses. 

 Descortina-se, assim, o maior paradigma do projeto nacional: justamente quando São Paulo tem seu primeiro impulso de progresso econômico, com o avanço dos bandeirantes pelo interior, é que seus moradores começam a explorar a mão de obra indígena em larga escala.

 O espetáculo não pretende fazer uma reconstituição histórica, os personagens são tratados como tipos. A trilha sonora, originalmente composta por Adriano Salhab, estabelece mais explicitamente essa relação entre passado e presente. O figurino desenvolvido por Marichilene Artisevskis incorpora elementos visuais do modernismo e da tropicália, movimentos que propuseram uma releitura da nossa história na busca por uma identidade nacional. O cenário é composto de lonas pintadas à mão pelos artistas e grafiteiros Jonato e Ever. Além deles, o cineasta guarani Richard Wera Mirim, morador da Terra Indígena Jaraguá, é responsável pela criação de um vídeo para o espetáculo.

Os ingressos estão disponíveis no Sympla.

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  • Livre para todas as idades

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    (11) 2604-5558

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