“Agora” retrata realidade na qual o tempo foi abolido
Baseado na obra de Cecilia Ripoll, peça faz crítica à sociedade contemporânea ansiógena e imediatista

Informações
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Data de inicio e término
17/04/2026 até 26/04/2026
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Dias da semana e horários
Dias 17, 18, 19, 22, 23, 24, 25 e 26/04, às 20h | Dias 18 e 25/04, às 17h
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Mais detalhes
O Centro Cultural São Paulo recebe, de 17 a 26 de abril, temporada do espetáculo “Agora”, distopia contemporânea baseada na obra de Cecilia Ripoll e com direção de Chia Rodriguez. No elenco estão Sarah Lessa e Vitor Albuquerque.
A montagem parte de uma provocação central: o que aconteceria se a noção de tempo deixasse de organizar a vida em sociedade? Na trama, ambientada em uma realidade distópica, o tempo foi abolido, restando como símbolo de um passado esquecido uma antiga loja de relógios, comprimida entre estabelecimentos comuns, como vestígio de um mundo que já não mede as horas.
Com estrutura de fábula fragmentada, a peça acompanha personagens que transitam por uma sociedade marcada pela ansiedade, onde o “agora” se transforma em mercadoria. A narrativa convida o público a refletir sobre as relações contemporâneas com o tempo e a reconhecer elementos dessa distopia no cotidiano atual.
Sobre a ideia da obra, Cecília Ripoll diz:
“Enquanto está preso no engarrafamento, você aproveita para adiantar o máximo de tarefas pelo celular. Enquanto almoça, você aproveita para pagar um boleto que foi completamente esquecido. Isso é um dia normal? Subitamente, estamos adiantando o máximo de coisas possível, mas por que precisamos fazer isso mesmo? A simultaneidade compulsória da comunicação parece estar nos levando a extinção da noção de tempo. Imagina uma história fictícia na qual a percepção de tempo vai deixando de existir. Para além de pensar a progressiva aceleração do tempo, queremos abrir perguntas sobre o ilimitado processo de otimização das nossas vidas”.
Já a diretora Chia Rodriguez conta que já sente que as pessoas vivem em uma espécie de colapso do tempo.
“Sinto que já estamos em um presente como um ‘agora’ absoluto que não permite elaboração. E, diferente do agora usado de modo geral para trazer a presença, como algumas práticas propõem, trabalhamos o agora como um imperativo, como a única forma de se manter os encontros: fique ligado no agora do outro, tudo é postado agora, me segue que assim você saberá onde estou. O agora como campo de disputa da presença e da comparação”, revela.
As farmácias na distopia, ainda de acordo com a encenadora, surgem como uma “alegoria dessa promessa contemporânea de solução imediata”.
“Elas não curam apenas sintomas, mas oferecem pertencimento, estabilidade, uma espécie de autorização para existir no presente. E a memória também é atravessada por poder, dinheiro e desejo de controle. Quem pode pagar ajusta o passado”, acrescenta.
A entrada é gratuita, com retirada de ingressos a partir das 14h do dia anterior (Virtual e presencial).
Dados de contato
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Telefone
(11) 3397-4002
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