“Cartas Libanesas – Ayuni” estreia no Sesc Ipiranga
Celebrando 10 anos de "Cartas Libanesas, nova versão traz diálogo entre um homem e sua mulher

Informações
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Data de inicio e término
05 abr até 25 maio
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Dias da semana e horários
Sextas e sábados, às 20h | Domingos e feriado, às 18h
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Valores
R$50,00 | R$25,00 (meia) | R$15,00 (credencial plena)
Mais detalhes
“Cartas Libanesas – Ayuni”, espetáculo inédito com Ana Cecília Costa e Eduardo Mossri, celebra os dez anos da estreia de “Cartas Libanesas”, saga do mascate libanês que imigrou para o Brasil nos anos 1910 em busca de uma vida melhor, encenada por Mossri, também estreada no Sesc Ipiranga, e com grande sucesso de crítica e público, e indicações aos Prêmios Shell e APCA de Melhor Texto.
A nova montagem soma à anterior um novo ponto de vista: o feminino, que vem pela voz e presença de Adibe, a esposa que ficou no Líbano, grávida, à espera do marido. Essa mulher, apenas citada no texto anterior, agora está presente, em contracena com o marido, numa troca de cartas que interpõe a visão feminina e a visão masculina.
Através da história de amor de uma camponesa e um mascate libaneses, a peça expressa a gratidão a todos aqueles e aquelas – não só libaneses – que imigraram e enriqueceram a identidade cultural brasileira, refletindo, também, sobre o processo migratório no Brasil.
“Cartas Libanesas – Ayuni” joga nova luz sobre os acontecimentos, assim como a palavra em árabe no título, “Ayuni”, que significa “luz dos meus olhos”. O imigrante Miguel agora divide com o público as cartas recebidas da esposa Adibe, que refletem sobre a gravidez, a espera e a incerteza da volta do companheiro, a saudade, as dificuldades vividas com as guerras, seus medos e frustações.
“As cartas foram para longe, não imaginava que poderiam me levar a tantos lugares, inclusive me apresentar no Líbano e conhecer a aldeia da minha família. Comemorar 10 anos de apresentações ininterruptas e ainda ganhar uma nova versão, confirma que a base desse projeto está sustentada em algo muito humano e genuíno. Mulher agora fala, e fala por direto, não fiz nada demais a não ser trazer para falar junto. A alegria de falarmos juntos. Tem o desafio, sair de um monólogo e me jogar em um diálogo com as falas que não foram ouvidas e só imaginadas. Tem a troca com a nova presença, com as novas parcerias. Tudo deixa de ser um tanto como era para ser algo novo. E que bom! Como idealizador e ator do projeto, o que fica evidente é que estamos em movimento e que a matéria prima da peça segue viva. Fui falar da minha aldeia e acabei (acabamos) falando do mundo.”, reflete Eduardo Mossri, idealizador e ator.
A dramaturgia inédita da premiada autora Duca Rachid, em fricção com o texto anterior, é uma troca entre os personagens, agora juntos em cena. “Cartas Libanesas – Ayuni”, investiga as experiências vividas por essa mulher que ficou em sua aldeia, trabalhando na indústria de seda e gestando um filho, à espera do momento do reencontro com seu amado.
Através dessa correspondência, ela revela aspectos de sua vida no Líbano: costumes e tradições, expectativas, medos e tristezas, resgatando memórias e expondo o quanto o machismo estrutural, cultural e familiar permeou sua existência e suas atitudes.
“Sou filha de imigrantes. Meu avô paterno era libanês. Minha avó, italiana. Meus dois avós paternos, portugueses. Escrever esse texto é uma maneira de honrar aqueles que vieram antes. Principalmente essas mulheres tão destemidas. Viúvas de maridos ausentes. Tocando a vida, criando filhos sozinhas, esperando o momento de se juntar aos seus companheiros. Mulheres com coragem de deixar tudo para trás – sua casa, sua língua, sua cultura, suas famílias para virem trabalhar com seus maridos e ao lado deles construir uma vida, um país. Não foram poucas as contribuições dessas mulheres.”, afirma a autora Duca Rachid.
As presenças da autora Duca Rachid, das diretoras Georgette Fadel e Luaa Gabanini e da pesquisadora Muna Omran – quatro mulheres, três delas descendentes de libaneses – foi fundamental. Elas trazem, além da formação cultural, a experiência emocional de mulheres oriundas de famílias de imigrantes libaneses compostas de mulheres que ocuparam um lugar social importante, para além da dominação e opressão cotidianas.
“A peça fala de amor. Sempre é tempo de falar de amor. A peça fala de guerra. Infelizmente ainda não estancamos as guerras do mundo. O amor em meio à guerra é o vislumbre da flor no deserto. E é nessa atmosfera onde parece não ter nada, que dois corpos entram em cena para criar memórias de possibilidades de existências”, dizem as diretoras Georgette Fadel e Luaa Gabanini.
“Como atriz, procuro afinar meu instrumento para retratar e honrar a mulher árabe que é uma força da natureza, assim como as mulheres do sertão de onde venho (Bahia). Abracei este projeto porque além da importância e beleza desta história, existe muito afeto envolvido entre nós. E sabemos que cultivar o amor é fundamental para sobreviver em tempos de cólera.”, completa a atriz Ana Cecília Costa.
Trajetória
Desde a sua estreia em 2015 no Sesc Ipiranga, o solo “Cartas Libanesas”, indicado aos Prêmios Shell e APCA de Melhor Autor, nunca parou de ser encenado, percorrendo quase todo o Brasil em temporadas e festivais, chegando a ser apresentado no Líbano e em Marrocos.
A peça nasceu das cartas que o ator Eduardo Mossri encontrou, escritas pelo seu avô, imigrante libanês que tentava ganhar a vida no Brasil no início do século 20, para sua avó, no Líbano. Mossri levou essas cartas para o dramaturgo José Eduardo (Saad) Vendramini, também descendente de libaneses, que pesquisou mais relatos verídicos de outros imigrantes patrícios no Brasil para construir a dramaturgia da peça.
Sinopse
A libanesa Adibe, uma camponesa grávida do primeiro filho, fica em sua aldeia no Líbano à espera do marido Miguel, um mascate libanês que foge da 1ª Guerra imigrando para Brasil com o intuito de prosperar e sustentar a família. Numa contínua troca de cartas, dividem anseios, descobertas e dores na expectativa de um possível reencontro futuro.
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