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Última modificação março 27, 2026

Conheça teatros históricos da capital paulista

No ‘Dia Mundial do Teatro’, guia apresenta 12 espaços icônicos de São Paulo dedicados às artes cênicas

Fachada do Teatro Cultura Artística. | Foto: Nelson Kon / Divulgação

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    Comemorado em 27 de março, o Dia Mundial do Teatro foi instituído em 1961, pelo Instituto Internacional de Teatro (ITI). A data foi fixada no ano seguinte, na abertura da temporada do Teatro das Nações (1879-1898 e 1957-1967), em Paris.

    Em 2023, o local foi rebatizado como Théâtre de la Ville – Sarah-Bernhardt.

    A celebração foi pensada como uma maneira de valorizar essa forma de arte, e vários eventos teatrais, nacionais e internacionais, são organizados para marcar a ocasião.

    Um deles é a divulgação da “Mensagem do Dia Mundial do Teatro”, feita por um artista relevante para as artes cênicas, à convite do ITI.

    A cada ano, o escolhido compartilha suas reflexões sobre o tema “O Teatro e a Cultura da Paz”. A primeira mensagem, em 1962, foi escrita por Jean Cocteau e, neste ano, ela ficou sob a responsabilidade do ator Willem Defoe. A versão do texto em português está disponível neste link.

    Aproveitando a data comemorativa, o Viva a Cidade elaborou um guia com os teatros históricos da cidade de São Paulo. São espaços que receberam montagens de grande importância para a cultura nacional, e que funcionaram como espaços de resistência a regimes políticos autoritários.

    Neles, artistas de renome nacional e internacional apresentaram seus talentos e desafiaram as noções pré-estabelecidas da linguagem teatral, criando espetáculos genuinamente brasileiros. Conheça esses lugares tão especiais a seguir:

    Teatro Anchieta

    Localizado no primeiro endereço escolhido para a construção de uma unidade do Serviço Social do Comércio de São Paulo (Sesc-SP), o Sesc Consolação, esse teatro foi inaugurado em 1967, sob o nome Centro Cultural e Desportivo Carlos de Souza Nazareth.

    O edifício foi projetado pelo arquiteto Ícaro de Castro Mello, com a colaboração do cenógrafo e figurinista Aldo Calvo e do artista plástico Burle Marx – este último também responsável pela famosa cortina, que separa o público do palco.

    A cortina de Burle Marx, no auditório do Teatro Anchieta. | Foto: Yghor Boy / Sesc Consolação

    O Teatro Anchieta alcançou notoriedade na cena paulistana a partir de 1982, quando o Grupo Pau Brasil, liderado por Antunes Filho, foi convidado para compor as ações artístico-culturais da unidade.

    Essa parceria deu origem ao Centro de Pesquisa Teatral (CPT), responsável por formar mais de mil profissionais de artes cênicas, sejam atores, dramaturgos, cenógrafos e iluminadores.

    A primeira montagem do grupo no local, depois da fundação do CPT, foi “Romeu e Julieta”, em 1984.

    Até hoje, ele conta com curadoria criteriosa, recebendo espetáculos que vão desde clássicos até obras contemporâneas. Pelo palco do Teatro Anchieta passaram grandes artistas nacionais, como Fernanda Montenegro, Bibi Ferreira (1922-2019) e Raul Cortez (1932-2006).

    Teatro Anchieta (Sesc Consolação)
    @sescconsolacao e @cptsesc
    R. Dr. Vila Nova, 245 – Vila Buarque
    Veja a programação aqui

    Teatro de Arena Eugênio Kusnet

    Muitos teatros históricos de São Paulo nasceram a partir de grupos de teatro e, só depois, deram origem a edifícios, às vezes, após a dissolução dos conjuntos. Este é o caso do Teatro de Arena Eugênio Kusnet.

    O grupo Teatro de Arena foi fundado em 1953, com a peça “Esta Noite é Nossa”, de Stafford Dickens.

    Apresentando obras de baixo custo, os artistas queriam oferecer uma alternativa à maneira como se fazia teatro naquela época, com produções luxuosas, como as do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). 

    Depois de um período atuando em espaços improvisados, eles chegaram ao endereço na rua Theodoro de Baima, em frente à Igreja da Consolação, em um lugar que já tinha sido uma garagem.

    Ele foi reformado e se tornar a sede do grupo de teatro, aberta em 1955. 

    Interior do Teatro de Arena. | Foto: Sergio Brisola

    Um nome importante para o Teatro de Arena foi o carioca Augusto Boal, que fez parte do grupo de 1956 a 1970. Ele priorizou a dramaturgia nacional e incentivou a nacionalização dos clássicos.

    Já o dramaturgo Gianfrancesco Guarnieri, egresso do Teatro Paulista do Estudante (TPE), deu mais visibilidade ao grupo: sua primeira peça, “Eles não Usam Black-tie”, estreou em 1958 e ficou um ano em cartaz, devido ao sucesso de público.

    Graças à liderança de Boal e à experiência com Guarnieri, foram criados os “Seminários de Dramaturgia”, que visavam revelar e expor a produção de novos autores brasileiros, dentre eles, Oduvaldo Vianna Filho.

    Em seu auge, o grupo fez espetáculos que retratavam a realidade social do país, mostrando problemas de forma acessível às classes populares.

    Essa característica refletia uma formação marcada pela presença de estudantes, militantes políticos e outros sujeitos ligados aos ativos movimentos sociais da época.

    Entrada do Teatro de Arena. | Foto: Alessandra Haro / Memorial da Resistência de São Paulo

    Depois do golpe militar de 1964, Boal dirigiu o espetáculo “Opinião” no Rio de Janeiro, que pretendia criar um foco de resistência política valendo-se da arte.

    A partir dessa experiência, o Teatro de Arena iniciou uma fase de peças de teatro musicais, sob a influência do Teatro Épico de Bertolt Brecht. Sob a direção de Boal e com texto de Guarnieri foram montados: “Arena conta Zumbi” (1965) e “Arena conta Tiradentes” (1966).

    A repressão da ditadura militar e a assinatura do Ato Institucional nº 5 (AI-5) impediram a continuidade dessas experiências.

    O Teatro de Arena ainda chegou a trabalhar com a linguagem do Teatro Jornal, até ter sua trajetória interrompida pela ditadura, em 1972.

    O edifício foi reaberto em 1977, depois de ser adquirido pelo governo federal, por meio do Serviço Nacional de Teatro (SNT), e incorporado ao patrimônio da Fundação Nacional de Artes (Funarte).

    Teatro de Arena Eugênio Kusnet
    @teatrodearena
    R. Dr. Teodoro Baima, 94 – Vila Buarque
    Veja a programação aqui

    Teatro Brasileiro de Comédia (TBC)

    Localizado na região da Praça da República, o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) está fechado desde 2008.

    O edifício, que pertencia à Funarte, foi adquirido pelo Sesc-SP no final de 2022, com a finalidade de ser transformado em mais uma unidade do grupo.

    As obras de reforma estão previstas para serem finalizadas no segundo semestre de 2028, mas ainda não se sabe se a entidade vai manter o propósito de abrigar uma casa de espetáculos, ou se terá espaços para outras atividades, comuns nos centros do Sesc.

    O prédio foi construído e inaugurado em 1948, pelo industrial italiano Franco Zampari. A estrutura do edifício era considerada luxuosa para os padrões da época, com duas salas de ensaio, sala de leitura, oficina de carpintaria e marcenaria e almoxarifado, além de contar com equipamentos modernos de iluminação e som.

    Duas peças marcaram a abertura do TBC: “A Voz Humana”, de Jean Cocteau, um monólogo declamado em francês por Henriette Morineau; e “A Mulher do Próximo”, de Abílio Pereira de Almeida.

    Foi graças à fundação do TBC que os palcos paulistanos conheceram Cacilda Becker, uma das melhores atrizes brasileiras de todos os tempos.

    Fachada do TBC, na Bela Vista. | Foto: Sesc-SP

    Até 1964, sediou uma companhia teatral homônima, nascida com o objetivo de ser um espaço para teatro amador. Mas, logo no ano seguinte, Zampari entendeu que era necessária a profissionalização do grupo.

    Esse processo incluiu a contratação de um grupo de encenadores estrangeiros, como o italiano Adolfo Celi, seu primeiro diretor artístico.

    Com o passar dos anos, muitos artistas fizeram parte do elenco do TBC, a maioria com grande reconhecimento no teatro brasileiro, como Sérgio Cardoso, Paulo Autran, Tônia Carrero, Cleyde Yáconis, Walmor Chagas, Nydia Licia, Fernanda Montenegro e Fernando Torres.

    Em 1960, após uma crise financeira, Zampari entregou a gestão do teatro e da companhia a uma administradora jurídica, denominada Sociedade Brasileira de Comédia.

    Sob a direção artística de Flávio Rangel, o grupo passou por uma ‘fase nacionalista’, cuja primeira montagem foi “O Pagador de Promessas” (1960), de Dias Gomes.

    Mesmo sob nova direção, o TBC não conseguiu superar as dificuldades financeiras constantes, e encerrou as atividades da companhia em 1964.

    Teatro Brasileiro de Comédia
    R. Maj. Diogo, 315 – Bela Vista

    Teatro Cultura Artística

    Inaugurado em 1950, o Teatro Cultura Artística foi criado para ser a sede da Sociedade Cultura Artística e abrigar seus espetáculos.

    No evento de abertura, realizado nos dias 8 e 9 de março daquele ano, Heitor Villa-Lobos e Camargo Guarnieri se revezaram na regência da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp).

    A Sociedade de Cultura Artística surgiu décadas antes, em 1912, a partir de saraus realizados nas casas de membros da elite econômica e cultural paulistana.

    Com o tempo, o grupo sentiu a necessidade de expandir suas produções culturais, o que levou à criação da sociedade.

    Auditório principal do Teatro Cultura Artística. | Foto: Nelson Kon / Divulgação

    O edifício foi projetado por Rino Levi e exibe, em sua fachada, o maior afresco existente de Di Cavalcanti, com 48 metros de largura e oito metros de altura. 

    Devido a suas características inovadoras em acústica, visibilidade e integração com as artes, o local é considerado um marco na história da arquitetura moderna brasileira e uma das melhores salas de concerto do país.

    Localizado do lado da Praça Roosevelt, o teatro desempenhou papel importante na história cultural da cidade: recebeu diversas atividades artísticas e intelectuais, que marcaram as produções paulistanas, principalmente em relação às artes dramáticas.

    O Cultura Artística sofreu um incêndio em 17 de agosto de 2008, que o destruiu parcialmente. Por ser feito em mosaico de vidro, o afresco de Di Cavalcanti não foi destruído, passando por um processo amplo de restauro.

    Após longos anos em reforma, ele foi reinaugurado em 2024.

    Teatro Cultura Artística
    @culturaartistica
    R. Nestor Pestana, 196 – Consolação
    Veja a programação aqui
    

    Teatro Maria Della Costa

    Fundado em 1954 pela atriz Maria Della Costa e pelo empresário Sandro Polônio, o teatro foi projetado por Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. O primeiro espetáculo apresentado no local foi “O Canto da Cotovida”, de Jean Anouhil, com direção de Gianni Ratto.

    A companhia de Maria Della Costa foi uma das principais responsáveis pela implementação do teatro profissional no país.

    Durante o período de profissionalização, o grupo ajudou várias mulheres a terem uma projeção excepcional na cena teatral, levando-as a serem reconhecidas como ‘estrelas’. É por isso que elas emprestaram o prestígio de seus nomes a diversas companhias artísticas. 

    Teatro Maria Della Costa, na rua Paim. | Foto: Alessandra Haro / Memorial da Resistência de SP

    Ao longo de sua existência, o grupo também enfrentou problemas com a censura, por montagens de peças de conteúdo político, ou escritas por autores visados pelo regime militar.

    Por se posicionar contra a restrição da liberdade de expressão, a companhia esteve entre aquelas que foram olhadas com desconfiança pela ditadura.

    Também foi marcante para a história desse teatro a estreia da montagem paulistana de “Trair e Coçar é Só Começar”, em 24 de agosto de 1989.

    Sob a direção de Atílio Riccó, a comédia farsesca de Marcos Caruso foi a peça brasileira que ficou mais tempo em cartaz, 33 anos, com registro no “Guinness World Records”. Além disso, o espetáculo revelou a atriz Denise Fraga.

    Teatro Maria Della Costa
    @teatromariadellacosta
    R.  Paim, 72 – Bela Vista
    Veja a programação aqui

    Theatro Municipal

    Cartão postal da cidade, o Theatro Municipal de São Paulo foi inaugurado em 12 de setembro de 1911, com projeto arquitetônico inspirado na Ópera de Paris, desenhado por Ramos de Azevedo, Claudio Rossi e Domiziano Rossi

    O local foi palco de eventos decisivos para a cultura brasileira, como a “Semana de Arte Moderna”, realizada de 11 a 18 de fevereiro de 1922, 11 anos depois de sua abertura.

    Também chamado de “Semana de 22”, o festival modernista envolvia apresentações de música, poesia e palestras sobre a modernidade no Brasil e no mundo.

    Participaram dele nomes consagrados nas artes, como Graça Aranha, além de figuras que se tornaram os grandes expoentes do movimento, como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Menotti Del Picchia, Di Cavalcanti, Víctor Brecheret e Heitor Villa-Lobos.

    Fachada do Theatro Municipal de São Paulo. | Foto: vbacarin / Getty Images

    O Municipal foi concebido para ser a principal casa de ópera do país, mas também costuma sediar espetáculos de dança e concertos.

    Ao longo de sua história, recebeu artistas brasileiros e internacionais que se tornaram referência em seus campos de atuação. Entre eles, destacam-se Maria Callas, Duke Ellington, Ella Fitzgerald, Rudolf Nureyev e Mikhail Baryshnikov.

    Espetáculos teatrais também têm espaço na programação do Municipal, por meio do programa “Teatro no Theatro”.

    Theatro Municipal de São Paulo
    @theatromunicipal
    Pç Ramos de Azevedo, s/nº –  República
    Veja a programação aqui

    Teatro Oficina Uzyna Uzona

    A Companhia Teatro Oficina foi fundada em 1958, por estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP), entre eles, José Celso Martinez Corrêa. 

    Ainda que ‘Zé Celso’ tenha se tornado o grande nome ligado ao local, por ter sido diretor artístico e líder da companhia, outros grandes nomes do teatro brasileiro participaram de sua criação, incluindo Amir Haddad, Etty Fraser e Renato Borghi.

    Inicialmente amador, o grupo se profissionalizou em 1961. Naquele mesmo ano, abriu sua sede na Rua Jaceguai, no Bixiga (região central).

    O edifício já tinha sido ocupado pelo Teatro Novos Comediantes, e possuía um palco italiano – bem comum naquele momento.

    Em 1966, um curto-circuito deu origem a um incêndio, que destruiu todo o prédio. Depois disso, a companhia convidou Lina Bo Bardi para projetar o novo espaço, dando origem ao Oficina como é até hoje: uma grande passarela cercada por arquibancadas erguidas em andaimes, com um jardim interno.

    Interior do Teatro Oficina, no Bixiga. | Foto: Nelson Kon / Divulgação

    A companhia é conhecida pela experimentação e renovação da linguagem teatral.

    Um de seus espetáculos mais icônicos, “O Rei da Vela”, encenado em 1967, foi a primeira montagem do texto que Oswald de Andrade escreveu 1933.

    A peça misturava técnicas de Stanislavski, Brecht e de teatro de revista, dando origem a um novo ‘fazer teatral’. Há quem diga que o espetáculo tenha sido um dos impulsionadores do movimento tropicalista.

    Mas, além de questões artísticas, a companhia e o teatro ficaram conhecidos por outra polêmica: por décadas, disputaram o terreno ao redor do prédio com o Grupo Sílvio Santos.

    Enquanto a empresa de comunicação propunha a construção de um shopping (e, depois, duas torres residenciais), bem ao lado do teatro, o Oficina desejava transformar o espaço em um parque.

    O grupo receava que a implementação das torres descaracterizaria o projeto original de Lina Bo Bardi (que tem paredes de vidro, com vista para o Bixiga) e inviabilizaria suas atividades.

    Foi apenas em 2023, após a morte de Zé Celso, que a Prefeitura de São Paulo efetivou um acordo com o Ministério Público e com o Grupo Silvio Santos, para desapropriar o terreno e estabelecer ali o Parque Municipal do Rio Bixiga.

    Teatro Oficina Uzyna Uzona
    @oficinauzynauzona
    R. Jaceguai, 520 – Bela Vista
    Veja a programação aqui
    

    Assim como o Oficina, este grupo também foi fundado por alunos da Faculdade de Direito da USP, participantes do Centro Acadêmico 11 de Agosto.

    Batizado originalmente como Teatro do Onze, o grupo apresentou sua primeira peça, “O Evangelho Segundo Zebedeu”, de César Vieira, em 1966.

    Sob a direção de Silnei Siqueira, o espetáculo foi encenado em um circo montado no Parque Ibirapuera. Seu nome atual surgiu na virada de 1972 par a1973, com a peça “Rei Momo”.

    Desde então, o Teatro Popular União e Olho Vivo (TUOV) tem se dedicado ao teatro popular brasileiro, com sessões voltadas a comunidades carentes da Grande São Paulo.

    É um dos grupos não profissionais mais antigos do país, conhecido por praticar a tática “Robin Hood”: revertia a renda obtida pela venda de ingressos para o público de classe média para apresentações gratuitas em bairros da periferia.

    Grupo Teatro Popular União e Olho Vivo, durante ensaio. | Foto: Arquivo Público do Estado de São Paulo

    O TUOV recorre com frequência ao folclore para ambientar enredos, discutindo cenicamente a luta de luta de classes ao sugerir a organização popular como alternativa de sobrevivência.

    Durante a ditadura, por transmitir mensagens em defesa de interesses das classes oprimidas, o grupo sofreu tanto com a censura de suas peças quanto com a prisão de integrantes.

    Desde 1985, conta com sede em um galpão, no número 766 da Rua Newton Prado, no bairro do Bom Retiro. Entretanto, ela está na mira da demolição: o decreto nº 64.951 da Prefeitura de São Paulo, assinado em 5 de fevereiro deste ano, inclui o terreno entre uma das áreas visadas para a implantação do projeto “Apoio Urbano Sul – Boulevard Marquês de São Vicente”, conforme foi divulgado pelo grupo em uma postagem, em seu perfil no Instagram.

    Teatro Popular União e Olho Vivo
    @teatropopularuniaoeolhovivo
    R. Newton Prado, 766 - Bom Retiro
    Veja a programação aqui

    Teatro Renault

    Inaugurado em 1929, como Cine Theatro Paramount, o edifício na avenida Brigadeiro Luís Antônio foi o primeiro cinema sonoro da América Latina. O primeiro filme exibido no local foi “O Patriota”, de Ernst Lubitsch.

    Sua importância para a cena cultural foi confirmada na década de 1960, ao sediar o “Festival de Música Popular Brasileira”, transmitido pela TV Record.

    O teatro também recebeu o evento em 1967, tendo Edu Lobo e Marília Medalha como os vencedores da edição, pela música “Ponteio”.

    Outros destaques dessa edição foram as canções “Domingo no Parque”, colaboração de Gilberto Gil com Os Mutantes, e “Alegria, Alegria”, de Caetano Veloso; que ficaram em segundo e quarto lugar, respectivamente. 

    Fachada do Teatro Renault, na região central de SP. | Foto: Dornicke / Wikipedia Commons

    Um incêndio atingiu o teatro em 13 de julho de 1969, e o local foi recuperado nos anos 1970. Em situação decadente, foi fechado em 1996 e, em 2001, as instalações foram recuperadas pelo Grupo Abril, que o rebatizou com o nome da empresa.

    Desde sua reinauguração, o espaço recebeu diferentes musicais oriundos da Broadway e do West End, servindo como pontapé inicial para popularizar o gênero na capital.

    Apenas em janeiro de 2025 o, agora, Teatro Renault, abriu suas portas para a temporada de um musical original brasileiro, “Clara Nunes, a Tal Guerreira” (que havia estreado em 2024, no Teatro Bravos, em Pinheiros). E, em janeiro deste ano, a casa estreou a primeira temporada de um musical brasileiro, “A Ópera do Malandro”. Ambos os espetáculos foram produzidos pela Palco7 Produções e Solo Entretenimento, sob a direção de Jorge Farjalla.

    Teatro Renault
    @t4f
    Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411 – República
    Veja a programação aqui

    Teatro Ruth Escobar

    Localizado na rua dos Ingleses, na Bela Vista, o teatro fundado em 1963 leva o nome da atriz e antiga proprietária do terreno onde o prédio foi erguido.

    A peça inaugural foi “A Ópera dos Três Vinténs”, de Bertolt Brecht, sob a direção de José Renato Pécora.

    Diversos espetáculos encenados neste local marcaram a cena teatral paulista, como “Roda Viva”, de Chico Buarque, “Feira Paulista de Opinião”, “Revista Henfil” e “Fábrica de Chocolate”, de Mário Prata.

    Fachada do Teatro Ruth Escobar, na Bela Vista. | Foto: Felipe Cruz / Getty Images

    Com muitas peças de cunho político exibidas durante a ditadura militar, o teatro teve problemas com a censura, atraindo também a atenção da repressão e de grupos reacionários.

    Durante a temporada de “Roda Viva”, o Teatro Ruth Escobar foi invadido pelo Comando de Caça os Comunistas (CCC), que espancou o elenco e destruiu o espaço. Por manter-se na defesa da liberdade artística e de expressão, o local foi considerado um símbolo da resistência à ditadura.

    Teatro Ruth Escobar
    @teatroruthescobar.oficial
    Rua dos Ingleses, 209 – Morro dos Ingleses
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    Theatro São Pedro

    É o segundo teatro mais antigo da capital paulista, atrás apenas do Municipal. Foi construído por Manuel Fernandes Lopes e inaugurado em 20 de janeiro de 1917, com a peça “A Moreninha”.

    De 1920 a 1967, o Theatro São Pedro funcionou como cinema, com raras apresentações teatrais. Voltou a ser uma casa de espetáculos quando Maurício e Beatriz Segall arrendaram o local.

    Inicialmente voltada para música, a programação foi logo substituída por teatro, a partir da montagem de “Os Fuzis da Sra. Carrar”, de Bertolt Brecht, realizada pelo Teatro da Universidade de São Paulo (Tusp), sob a direção de Flávio Império.

    Mesmo com a decretação do AI-5, seus administradores ofereciam ao público espetáculos de cunho social, como “Marta Saré”, de Gianfrancesco Guarnieri e Edu Lobo, e “Morte e Vida Severina”, encenada pela companhia de Paulo Autran.

    Apesar das montagens bem-sucedidas, problemas financeiros e internos ao grupo levaram Segall a alugar a grande sala do teatro ao governo do Estado, desistindo de fazer produções próprias.

    A partir de 1974, o espaço virou sede da Osesp, então sob a direção do maestro Eleazar de Carvalho.

    Fachada do Theatro São Pedro, na região central. | Foto: Dornicke / Wikipedia Commons

    No final dos anos 1970, o teatro foi sublocado para grupos variados e recebeu montagens marcantes, como “Macunaíma”, uma adaptação da obra de Mário de Andrade, sob a direção de Antunes Filho.

    Outros destaques foram a primeira adaptação paulistana de “Ópera do Malandro”, dirigida por Luis Antônio Martinez Corrêa, e “Calabar”, dirigida por Fernando Peixoto.

    Em 1981, o teatro entrou em uma fase de abandono. Felizmente, no mesmo ano, o governo estadual iniciou seu processo de tombamento, concluído em 1984.

    Ele foi reaberto ao público em 1998 e, aos poucos, a ópera passou a ter prioridade na programação.

    Em 2010, foi fundada a Orquestra do Theatro São Pedro, transformando o edifício em uma verdadeira casa de óperas, recebendo tanto obras de repertório tradicional como novos compositores.

    Atualmente, sob a gestão da Santa Marcelina Cultura, o local também dá espaço para apresentações estudantis.

    Theatro São Pedro
    @theatrosaopedro
    R. Barra Funda, 171 – Barra Funda
    Veja a programação aqui

    Sala São Paulo

    Hoje um espaço destinado a concertos, a Sala São Paulo surgiu como a estação ferroviária Júlio Prestes – e parte do edifício ainda funciona como estação da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

    Sua construção foi concluída em 1938, porém, a estação passou por um período de declínio, sendo abandonada na década de 1950.

    Nos anos 1990, o governador Mário Covas restaurou a estação e a converteu em uma sala de concertos, atendendo a um pedido de John Neschling, então regente da Osesp.

    A sala foi inaugurada em 9 de julho de 1999, ao som da “Sinfonia nº 2”, de Gustav Mahler, também intitulada “Ressureição”.

    Ainda quanto às obras, ao mesmo tempo em que o espaço foi adaptado em sala de concertos, muitas de suas características arquitetônicas originais foram preservadas.

    Fachada da Estação Julio Prestes, onde fica a Sala São Paulo. | Foto: Alfribeiro / Getty Images

    A reforma contou com a consultoria da empresa estadunidense Artec, para a qualidade acústica, que sugeriu a utilização de um forro móvel, capaz de moldar o pé direito da sala de acordo com as necessidades de cada apresentação.

    Essa é uma das características marcantes da Sala São Paulo, reconhecida como um dos espaços de concerto com a melhor acústica do mundo.

    Sala São Paulo
    @salasaopaulo_
    Pç. Júlio Prestes, 16 – Campos Elíseos
    Veja a programação aqui

    Tuca

    Para todos os efeitos, o Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo tem dois nomes: o oficial e Tibiriçá.

    Esse último tinha sido escolhido inicialmente, mas foi ofuscado por cartazes, espalhados por todo o complexo educacional, que anunciavam “O Tuca vem aí”, na inauguração, em 1965. Na época, a sigla “Tuca” fazia referência ao Grupo de Teatro dos Universitários da Católica, fundado em 1961. Essa ocorrência redefiniu o nome do espaço, e Tuca foi efetivado em 1970. 

    Nesse mesmo ano, o Grupo Tuca foi dissolvido. Ele tinha sido criado com o intuito de oferecer eventos culturais em espaços universitários, para a população de baixa renda da cidade.

    Já o edifício foi erguido para atender à necessidade da própria universidade, que precisava de um espaço para realizar palestras, conferências e reuniões estudantis.  

    Fachada do Teatro Tuca, em Perdizes. | Foto: Divulgação

    A primeira peça exibida no espaço foi “Morte e Vida Severina”, um auto natalino escrito por João Cabral de Melo Neto. A montagem foi realizada pelo Grupo Tuca. Ainda que já houvesse montagens do texto do escritor, esta montagem, dirigida por Silnei Siqueira, foi a responsável por torná-la um clássico do teatro brasileiro. Esse também foi um dos eventos que revelou os talentos de Chico Buarque, responsável pela orquestração das canções.

    Durante a ditadura militar, o teatro serviu de espaço para manifestações artísticas contra a repressão do regime. Além de espetáculos teatrais, eram apresentados shows internacionais e nacionais, festivais de música, congressos científicos e conferências.

    Tuca
    @tuca.pucsp
    R. Monte Alegre, 1024 – Perdizes
    Veja a programação aqui
    

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    Foto de perfil do colaborador Pedro A. Duarte

    Pedro A. Duarte

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    Formado em Jornalismo pela FAAP. Especialista em Jornalismo Científico pelo Labjor Unicamp.