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Última modificação junho 30, 2026

Cia. Armazém apresenta “Dias Felizes”

Peça de Samuel Beckett explora o equilíbrio frágil entre o contentamento e o desespero

"Dias Felizes", montagem da Armazém Companhia de Teatro. Foto: João Gabriel Monteiro

Informações

  • Data de inicio e término

    25/06/2026 até 19/07/2026

  • Dias da semana e horários

    De quinta a sábado, às 20h | Sextas, também às 16h | Domingos, às 18h

  • Endereço

    R. Clélia, 93 - Água Branca

    Ver no mapa
  • Valores

    R$ 70 (inteira), R$ 35 (meia-entrada) e R$ 21 (credencial plena)

Mais detalhes

“Dias Felizes”, de Samuel Beckett, retorna aos palcos pela Armazém Companhia de Teatro, em uma temporada realizada no Sesc Pompeia. A peça explora, com ironia mordaz, o equilíbrio frágil entre o contentamento e o desespero.

Neste clássico do século 20, a condição humana é exposta com brutalidade e sarcasmo, revelando como nos agarramos a rituais e memórias para suportar a passagem do tempo.

Sob a direção de Paulo de Moraes, a montagem ressignifica a jornada de Winnie (interpretada por Patrícia Selonk), explorando a camada fina que separa o otimismo da resignação. Enterrada até a cintura – e depois até o pescoço – Winnie encontra em seus pequenos rituais a última linha de defesa contra o colapso. Entre o sino estridente que pontua seu dia como um despertador sem trégua e o sol impiedoso que derrete qualquer noção de tempo, ela se apega ao conteúdo de sua bolsa espaçosa.

Willie, seu companheiro enigmático e silencioso, é interpretado em dias alternados por Felipe Bustamante, Isabel Pacheco e Jopa Moraes. Na concepção da Armazém, Willie não é apenas um espectador passivo da decadência de Winnie, mas um parceiro de cena improvável – ora cúmplice silencioso, ora um lembrete incômodo de que até a solidão pode ter companhia. 

Beckett definiu Winnie como “um pássaro com óleo em suas penas”, uma criatura do ar condenada a uma existência terrestre. Sua luta não é apenas pessoal, mas também coletiva. Se, no passado, a paisagem desolada da peça remetia à catástrofe nuclear, hoje ela ressoa com a paisagem ressecada do aquecimento global. A crise existencial do eu se funde à crise da espécie – e talvez do planeta. (Paulo de Moraes)

 Na montagem, o humor ácido de Beckett ganha relevo, revelando-se nas repetições obstinadas de Winnie, em seu otimismo inabalável diante do absurdo e na própria mecânica implacável do tempo. Entre o riso e a ruína, a peça constrói um jogo cruel e fascinante, onde cada palavra dita ressoa como um eco entre a esperança e o delírio.

 Os ingressos estão disponíveis na Central de Relacionamento Digital ou em qualquer unidade do Sesc SP.

  • Acessível para cadeirantes
  • $
  • Maiores de 12 anos

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