Coletivo Êxodo adapta “Amores Surdos”
Texto trata de uma família em conflito e atores que transitam entre ficção e realidade
Informações
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Data de inicio e término
30/09/2026 até 02/10/2026
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Dias da semana e horários
De quarta a sexta, às 20h
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Valores
Entrada gratuita
Mais detalhes
Uma família vive confinada em uma casa onde faltam dinheiro, espaço e, principalmente, diálogo. A mãe tenta manter o cotidiano sob controle enquanto cada um dos três filhos encontra uma maneira própria de lidar com aquilo que não consegue dizer. Do lado de fora, vizinhos observam, comentam e também interferem nessa dinâmica.
É nesse ambiente que o Coletivo Êxodo, dirigido por Luize e orientado por Pedro Haddad, apresenta sua adaptação de “Amores Surdos”, dramaturgia de Grace Passô escrita em 2006. A montagem faz temporada no Teatro Reynuncio Lima, do Instituto de Artes da UNESP.
A montagem, dirigida e adaptada por Luize, chega ao palco 20 anos depois da criação do texto original, sem transportar a história integralmente para o presente. A proposta é investigar o que permanece reconhecível na estrutura familiar criada por Passô e, a partir dela, acrescentar procedimentos, linguagens e questões que surgiram durante o processo de criação universitário.
O resultado reúne quatro atores e dois músicos em cena, com música original executada ao vivo, dança, partituras corporais, projeções e momentos em que os intérpretes deixam os personagens para falar diretamente com o público.
A montagem amplia uma presença que, no texto original, permanece fora de cena: os vizinhos. Dois músicos ocupam outro espaço do palco e assumem simultaneamente a função de músicos e personagens. Associados a uma família de perfil elitista e conservador, eles observam e comentam a família que vive abaixo deles. A escolha também estabelece uma relação de opressão pelo som, já que a música da família vizinha atravessa fisicamente o espaço dos protagonistas.
“Amores Surdos: O Balde de Lama e o (Ch)amado Silêncio” ganha, assim, música ao vivo composta especialmente para o espetáculo por Caos Nicioli. Além da sonoridade erudita, utiliza-se também de músicas e ritmos populares para costurar a narrativa.
A adaptação mantém a estrutura fundamental da dramaturgia de Grace Passô, mas incorpora cenas e situações criadas pelo próprio coletivo a partir das rubricas e dos conflitos identificados no texto. Uma dessas mudanças está na relação entre ator e personagem. Os intérpretes não permanecem o tempo inteiro dentro da ficção: em determinados momentos, apresentam-se como atores, recebem o público, comentam acontecimentos e depois entram novamente na narrativa. O procedimento estabelece uma distância em relação à história e reforça a dimensão política da encenação.
A montagem também preserva a presença do absurdo, característica da dramaturgia de Grace Passô. O hipopótamo que aparece no texto é tratado pelo grupo como uma imagem que permite diferentes interpretações: pode ser um animal concreto ou representar aquilo que a família esconde e que cresce até não poder mais ser ignorado. Para o coletivo, essa combinação entre cotidiano e fantasia está relacionada à própria escrita da dramaturga, que constrói situações familiares reconhecíveis atravessadas por acontecimentos que deslocam a realidade.
A entrada é gratuita. Os ingressos podem ser reservados no Sympla.
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