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Última modificação março 02, 2026

Comemore o Dia da Mulher nos teatros da cidade

Protagonizadas por grandes atrizes, mais de 10 peças abordam o lugar das mulheres na sociedade

Montagem: Dennis Fidalgo.

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    Comemorado em 8 de março, o “Dia Internacional da Mulher” lembra a luta histórica das mulheres por direitos, equidade e respeito.

    A data tem sua origem nos movimentos trabalhistas e feministas do final do século 19 e início do século 20, quando operárias começaram a se mobilizar para reivindicar melhores condições de trabalho, além do direito ao voto e igualdade de oportunidades.

    É uma data importante para refletir sobre os avanços na busca por equidade de gênero e para rever o caminho que ainda deve ser seguido para atingi-la.

    Também é uma ótima oportunidade para celebrar as mulheres do meio artístico e a diversidade de gênero nos palcos, prestigiando espetáculos que falam sobre o lugar das mulheres na sociedade e discutem a ideia de feminilidade.

    Pensando nisso, o Viva a Cidade preparou um roteiro especial, com algumas peças de teatro para assistir no dia 8 de março, um domingo, além de montagens que podem ser vistas durante a semana que antecede as comemorações do Dia da Mulher.

    São espetáculos protagonizadas por atrizes de diversas idades, muitos deles também dirigidos ou escritos por mulheres, que resgatam figuras históricas, questionam noções pré-concebidas, contam a história de gerações de uma mesma família e promovem experimentações com a linguagem teatral. Veja a seguir:

    A Filha Perdida

    A montagem, da Oceânica Companhia de Teatro, é a primeira adaptação de uma obra de Elena Ferrante para os palcos brasileiros.

    Trata-se da encenação do livro “A Filha Perdida” (2006), que conquistou o mundo com a história de uma mulher sofisticada que abandona as duas filhas pequenas para viver sua própria vida.

    A trama ficou ainda mais popular depois da adaptação cinematográfica feita pela Netflix, em 2021.

    A protagonista Leda (Chris Couto) é uma professora universitária bem-sucedida, de 47 anos, que decide passar as férias sozinha em um balneário.

    Lá, ela se vê obrigada a encarar o passado: da areia, observa a jovem Nina (Juliana Araújo), que parece perfeitamente à vontade no papel de mãe, brincando ao lado de sua filha pequena – uma imagem que a perturba, por evocar sua relação conflituosa com a maternidade, tanto com as filhas, quanto com sua própria mãe.

    Teatro Vivo
    Av. Chucri Zaidan, 2.460 – Vila Cordeiro
    @teatrovivosp
    Quartas e quintas, às 20h | Até 26 de março
    R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia)
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    Chris Couto e Juliana Araujo em “A Filha Perdida”. | Foto: Julio Aracack/Divulgação

    Gala Dalí

    O solo, escrito e interpretado por Mara Carvalho, tem direção artística de Ulysses Cruz e narra o cotidiano de uma mulher frequentemente julgada, rejeitada e reduzida, mas que foi central na história da arte do século 20: Gala Dalí (1894-1892).

    Historicamente tratada como a musa de Salvador Dalí, Gala teve papel central na construção da obra e do mito do pintor surrealista.

    Em cena, Mara conduz o público por uma narrativa não cronológica, que atravessa infância, juventude, relações afetivas, poder, dinheiro, julgamento social e a luta por autonomia em um ambiente dominado por homens.

    Sem idealizações, o espetáculo apresenta Gala como uma mulher que construiu sua própria persona e pagou o preço por isso.

    Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno
    R. Rui Barbosa, 153 - Bela Vista
    @teatrosergiocardoso
    Terças e quartas, às 20h | Até 25 de março
    R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia)
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    Mara Carvalho interpreta “Gala Dalí”. | Foto: Rachel Pontes/Divulgação

    Asas de Pano

    Em “Asas de Pano”, uma contadora aposentada, exímia na arte de ‘ajustar’ números, mas incapaz de organizar a própria vida, entra em desespero ao ver a filha prestes a sair de casa para viver o próprio destino.

    Enquanto tenta, a qualquer custo, impedir essa partida, ela passa a receber ligações misteriosas e hilárias de sua mãe já falecida, vindas diretamente de um ‘além’ muito peculiar.

    Com texto de Eliete Cigarini e direção de Otávio Martins, a peça mostra três gerações de mulheres, que colidem em um acerto de contas emocionante.

    Entre risos, sustos e revelações bombásticas, segredos de família guardados por décadas vêm à tona, todos ligados à condição social da mulher.

    Teatro do Núcleo Experimental
    R. Barra Funda, 637, Barra Funda
    @nucleoexp
    Sábado e domingo, às 20h | Até 22 de março
    R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia-entrada)
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    O elenco de “Asas de Pano”. | Foto: Heloisa Bortz

    CHOQUE! Procurando Sinais de Vida Inteligente

    Com humor afiado e olhar crítico, o solo “CHOQUE! Procurando Sinais de Vida Inteligente” estabelece uma reflexão sobre as contradições humanas, o papel da mulher na sociedade e os dilemas da vida contemporânea.

    O título sugere uma busca extraterrestre, mas é, na verdade, uma metáfora para a busca por empatia, conexão e sentido no meio da confusão cotidiana da humanidade.

    Escrita pela norte-americana Jane Wagner e encenada pela primeira vez em 1985, nos EUA, a peça “Procurando Sinais de Vida Inteligente no Universo”, consolidou-se como um marco para o teatro.

    Agora, é a vez da atriz Danielle Winits assumir o palco, conduzida por Gerald Thomas na primeira montagem brasileira do espetáculo.

    Na peça, estruturada como um monólogo múltiplo, a atriz interpreta diversos personagens e, por meio dessas vozes, constrói uma narrativa que atravessa diferentes contextos sociais e históricos. 

    Teatro FAAP
    R. Alagoas, 903 – Higienópolis
    @teatrofaap
    Sextas e sábados, às 20h | Domingos, às 17h | Até 29 de março
    R$ 160 (inteira) e R$80 (meia entrada)
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    Danielle Winits atua em “Procurando Sinais de Vida Inteligente”. Foto: Dalton Valério/Divulgação

    Coragem: Um Lugar Melhor do que Aqui

    O novo espetáculo da DeSúbito Cia, “Coragem: Um Lugar Melhor do que Aqui”, estreia no Sesc Ipiranga.

    A obra é completa uma trilogia, que inclui as peças “Afeto” e “Raiva”, escrita pela dramaturga Carla Zanini.

    Ela encerra o ciclo, investigando temáticas urgentes relacionadas à negligência e à violência social, política e institucional, a partir do ponto de vista feminino.

    Na história, Vera trabalha como enfermeira em um hospital público, enquanto aguarda uma cirurgia que não é aprovada pelo convênio, por não cumprir os chamados “critérios de prioridade”.

    Suas companheiras, Glória e Marlene, enfrentam o sucateamento do hospital e o caos diário, tentando manter viva a esperança em si mesmas e umas nas outras.

    Sesc Ipiranga
    R. Bom Pastor, 822 - Ipiranga
    @sescipiranga
    Sexta e sábado às 20h | Domingo às 18h
    R$ 60 (inteira), R$ 30 (meia entrada) e R$ 18 (credencial plena)
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    Atrizes do elenco de “Coragem: Um lugar melhor do que aqui”. | Foto: Caio Oviedo/Divulgação

    Escute as Feras

    Adaptação do livro de mesmo nome, da francesa Nastassja Martin, a peça acompanha o relato da autora ao ter seu rosto desfigurado por um urso pardo, em um encontro inesperado na região de Kamchatka, na Sibéria.

    Após este evento, a antropóloga experimenta transformações físicas e espirituais e se vê às voltas com questões filosóficas sobre as relações entre a humanidade e a natureza.

    Entre sonhos e delírios provocados por intervenções médicas e as memórias criadas em meio aos vulcões, ela conclui que é preciso acreditar nas feras.

    Cultura Artística – Pequeno Auditório
    R. Nestor Pestana, 196 - Consolação
    @culturaartística
    Sexta e sábado, às 20h | Domingo, às 18h | Até 12 de abril
    R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia-entrada)
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    Maria Manoella interpreta o monólogo “Escute as Feras”. | Foto: Ariela Bueno/Divulgação

    Jacinta

    No começo do século 20, uma mulher negra morreu nas ruas da capital paulista e não foi sepultada. Seu corpo embalsamado ficou exposto como curiosidade científica durante trinta anos na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, sendo até utilizado em trotes estudantis.

    Para honrar a sua memória, a Cia do Pássaro volta em cartaz com o espetáculo “Jacinta – Você só morre quando dizem seu nome pela última vez” em curta temporada gratuita na sede do grupo ao longo do mês de março.

    Escrita e dirigida por Dawton Abranches, a peça é baseada no caso real de Jacinta Maria de Santana. Em cena, a atriz Gislaine Nascimento e o ator Alessandro Marba são acompanhados pela musicista Camila Silva, que conduz a trilha sonora no cavaquinho, remetendo ao universo do samba.

    Espaço Cia do Pássaro - Voo e Teatro
    R. Álvaro de Carvalho, 177 – Anhangabaú
    Sábados, às 20h | Domingos, às 19h
    Até 29 de março
    Entrada gratuita. Os ingressos são distribuídos 1h antes da apresentação.
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    Mary Stuart

    Referência do teatro brasileiro contemporâneo, Denise Stoklos voltou aos palcos paulistanos com o monólogo “Mary Stuart”, em agosto de 2025.

    O espetáculo, escrito, dirigido e interpretado pela artista, é uma obra-chave de sua aclamada trajetória internacional.

    O solo é considerado um dos maiores fenômenos do teatro brasileiro no exterior, desde sua estreia, em 1987, no Café La MaMa, em Nova York, nos Estados Unidos, tendo sido apresentado em mais de 30 países e em sete idiomas diferentes.

    A montagem também é conhecida por consolidar a linguagem do ‘Teatro Essencial’, proposta cênica criada por Stoklos, baseada na presença solitária do ator em cena, utilizando apenas a voz e o gestual como recursos expressivos.

    Acompanhada apenas de um foco de luz e uma cadeira, Stoklos interpreta duas rainhas rivais: as primas Mary Stuart e Elizabeth I.

    A disputa sangrenta  pelo trono da Inglaterra, ocorrida há 400 anos, é apenas uma metáfora que a atriz utiliza para explorar temas universais como poder, opressão e liberdade.

    Apesar da densidade dos temas tratados, “Mary Stuart” é uma encenação de alta voltagem cômica, que constrói um discurso politicamente agudo, sem ser, de modo algum, panfletário e sem perder seu alcance sensível e reflexivo.

    Teatro Estúdio
    R. Conselheiro Nébias, 891 – Campos Elíseos
    @oteatroestudio 
    Segundas e terças, às 20h
    Apresentações especiais: 6/mar, às 20h | 7/mar, às 17h | 8/mar, às 19h
    Até 28 de abril
    R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia-entrada)
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    Denise Stoklos, como Mary Stuart. | Foto: Ariel Cavott/Divulgação

    Medea

    Ao atribuírem a responsabilidade dos atos humanos aos próprios indivíduos, as tragédias do filósofo romano Sêneca ficaram fora dos palcos por séculos, sob a ideia de que a violência retratada por ele só poderia ser suportada por meio da leitura.

    “Medea”, dirigido por Gabriel Villela, tem o desafio de colocar em cena a fúria, a ira e a vingança sem medidas.

    A obra de Sêneca revisita o mito da mãe que mata os próprios filhos por vingança, ao ser repudiada por Jasão, mas também apresenta outros debates, como o do etarismo.

    A ruptura entre o casal expõe a lógica social que descarta mulheres com o avançar da idade – um tema que ressoa nas falas da peça.

    Esta montagem apresenta três intérpretes para a personagem: Rosana Stavis, Mariana Muniz e a participação especial de Walderez de Barros.

    Os ingressos para o final de semana do dia 8 de março já estão esgotados, mas ainda é possível tentar assistir à peça indo diretamente ao local, para aproveitar possíveis desistências.

    Os ingressos referentes à prorrogação da temporada ficarão disponíveis para compra a partir de 3 de março, na Central de Relacionamento Digital do Sesc.

    Teatro Anchieta (Sesc Consolação)
    R. Dr. Vila Nova, 245 - Vila Buarque
    @sescconsolacao
    Quintas, sextas e sábados, às 20h | Domingos, às 18h | Até 15 de março 
    R$70 (inteira) R$35 (meia entrada) e R$21 (credencial plena)
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    Mariana Muniz interpreta Medea. | Foto: João Caldas/Divulgação

    Medea Depois do Sol

    Também inspirado no mito grego de Medea, o espetáculo apresenta uma leitura latino-americana da personagem.

    Partindo de temas como a violência de gênero, a colonização latino-americana e o ecofeminismo, o monólogo investiga Medea como símbolo da maternidade em seu limite extremo e, ao mesmo tempo, como figura sobrevivente de um trauma continental.

    Com texto inédito de Luciana Lyra, que também atua na peça, a montagem desloca Medea da Grécia Antiga para um contexto brasileiro e latino, articulando maternidade, filicídio e colonização, evidenciando camadas históricas de opressão sobre o corpo de mulheres e o corpo da Terra.

    Sesc Ipiranga
    R. Bom Pastor, 822 - Ipiranga
    @sescipiranga
    Sextas, às 21h30 | Sábados e Domingos, às 18h30 | Até 29 de março
    R$50,00 (inteira), R$25,00 (meia) e R$15,00 (credencial plena)
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    Lisi Andrade e Luciana Lyra em “Medea Depois do Sol”. | Foto: Laercio Luz/Divulgação

    Olhos nos Olhos

    Interpretado por Ana Lúcia Torre, este monólogo celebra os 80 anos de vida e 60 anos de trajetória da atriz.

    Com dramaturgia e direção assinadas por Sergio Módena, a peça mescla histórias da artista com a obra de Chico Buarque.

    No entanto, as músicas não serão cantadas, mas faladas como um texto dramático, revelando novas camadas de interpretação e uma sensação de redescoberta.

    Ana Lúcia e Chico são artistas da mesma geração, viveram e testemunharam as mesmas transformações políticas, sociais e comportamentais acontecidas no Brasil e que repercutem até os dias de hoje. Suas trajetórias profissionais já se cruzaram algumas vezes.

    BTG Pactual Hall
    R. Bento Branco de Andrade Filho, 722 - Santo Amaro
    @btgpactualhall
    Sexta e sábado, às 20h30 | Domingo, às 18h30 | Até 29 de março
    De R$ 25 (meia-entrada) a R$ 160 (inteira)
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    Ana Lúcia Torre interpreta “Olhos nos Olhos”. | Foto: Divulgação.

    À Procura de uma Dignidade

    Inspirado no conto homônimo de Clarice Lispector, o monólogo interpretado por Ana Beatriz Nogueira acompanha a trajetória da Sra. Xavier, uma mulher que, a caminho de um evento social, se perde nos corredores do Estádio do Maracanã.

    Lá, ela acaba mergulhando em um percurso de autodescoberta, marcado por reflexões sobre identidade, medos e desejos.

    Com direção de Gilberto Gawronski e texto adaptado por Leonardo Netto, a montagem aposta em uma leitura contemporânea do texto, mantendo o foco nos temas existenciais característicos da escritora.

    A proposta do espetáculo é transformar o texto literário em uma experiência performática, combinando palavra, imagem e presença cênica, para criar um diálogo direto com o público.

    Teatro YouTube
    Av. Paulista, 2073 – Cerqueira César (Galeria Magalu - Conjunto Nacional)
    https://teatroyoutube.com.br/
    Sextas e sábados, às 20h | Domingos, às 18h
    De R$ 25 (meia entrada) até R$ 150 (inteira)
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    A Procura de uma Dignidade

    Ana Beatriz Nogueira interpreta “A Procura de uma Dignidade”. Foto: Nil Caniné/Divulgação

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    Foto de perfil do colaborador Pedro A. Duarte

    Pedro A. Duarte

    26 publicações

    Formado em Jornalismo pela FAAP. Especialista em Jornalismo Científico pelo Labjor Unicamp.