CiaTeatro Epigenia traz “O Alienista” a São Paulo
Espetáculo mistura humor, absurdo e expressionismo alemão para revisitar clássico de Machado de Assis
Informações
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Data de inicio e término
11/09/2026 até 27/09/2026
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Dias da semana e horários
Sextas, às 21h | Sábados, às 20h | Domingos, às 18h
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Valores
R$ 50 (meia-entrada) e R$ 100 (inteira)
Mais detalhes
Quem decide o que é normal? E o que acontece quando uma pessoa passa a ter autoridade para determinar quem é louco e quem é são? Essas são algumas das perguntas que atravessam “O Alienista”, clássico de Machado de Assis que ganha uma nova montagem em São Paulo pela CiaTeatro Epigenia. O espetáculo estreia no Teatroiqué.
Livremente inspirada no conto publicado originalmente em 1882, a montagem parte da história do médico Simão Bacamarte (interpretado por Roger Gobeth), que decide estudar a loucura e passa a internar moradores de Itaguaí na Casa Verde. O que começa como uma investigação científica se transforma gradualmente em uma disputa pelo controle da cidade.
Na versão dirigida por Gustavo Paso, o clássico ganha uma leitura contemporânea sem abandonar o humor ácido de Machado. Questões como autoridade, poder, ciência e manipulação do discurso aparecem em uma encenação que também incorpora elementos da Patafísica, movimento associado ao dramaturgo francês Alfred Jarry, e referências ao expressionismo alemão.
Um dos recursos mais curiosos da montagem está justamente na linguagem utilizada por Bacamarte. Para justificar suas decisões, o personagem cria teorias com nomes cada vez mais complexos, como “cientificismo oxidosistêmico”, “cientificismo paradoxo-sistêmico” e “cientificismo caleidoscópicotamhentiano”.
O exagero é parte da piada, mas também funciona como crítica. Diante de palavras que não compreende, a população passa a aceitar o discurso de autoridade sem questioná-lo. A montagem estabelece, assim, uma aproximação com o presente, especialmente com a circulação de informações distorcidas e com o uso de discursos supostamente científicos para convencer ou intimidar.
Visualmente, o espetáculo se distancia de uma representação tradicional do universo machadiano. A cenografia e a iluminação apostam em uma estética monocromática, com formas assimétricas e uma atmosfera que remete ao cinema expressionista alemão. Uma das referências é “O Gabinete do Dr. Caligari”, de Robert Wiene, filme de 1920 conhecido por seus cenários distorcidos e pela atmosfera de pesadelo. No palco, essa estética acompanha a transformação de Itaguaí à medida que Bacamarte amplia seu poder.
A montagem reúne 14 atores e cantores e combina interpretação, música, movimento e elementos visuais. A proposta é fazer com que o público reconheça na história de Machado não apenas uma crítica ao século 19, mas também mecanismos que continuam presentes na sociedade.
Os ingressos estão disponíveis na plataforma INTI.
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