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Última modificação agosto 03, 2026

“As Armas Milagrosas” inicia nova temporada gratuita

Peça reflete sobre racismo estrutural, representação e o direito de narrar a própria história

As Armas Milagrosas: seis personagens à procura da existência Foto: Marcelle Cerutti

Informações

  • Data de inicio e término

    06/08/2026 até 16/08/2026

  • Dias da semana e horários

    Quinta à Sábado, às 20h | Domingos, às 18h

  • Endereço

    Av. Paulista, 149 - Bela Vista, São Paulo

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Mais detalhes

Reestreia em São Paulo, no Itaú Cultural, a partir de 6 de agosto, o espetáculo “As Armas Milagrosas: Seis Personagens à Procura da Existência”. A montagem articula o metateatro de Luigi Pirandello com a poética anticolonial de Aimé Césaire para criar uma metaficção que discute o racismo estrutural e as formas de representação da população negra no Brasil contemporâneo.

A trama acompanha o ensaio de uma comédia de Pirandello, interrompido por um grupo de funcionários negros do teatro que reivindica o direito de contar a própria história. A partir desse gesto, o palco transforma-se em um espaço simbólico de disputa entre personagens e pessoas, visibilidade e apagamento, representação e existência.

Idealizado e dirigido por Anderson Negreiro em parceria com a diretora colombiana Daniela Manrique, o espetáculo aproxima autores de contextos distintos, mas unidos pela reflexão sobre autoria, identidade e direito à existência.

O projeto nasceu em 2021, durante a pesquisa de Negreiro sobre a tragédia “E os Cães se Calavam”, de Aimé Césaire, publicada na coletânea “As Armas Milagrosas”. Posteriormente, esse trabalho passou a dialogar com o clássico “Seis Personagens à Procura de um Autor”, de Luigi Pirandello.

Na adaptação, as seis personagens originais de Pirandello são substituídas por figuras presentes na obra de Césaire — o Rebelde, a Mãe e o Coro — representadas como funcionários de um teatro. Mais do que personagens ficcionais, elas surgem como corpos negros que reivindicam o direito de existir, ocupar a cena e narrar suas próprias histórias.

A encenação também se destaca pelo trabalho de iluminação, concebido por Matheus Brant, indicado ao Prêmio Shell de Teatro na categoria Iluminação. O desenho de luz organiza o espaço cênico a partir de um cubo luminoso central, que simboliza a separação entre centro e margem.

No interior desse cubo permanecem o Primeiro Ator e a Primeira Atriz, representações alegóricas da branquitude. Do lado de fora estão os funcionários negros do teatro, inspirados nas personagens de Césaire, que operam o espaço e buscam atravessar essa fronteira simbólica.

Sem cenário fixo, a montagem utiliza apenas um carpete e poucos adereços, fazendo da iluminação o principal elemento visual e narrativo. O resultado é um espetáculo que transforma o palco em um espaço de conflito, questionamento e resistência, propondo uma reflexão sobre quem tem o direito de ocupar a cena, contar histórias e existir plenamente.

  • Acessível para cadeirantes
  • Gratuito
  • Maiores de 14 anos

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