“A Igreja do Diabo” ganha nova temporada
Partindo do conto de Machado de Assis, peça transforma as contradições da moral em comédia musical pop
Informações
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Data de inicio e término
05/10/2026 até 27/10/2026
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Dias da semana e horários
Segundas e terças-feiras, às 20h
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Valores
R$ 60 (meia-entrada) e R$ 120 (inteira)
Mais detalhes
Depois de uma primeira temporada marcada pela repercussão entre público e crítica e por mais de dez indicações a importantes prêmios do teatro e do humor, “A Igreja do Diabo – Um Musical Imoral e Hilário” retorna aos palcos de São Paulo para uma curtíssima temporada no Teatro Estúdio.
Inspirada no conto homônimo de Machado de Assis, a montagem escrita, dirigida e musicada por Guilherme Gila revisita a provocação criada pelo autor no século 19 a partir de uma linguagem contemporânea, combinando humor, filosofia moral, música pop brasileira e coreografias de linguagem queer para colocar em cena as contradições entre virtude, vício, desejo e comportamento social.
Publicado originalmente no século 19 e posteriormente reunido no livro “Histórias sem Data”, de 1884, “A Igreja do Diabo” parte de uma premissa provocadora: cansado de exercer seu ofício sem organização, regras ou doutrina própria, o Diabo resolve fundar uma igreja. A partir da inversão entre virtudes e pecados, Machado de Assis constrói uma narrativa que expõe as contradições do comportamento humano e coloca em xeque a capacidade das pessoas de permanecerem inteiramente fiéis a qualquer sistema moral.
É dessa provocação machadiana que Guilherme Gila parte para transportar a discussão para o presente. Na versão musical, a Diaba decide criar sua própria religião e, pouco a pouco, conquista seguidores com uma doutrina na qual praticar maldades é incentivado e ser uma boa pessoa se torna o maior dos defeitos. Apresentados aos chamados “sete ditados capitais”, os novos fiéis abraçam as regras e começam a transformar o mundo em um lugar cada vez pior. Mas, como já propunha Machado em seu conto, a natureza humana logo se mostra mais contraditória do que qualquer doutrina é capaz de prever.
A filosofia moral atravessa a montagem sem abandonar o humor. “A Igreja do Diabo” explora as fronteiras entre aquilo que uma sociedade estabelece como moral ou imoral por meio de uma sonoridade inspirada no universo pop e de uma linguagem coreográfica queer. A escolha dialoga com expressões artísticas protagonizadas por mulheres, pessoas pretas e integrantes da comunidade LGBTQ+, grupos cujos comportamentos, corpos e manifestações artísticas foram, historicamente, submetidos a diferentes formas de julgamento moral.
Música, dança e comicidade tornam-se, assim, caminhos para aproximar a ironia e as provocações do texto machadiano do público contemporâneo. Sem reproduzir literalmente o universo do século 19, a montagem encontra no teatro musical uma maneira própria de abordar temas como virtude, vício, hipocrisia e natureza humana, transformando questões filosóficas em uma comédia pop brasileira.
A nova temporada reúne Edyelle Brandão, Giovana Brandão, Olivia Lopes, Raphael Mota, Aron Luiz e Rupa Figueira. Edyelle retorna ao papel da Diaba, personagem que lhe rendeu reconhecimento na primeira montagem, enquanto o elenco dá vida às diferentes figuras desse universo em que céu, inferno e humanidade se encontram para colocar à prova os limites da moral.
Os ingressos estão disponíveis no Sympla.
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