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Última modificação julho 30, 2026

Teatro documental aborda o pertencimento

"Bigorna", de Walmick de Holanda mistura autobiografia, terror e humor para investigar a marginalização

"Bigorna". Foto: Julio Arakack

Informações

  • Data de inicio e término

    04/08/2026 até 22/08/2026

  • Dias da semana e horários

    De terça a quinta, às 20h | Sábado, às 18h.

  • Endereço

    R. Pelotas, 141 - Vila Mariana

    Ver no mapa
  • Valores

    R$ 50 (inteira), R$25 (meia-entrada) e R$15 (credencial plena)

Mais detalhes

“Bigorna – um thriller autoficcional”, solo escrito, dirigido e interpretado por Walmick de Holanda, estreia no Sesc Vila Mariana.

Desenvolvido ao longo de anos de investigação artística e criação autobiográfica, o espetáculo transforma experiências pessoais em uma reflexão sobre exclusão, identidade e pertencimento.

Ao reunir teatro documental, autoficção, humor, terror e referências da cultura pop, a montagem investiga como corpos considerados fora da norma são enquadrados, corrigidos ou afastados da convivência social.

Em cena, Walmick revisita e reelabora diferentes momentos da própria vida, entrelaçando lembranças da infância, adolescência e vida adulta com histórias de outros homens gays encontradas ao longo de sua pesquisa. A dramaturgia embaralha memória e invenção para construir uma narrativa em que o vivido ganha contornos ficcionais e a ficção revela verdades pessoais.

Uma história vivida por sua família funciona como disparador dessa reflexão. Durante aproximadamente três décadas, um tio permaneceu confinado em um quarto gradeado por apresentar uma condição nunca diagnosticada, sendo tratado como alguém incapaz de conviver socialmente. Ao aproximar essa experiência da própria trajetória, o espetáculo investiga como famílias e sociedades tentam controlar, normatizar ou corrigir aqueles que escapam dos padrões considerados aceitáveis.

Na infância, sem compreender o que acontecia, Walmick criou explicações fantásticas para aquele isolamento. Essas imagens, inspiradas pelo imaginário dos filmes de terror, tornaram-se uma das principais chaves dramatúrgicas do espetáculo e ajudam a discutir como pessoas consideradas “diferentes” muitas vezes são tratadas como figuras monstruosas ou ameaçadoras.

Humor, suspense e referências à cultura pop atravessam toda a narrativa. Xuxa, Power Rangers, Michael Jackson, Divas pop – (referência dos anos 80 e 90, filmes, animações e músicas), e o cinema de horror aparecem como parte do universo afetivo de uma criança que buscava compreender o mundo por meio da fantasia. Nesse contexto, o Terror além de um gênero cinematográfico, opera na linguagem do espetáculo a fim de discutir medo, vergonha, desejo de pertencimento e violência simbólica.

Além das memórias pessoais, a dramaturgia incorpora objetos, roupas e outras materialidades da infância que funcionam como documentos afetivos, ampliando a experiência autobiográfica para dialogar com histórias de outras pessoas LGBTQIA+ e de todos aqueles que, em algum momento da vida, sentiram que não cabiam nos lugares que lhes foram destinados.

Os ingressos estão disponíveis na Central de Relacionamento Digital ou em qualquer unidade do Sesc SP.

  • Acessível para cadeirantes
  • $
  • Maiores de 14 anos

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