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Última modificação janeiro 15, 2026

Cinemas de rua: charme, história e sessões especiais

Conheça 12 salas de exibição que ficam fora de shoppings, resistem ao tempo e têm programação variada

Fachada do cinema Marabá. Foto: Estevam / WIkipedia Commons

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    Queridinhos da cinefilia paulistana, os cinemas de rua são mais que espaços para a exibição de filmes. Alguns estão em edifícios históricos ou até fazem parte da história da cidade.

    De espaços aconchegantes, ideais para um encontro romântico, a novidades descoladas, muitos desses lugares têm preços acessíveis e participam de grandes eventos cinematográficos como festivais e lançamentos.

    Conheça, a seguir, 12 cinemas de rua espalhados pela capital paulista:

    1. Cine Belas Artes

    Localizado no bairro da Consolação, quase na esquina da rua da Consolação com a avenida Paulista, o espaço onde hoje é o REAG Belas Artes funciona como um local de exibição de filmes desde 1943, quando seu nome ainda era Cine Ritz. A partir de 1948, passou a ser chamado de Cine Trianon. 

    Em 1952, iniciou-se a construção do projeto conhecido hoje, feito por Giancarlo Palanti. A construção, utilizando traços modernistas, terminou em 1954.

    Na época, o espaço tinha apenas uma sala com capacidade para 1.400 pessoas. Uma década mais tarde, ele foi reformulado para se tornar o Cine Belas Artes, com abertura em 1967.

    O cinema passou a ter seis salas a partir de 1980, em um formato mantido até os dias atuais. Cada um desses espaços é batizado em homenagem a um artista que é referência para a cultura brasileira, como Leon Cakoff, Carmen Miranda, Rubens Ewald Filho, Helena Ignez, Luiz Carlos Merten e Léo Mendes.

    O Belas Artes foi fechado em 2011, devido à falta de investimentos. Em outubro de 2012, depois de um longo processo, a fachada e a entrada do edifício, compreendendo os primeiros quatro metros internos, foram tombados pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico), a fim de garantir a memória permanente  do cinema de rua.

    Em julho de 2014, com o apoio da Prefeitura de São Paulo e da Caixa Econômica Federal, foi reinaugurado como CAIXA Belas Artes, após uma reforma projetada pelo arquiteto Roberto Loeb. Entre idas e vindas de empresas apoiadoras, tornou-se REAG Belas Artes após um novo patrocínio, em 2024.

    Além da programação regular, o cinema promove, uma vez ao mês, o “Noitão”, quando exibe dois clássicos em sessões depois das 23h. Outros eventos recorrentes são o “Porão do Belas”, que exibe filmes de terror, e o “Belas Sonoriza”, no qual filmes são acompanhados de música ao vivo.

    Rua da Consolação, 2.423, Consolação
    (11) 2894-5781 | @reagbelasartes
    Conheça a programação aqui

    Fachada do cinema Belas Artes, na rua da Consolação, região central. | Foto: Reprodução

    2. Cineclube Cortina

    Um dos cinemas de rua mais ‘novinhos’ da capital paulista, o Cineclube Cortina surgiu em julho 2022, num espaço próximo à praça da República onde antes havia um estacionamento.

    A sala de exibição tem capacidade para 75 a 80 pessoas, oferecendo cadeiras dobráveis e uma arquibancada ao fundo. O nome veio da grande cortina vermelha com isolamento acústico, que traz o conforto e o clima de cinema.

    A seleção de filmes, elaborada quinzenalmente a partir de alguns temas, fica a cargo de Paulo Vidiz e da curadora cinematográfica Leticia Santinon. As escolhas variam entre clássicos e lançamentos, mas são sempre filmes que estão fora do circuito mainstream

    Além de cinema, o lugar também é bar, restaurante e casa de shows. Enquanto a sala de exibição fica no térreo, o bar e restaurante funcionam no andar de cima, com capacidade para 120 a 150 pessoas (a depender da configuração).

    Com cardápio assinado pelas chefs Daniela França Pinto e Fernanda Camargo, os preços dos pratos principais variam de R$ 38 a R$ 68.

    Já a carta de drinques, elaborada pela mixologista argentina Chula Barmaid, tem itens inspirados em releituras de bebidas que aparecem em grandes clássicos do cinema.

    Rua Araújo, 62, República
    @cineclubecortina
    Veja a programação no Instagram ou neste link
    Cinema de Rua

    Fachada do Cineclube Cortina, na República (região central de SP). | Foto: Reprodução

    3. Cinemateca Brasileira

    A Cinemateca é, na verdade, uma instituição responsável pela preservação e promoção da produção audiovisual nacional, não um cinema.

    Fundada em 1946, desenvolve atividades de restauração e divulgação de seu acervo, que conta com mais de um milhão de documentos relacionados ao cinema nacional e estrangeiro, dos quais fazem parte filmes, fotografias, roteiros, livros, revistas e posters.

    A sede, localizada na Vila Clementino, fica num prédio erguido em 1887, que havia sido criado para abrigar um matadouro. O edifício foi tombado pelo Condephaat e o Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo), e cedido à instituição em 1988.

    No local, há duas salas de exibição, batizadas em homenagem a Grande Otelo e Oscarito, comediantes das chanchadas dos anos 1940 e 1950.

    Ambas são equipadas para a projeção dos diferentes formatos existentes no acervo da instituição, como a clássica película em 35 mm, até as tecnologias mais recentes de cinema digital. Sessões ao ar livre também são realizadas no jardim.

    Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Clementino
    (11) 5906-8125 | @cinemateca.brasileira
    Veja programação aqui

    Fachada da Cinemateca Brasileira, na região da Vila Mariana. | Foto: Divulgação

    4. Cine LT3

    Na região Oeste, é mais um cinema de rua  de criação recente, inaugurado em 2022, e fica em um espaço que, antes, funcionou como uma garagem.

    A pequena sala está localizada em Perdizes, no começo da ladeira da rua Apinajés, e seu proprietário, Carlos Costa, cuida de tudo — da pipoca à venda de ingressos pelo WhatsApp.

    Com capacidade para 35 pessoas, a programação dá destaque à produção nacional. Além disso, o espaço também abre suas portas para debates e trocas de ideias.

    R. Apinajés, 135, Perdizes 
    (11) 91679-5588| @cine_lt3
    Conheça a programação aqui

    Sala de exibição do Cine LT3, na zona Oeste. | Foto: Divulgação/Acervo do Cine LT3

    5. Cine Marquise

    Criado em 1963, sob o nome Cine Rio, é mais um cinema que fica nas imediações da avenida Paulista, desta vez, dentro do Conjunto Nacional. Em novembro de 1982, foi integrado ao circuito CineArte, recebendo o nome Cine Arte Um.

    Na época em que foi inaugurado, tinha apenas uma sala de exibição, com 500 lugares. Em 1995, o espaço foi reformulado e passou a ter duas salas.

    Enfrentou uma crise e quase fechou as portas, no início de 2003, mas a recuperação veio em 2005, juntamente com um novo nome: Cine Bombril. Só voltou a se chamar CineArte dez anos mais tarde e, entre 2018 e 2019, recebeu o patrocínio da Petrobrás.

    Ele foi reinaugurado como Cine Marquise, em 19 de outubro de 2021, em um momento mais que especial: foi um dos dez cinemas a sediar a abertura da “45ª Mostra Internacional de Cinema”, ao exibir “Noite Passada em Soho”, dirigido por Edgar Wright.

    Mais do que uma ação comemorativa à longevidade do festival cinematográfico, esta cerimônia de abertura, realizada em diversos espaços, celebrou a retomada do acesso ao espaço público após a quarentena e isolamento social devidos à pandemia da Covid-19, além da resistência das salas de cinema de todo o país.

    Hoje, o local conta com duas salas, sendo a maior com 370 lugares, e a menor, com 96.

    Av. Paulista, 2.073, Bela Vista
    @cinemarquise
    Consulte a programação aqui

    Entrada do Cine Marquise, no interior do Conjunto Nacional, na Paulista. | Foto: Divulgação/Yago Moreira

    6. Cine Olido | SPCine

    Criado em dezembro de 1957, foi o primeiro cinema de São Paulo a funcionar dentro de uma galeria e a disponibilizar a venda antecipada de ingressos, permitindo a escolha de poltronas.

    Além disso, já foi considerado um dos cinemas mais luxuosos da cidade. Mas, com a popularização dos shoppings centers, encerrou suas atividades em 2001, retomando-as em 2004, após o restauro de uma de suas salas, promovido pela prefeitura de São Paulo, sua atual gestora.

    Neste processo, toda a Galeria Olido se transformou em centro cultural.

    Av. São João, 473, Centro
    (11) 95640-8564 | @ccolido
    Veja a programação aqui

    Fachada da Galeria Olido, onde fica o Cine Olido. | Foto: Samantha / Wikipedia Commons

    7. Cinesala

    Localizado na rua Fradique Coutinho, em Pinheiros, este cinema nasceu em 1962, como Cine Fiammetta. Em 1989, depois de se tornar um espaço de exibição da Cinemateca, passou a exibir filmes clássicos e raros.

    A partir dos anos 2000, teve nomes de diversas marcas, até ser batizado como Cinesala, em 2014. Nesta reforma, os detalhes da arquitetura original do antigo prédio foram recuperados e preservados – como as colunas revestidas de pastilhas de vidro, assim como as paredes de tijolos de vidro. 

    O cinema conta com apenas uma sala de projeção e, ainda assim, o ambiente é amplo e confortável: as duas primeiras fileiras têm sofás, nos quais se pode ficar deitado para ver o filme.

    A programação é composta por obras mais populares e por longas que a empresa gestora considera autorais.

    R. Fradique Coutinho, 361, Pinheiros
    @cinesala
    Conheça a programação aqui

    Fachada da Cinesala, na zona Oeste. | Foto: Divulgação

    8. Cine Satyros Bijou

    Conhecido como o primeiro cinema de arte da cidade, o Bijou foi inaugurado em 1962 e teve um papel relevante na formação de gerações de cinéfilos, ao exibir filmes que desafiavam a censura durante a ditadura militar.

    Foi fechado em 1996, por falta de público. Poucos anos depois, em 1999, foi reinaugurado como Cine Teatro Recriarte Bijou, ao ser arrendado por uma escola de teatro fundada por Gabriel Castellani. O espaço encerrou as atividades cinematográficas em 2001, com o fim de um patrocínio.

    Até 2019, o Teatro do Ator funcionou naquele endereço que, na virada para 2020, estava na iminência de se transformar em uma igreja ou um bar.

    Foi então que, novamente, um grupo de artistas de teatro – dessa vez formado por Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, fundadores do grupo Os Satyros, abriu um cinema no local. Desta forma, o Cine Satyros Bijou iniciou suas atividades em 2022, atraso devido à pandemia.

    Praça Franklin Roosevelt, 172, Consolação
    @satyrosbijou
    Consulte a programação aqui

    Sala do Cine Satyros Bijou, no Centro. | Foto: Reprodução

    9. CineSesc

    Localizado na rua Augusta, este tradicional cinema de rua da capital paulista foi inaugurado em 1969, batizado como Cine Orly. Também chegou a ser chamado de Cinema 1, a partir de maio de 1975, quando esteve sob a gerência de Alberto Shatowsky.

    Passou a integrar o Sesc (Serviço Social do Comércio) em setembro de 1979. Desde então, oferece uma programação variada, seja de filmes comerciais ou alternativos, a preços convidativos.

    Com capacidade para 279 pessoas, o local é parceiro de diversos eventos cinematográficos da cidade, como a “Mostra Internacional de Cinema de São Paulo”. Anualmente, no primeiro semestre, organiza o “Festival Melhores Filmes do Sesc”, que apresenta as principais produções do ano anterior.

    R. Augusta, 2.075, Cerqueira César
    (11) 3087-0500 | @cinesescsp
    Veja a programação aqui
    Entrada CineSesc

    Fachada do CineSesc, na rua Augusta, nos Jardins. | Foto: Reprodução

    10. Espaço Augusta | Petrobrás

    Enquanto o Cinesesc fica na Rua Augusta à sudoeste da Avenida Paulista, no bairro Cerqueira César, o Espaço Augusta fica do outro lado da famosa via, no bairro Bela Vista.

    O primeiro cinema a ocupar este endereço foi o Cine Majestic em 1947. Assim como os demais estabelecimentos do gênero, já recebeu diferentes nomes: Majestic Cinerama (1967), Gaumont Majestic (1985), Espaço Banco Nacional de Cinema (1993) e Espaço Unibanco de Cinema – Augusta (1995).

    A partir de 2008, as três salas de projeção atendiam pelo nome de Espaço Itaú de Cinema e, no início de 2025, o conjunto foi rebatizado como Espaço Petrobrás de Cinema, por causa da mudança de patrocínio.

    Trata-se de um cinema moderno, com três salas (e um anexo charmoso, com mais duas salas do outro lado da rua), livraria e café. Dedicado a filmes experimentais e alternativos, o local também recebe filmes nacionais, sendo um dos principais responsável pela retomada do cinema brasileiro, no início dos anos 1990.

    R. Augusta, 1.475, Consolação
    @espacopetrobrasdecinema
    Saiba a programação aqui

    Saguão do Espaço Augusta. | Foto: Reprodução

    11. Playarte Multiplex Marabá

    Localizado na República, entre as avenidas Ipiranga e São João, o Cine Marabá foi fundado em maio de 1944, criado para ser um ambiente de luxo, que contava com apenas uma sala de mais de mil lugares.

    Em seus primeiros anos foram exibidas as primeiras produções da companhia cinematográfica Vera Cruz.

    Fez parte da chamada ‘Cinelândia Paulistana’ – circuito cultural vibrante, das décadas de 1930 e 1950, localizado no Centro da capital, no encontro das avenidas Ipiranga e São João, que concentrava mais de 30 salas de cinema.

    Ficou aberto até meados de 2007, por 63 anos ininterruptos, sendo a única sala do entorno a permanecer no circuito de exibição comercial.

    De propriedade da PlayArte, empresa brasileira que distribui e exibe filmes, ficou anos fechado, sendo reaberto em maio de 2009.

    Por se tratar de um edifício tombado pelo Patrimônio Histórico, além da reforma, o prédio passou por um processo de restauro, com projeto de renovação assinado por Ruy Ohtake.

    Desde então, o cinema conta com cinco salas, sendo que a maior tem capacidade para mais de 400 espectadores.

    Av. Ipiranga, 757, República
    (11) 5053-6996
    Veja a programação aqui
    

    Fachada do Cine Marabá, no Centro de São Paulo. | Foto: Estevam/WIkipedia Commons

    12. Reserva Cultural

    Localizado na Avenida Paulista, no Edifício Gazeta, da Fundação Cásper Líbero, este cinema foi fundado pelo francês Jean Thomas Bernardini, em 2005 com o intuito de exibir filmes independentes, que costumam ficar fora do circuito comercial. A programação também privilegia o cinema francófono.

    Além das salas de exibições, há uma livraria, a cafeteria Pain de France e o restaurante Bistrô Reserva.

    Av. Paulista, 900, Bela Vista
    @reserva_cultural
    Conheça a programação aqui

    Fachada do Edifício Gazeta, que sedia o cinema Reserva Cultural. | Foto: Divulgação/Rafael Brendli Tozetti

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    Foto de perfil do colaborador Pedro A. Duarte

    Pedro A. Duarte

    18 publicações

    Formado em Jornalismo pela FAAP. Especialista em Jornalismo Científico pelo Labjor Unicamp.