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Última modificação fevereiro 11, 2026

“Sizwe Banzi Está Morto” estreia no Galpão do Folias

Espetáculo reflete sobre a desumanização presente na segregação racial

Sizwe Banzi está morto Foto: Kim Leekyung

Informações

  • Data de inicio e término

    26/02/2026 até 29/03/2026

  • Dias da semana e horários

    De quinta a sábado, às 20h | Domingos, às 19h

  • Endereço

    Rua Ana Cintra, 213 - Campos Elíseos

    Ver no mapa
  • Valores

    R$ 20 (inteira) | R$ 10 (meia)

Mais detalhes

A peça “Sizwe Banzi Está Morto”, escrita por Athol Fugard, John Kani e Winston Ntshona em 1972, ganha nova montagem em São Paulo, no Galpão do Folias. O espetáculo aborda as injustiças do regime do apartheid na África do Sul e propõe uma reflexão sobre a opressão à população negra, tema que permanece atual.

Idealizada e protagonizada por Réggis Silva, a montagem reúne o ator Carlos Francisco, premiado como melhor ator no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de 2023 por “Marte Um”, e a direção de Ricardo Rodrigues, responsável pelo espetáculo “Prot{agô}nistas – O Movimento Negro no Picadeiro”. A trilha sonora é assinada pelo rapper Rincon Sapiência. Ao todo, serão 20 apresentações, sendo duas com recursos de acessibilidade, como libras e audiodescrição.

A encenação retoma o estilo narrativo da África Ocidental, inspirado nos djélis ou griôs — guardiões da memória e da tradição oral de seus povos.

De acordo com Réggis Silva, o foco da montagem está na atuação e na força da palavra.

“Queremos destacar o poder das palavras, por isso optamos por um cenário enxuto, com elementos multiuso, que não desviem a atenção da interpretação”, afirma o ator.

A trama acompanha Sizwe Banzi, um homem negro que, em meio às rígidas leis do apartheid, é pressionado a abandonar sua própria identidade para sobreviver. Em um estúdio fotográfico na cidade de Porto Elizabeth, ele decide assumir a identidade de um homem morto, Robert Zwelinzima, na tentativa de garantir trabalho e sustento para sua família. A escolha expõe os dilemas de quem vive sob um sistema que nega direitos básicos e a própria humanidade.

Para o idealizador do projeto, a história vai além da luta individual.

“É um retrato da batalha permanente pela dignidade em uma sociedade racista. A segregação ainda está presente no cotidiano, em todos os espaços”, diz Réggis Silva.

O espetáculo foi contemplado pelo edital Fomento CULTSP PNAB nº 22/2024 e propõe um olhar brasileiro sobre o apartheid, ressaltando como os efeitos da segregação racial continuam a marcar sociedades ao redor do mundo.

Atividades paralelas

Além do espetáculo, o projeto prevê bate-papos entre o público e o elenco sobre o processo criativo e temas artísticos, narrativos, históricos e sociais relevantes à obra.

Outra atividade é a oficina de formação Teatralidades Negras, ministrada pelo historiador e doutor em História Salloma Salomão. Serão disponibilizadas 50 vagas para um público diverso.

Nos encontros, guiados pelas obras de Leda Maria Martins e Adriana Paixão, serão debatidos temas como a exploração da negritude, a análise de obras de artistas negros, as performatividades afrodiaspóricas e o estudo dos teatros negros e suas teatralidades, culminando em uma discussão sobre dramaturgias negras contemporâneas.

 

  • Acessível para cadeirantes
  • $
  • Maiores de 14 anos

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