Cia. Armazém apresenta “Dias Felizes”
Peça de Samuel Beckett explora o equilíbrio frágil entre o contentamento e o desespero

Informações
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Data de inicio e término
25/06/2026 até 19/07/2026
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Dias da semana e horários
De quinta a sábado, às 20h | Sextas, também às 16h | Domingos, às 18h
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Valores
R$ 70 (inteira), R$ 35 (meia-entrada) e R$ 21 (credencial plena)
Mais detalhes
“Dias Felizes”, de Samuel Beckett, retorna aos palcos pela Armazém Companhia de Teatro, em uma temporada realizada no Sesc Pompeia. A peça explora, com ironia mordaz, o equilíbrio frágil entre o contentamento e o desespero.
Neste clássico do século 20, a condição humana é exposta com brutalidade e sarcasmo, revelando como nos agarramos a rituais e memórias para suportar a passagem do tempo.
Sob a direção de Paulo de Moraes, a montagem ressignifica a jornada de Winnie (interpretada por Patrícia Selonk), explorando a camada fina que separa o otimismo da resignação. Enterrada até a cintura – e depois até o pescoço – Winnie encontra em seus pequenos rituais a última linha de defesa contra o colapso. Entre o sino estridente que pontua seu dia como um despertador sem trégua e o sol impiedoso que derrete qualquer noção de tempo, ela se apega ao conteúdo de sua bolsa espaçosa.
Willie, seu companheiro enigmático e silencioso, é interpretado em dias alternados por Felipe Bustamante, Isabel Pacheco e Jopa Moraes. Na concepção da Armazém, Willie não é apenas um espectador passivo da decadência de Winnie, mas um parceiro de cena improvável – ora cúmplice silencioso, ora um lembrete incômodo de que até a solidão pode ter companhia.
Beckett definiu Winnie como “um pássaro com óleo em suas penas”, uma criatura do ar condenada a uma existência terrestre. Sua luta não é apenas pessoal, mas também coletiva. Se, no passado, a paisagem desolada da peça remetia à catástrofe nuclear, hoje ela ressoa com a paisagem ressecada do aquecimento global. A crise existencial do eu se funde à crise da espécie – e talvez do planeta. (Paulo de Moraes)
Na montagem, o humor ácido de Beckett ganha relevo, revelando-se nas repetições obstinadas de Winnie, em seu otimismo inabalável diante do absurdo e na própria mecânica implacável do tempo. Entre o riso e a ruína, a peça constrói um jogo cruel e fascinante, onde cada palavra dita ressoa como um eco entre a esperança e o delírio.
Os ingressos estão disponíveis na Central de Relacionamento Digital ou em qualquer unidade do Sesc SP.
Dados de contato
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Telefone
(11) 3871-7700
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